Yanomamis impedem profissionais da saúde de deixar terra indígena em Roraima

Área dos yanomamis

Yanomamis impedem profissionais da saúde de deixar terra indígena em Roraima

Área dos yanomamis
Área dos yanomamis

Roraima – Há cinco dias, índios yanomamis impedem um grupo de servidores da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) de deixar a reserva da etnia na região de Surucucus, noroeste de Roraima.

Os yanomamis cobram a exoneração do secretário nacional de Saúde Indígena, Antônio Alves, e da responsável pelo Distrito Especial de Saúde Indígena (Dsei-Y), Maria de Jesus Nascimento. Os Dseis são unidades gestora descentralizadas do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS).

A Sesai informou que já está tomando as medidas legais para retirar os 13 profissionais que permaneciam no local até o início da manhã de hoje (6).

Inicialmente, 20 agentes de saúde, técnicos de enfermagem e outros profissionais foram impedidos de deixar o local. As equipes multidisciplinares estavam no Polo Base de Saúde atendendo aos índios que vivem na Terra Indígena Yanomami – inclusive para providenciar a remoção para Boa Vista das pessoas que precisam de atendimento de média e alta complexidade. A Sesai é vinculada ao Ministério da Saúde e coordena a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas.

De acordo com Dário Vitório Kopenawa Yanomami, coordenador de Políticas Públicas da Hutukara Associação Yanomami, cuja sede fica em Boa Vista, o protesto indígena é pacífico e os profissionais não estão sendo ameaçados. Kopenawa afirma que o atendimento aos índios em todo o país é precário e que, na Terra Indígena Yanomami, a situação é agravada pela presença de garimpeiros.

“Há muitos problemas em todas as áreas indígenas. Na reserva Yanomami, um problema é a presença do garimpo. Onde há porta de entrada a invasores e garimpeiros que poluem nossos rios com mercúrio há malária, diarreia e outras doenças”, observou Dário. Segundo ele, o número de casos de câncer entre os índios da região tem crescido.

“Temos brigado para tentar melhorar a qualidade do atendimento, mas não conseguimos, porque o sistema é muito grande e há muitos interesses. A estrutura dos polos base são antigas, os remédios estão demorando a chegar e os profissionais precisam de qualificação”, acrescentou Kopenawa.

Acionada pela diretora do distrito indígena, Maria de Jesus, a Polícia Federal (PF) já ouviu o depoimento de servidores da Sesai que deixaram a área e acompanha a evolução das negociações para decidir sobre a necessidade de enviar policiais para a área. Como a Terra Indígena Yanomami fica distante da capital, Boa Vista, e o acesso à região por barcos é impraticável nesta época do ano, a Superintendência da PF, caso necessário, terá que pedir apoio do Exército ou da Força Aérea Brasileira (FAB) ou aguardar o envio de aeronaves da Coordenação de Aviação Operacional (Caop) da PF, de Brasília.

O MPF também está acompanhando a situação e tem participado das reuniões para tentar encontrar uma resposta às reivindicações indígenas. A questão jurídica, no entanto, está sob a responsabilidade da Advocacia-Geral da União (AGU).

Os cerca de 9 milhões de hectares da Terra Indígena Yanomami se espalham por partes dos estados do Amazonas e Roraima. Cerca de 22 mil índios vivem na área, distribuídos, segundo Dário Kopenawa, por aproximadamente 240 comunidades.

Amazonianarede-EBC

 

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