Tucumã com carbureto mata estudante

(Reportagem: Gerlean Brasil)

A estudante do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Batista de Parintins, Karina Fonseca da Silva, 17, morreu intoxicada no início da tarde desta segunda-feira, 26, após consumir tucumã amadurecido com carbureto, mineral usado para iluminar pescarias tradicionais na região. Ela comeu o produto contaminado quinta-feira, 22, além de outros membros da família.

“Quem comeu tucumã, passou mal”, declarou a tia da vítima, Rosaneide de Souza Ribeiro, 44, na porta do necrotério do Hospital Padre Colombo. De acordo com ela, as outras pessoas da família tomaram remédio e conseguiram recuperação. A mãe de Karina da Silva teria comprado o produto na Feira Zezito Assayag, na Avenida Paraíba, no Itaúna II.

“Ela comeu à tarde e à noite começou a passar mal. Primeiramente, deu entrada na emergência do Hospital Padre Colombo e depois de medicada retornou para casa. Como não estancou o vômito, ela foi levada para o Hospital Jofre Cohen onde permaneceu internada até à tarde de domingo. Ela iria para Manaus às 14h de hoje, mas faleceu às 13h”, contou a tia.

Rosaneide Ribeiro afirma que a família decidiu retirar Karina da Silva do Hospital Jofre Cohen pela falta de acompanhamento médico adequado. Na manhã de hoje, segunda-feira, 26, com a piora, a estudante voltou às 8h ao Hospital Padre Colombo. O médico plantonista Romualdo Corrêa informou que ela deu entrada com estado bastante debilitado, devido à perda de liquido provocada por vômito e diarreia.

O médico plantonista Oziel Souza conversou com o Dr. Romualdo Corrêa e obteve informações sobre o caso. “O estado dela era crítico. Ela teve parada cardíaca e morreu no centro cirúrgico. Infelizmente ela não conseguiu suportar o grau de avanço da intoxicação. A causa principal pode ter sido ingestão exógena por carbureto”, explicou.

Segundo o especialista, a intoxicação exógena pela ingestão de carbureto ocorre quando, em contato com a água, o mineral se transforma no gás acetileno, substância totalmente lesável. Dentro da corrente sanguínea, o acetileno causa um distúrbio eletrolítico. “Foram diversas combinações que levaram a paciente a óbito”, concluiu o médico plantonista.

O corpo não precisou ser encaminhado para exame necroscópico na Sala de Medicina Legal. O médico legista Jorge de Paula Gonçalves assinou a declaração de óbito no Hospital Padre Colombo. O velório da estudante vai ser no bairro Dejard Vieira, na Avenida Maçaranduba, em frente ao Centro de Estudos Superiores de Parintins (Cesp), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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