Processo de pré-moldagem de prótese ocular para pacientes da Policlínica Codajás segue até sexta (21)

Manaus – O vigilante Carlos Antônio Sampaio, 49, perdeu um lado da visão em um acidente doméstico. A aposentada Lucemira Maria Garcia, 47, em um acidente de trabalho. Já a pequena Alice Sophie Ribeiro, de apenas 1 ano e 9 meses, foi vítima de um tumor nos olhos.

Histórias distintas de episódios que resultaram na perda do globo ocular fazem parte do grupo de pessoas que, nesta quarta-feira (19), foi atendido pelo Programa de Atenção Integral do Deficiente (Paid), da Policlínica Codajás, quando teve início o procedimento de moldagem das próteses oculares que serão entregues a usuários da rede estadual de saúde.

Carlos, Lucemira e Alice compõem um grupo de 80 pacientes inscritos no Paid que receberão o componente ocular, previsto para ser entregue ainda na primeira quinzena de julho. Até sexta-feira (21), das 8h às 12h, todos dos pacientes recebem atendimento com os óptico-protesistas responsáveis pelo procedimento de moldagem da prótese. Cada equipamento tem um custo médio de R$ 1,1 mil e será concedido gratuitamente pelo Governo do Amazonas.

O diretor da Policlínica Codajás, Fábio Shimizu, afirma que este tipo de concessão pode amenizar a situação angustiante dos pacientes que tiveram perda dos olhos, problema que se reflete inclusive na conduta social do indivíduo mutilado. “O usuário privado do aparelho ocular pode apresentar dificuldades em estabelecer vínculos afetivos e de organizar a vida frente às novas circunstâncias”, destacou, acrescentando que o serviço personalizado prestado na unidade de saúde é oportuno para a superação de limitações.

A coordenadora do Programa, enfermeira Josenira Almeida, ressalta que o atendimento não encerra com a entrega do equipamento. “Os pacientes serão acompanhados e avaliados a cada seis meses, para verificar a adaptação do produto”, explica. Josenira frisa que os usuários recebem assistência integral. “A missão do Paid é a saúde integral de cada usuário, desde sua inclusão em ações educativas até o acompanhamento médico.

O procedimento de moldagem é simples e indolor. “O primeiro passo é a avaliação do tamanho dos moldes para cada paciente. Depois fazemos a marcação da posição da prótese no globo ocular em uma linha horizontal, para ajuste da abertura da pálpebra. Em seguida, é necessário fazer a conferência do diâmetro da íris, terminando com a escolha da cor mais indicada ao usuário”, explicou o óptico-protesista Cláudio Osmar da Silva.

Os dados coletados serão encaminhados pela Secretaria de Estado de Saúde (Susam) a Belo Horizonte, cidade onde está localizada a empresa mineira vencedora do processo licitatório para a confecção das próteses oculares.

Pacientes – Carlos Antônio usa prótese ocular há sete anos. Ele afirma que viu no Paid a oportunidade de trocar o equipamento sem ter os mesmos custos quando da primeira colocação do item, adquirido em uma rede particular. “Soube do Programa por meio de um colega que já é usuário da Policlínica. Quero, inclusive, ter acesso a outros equipamentos do módulo ocular”, disse o vigilante, que sofreu acidente doméstico quando a casa dele passava por reformas. “Acabei batendo a cabeça em um pedaço de madeira, mas não achei que fosse grave.

Quando acordei, já estava com o olho esbranquiçado”, contou. Na ocasião, Carlos estava com conjuntivite e não buscou atendimento médico.

A aposentada Lucemira Maria Garcia também está fazendo a primeira troca da prótese ocular. “O tratamento está sendo muito positivo. Estou maravilhada com essa equipe, que nos trata muito bem!”, ressaltou Lucemira, mostrando satisfação com o atendimento recebido. A aposentada conheceu o Paid por intermédio da Associação dos Deficientes Visuais do Amazonas (Advam), da qual é sócia desde 1988.

A pequena Alice Sophie Ribeiro nasceu com um tumor no olho direito, problema que foi identificado pela mãe dela, a corretora de imóveis Amanda Garcia Ribeiro, logo no primeiro mês de vida. “Desde cedo buscamos atendimento para ela em São Paulo. Fizemos o que foi possível, com os métodos disponíveis, mas não pudemos salvar o olho dela”, explicou Amanda. Após o tratamento de retinoblastoma (câncer de retina), Alice chegou a colocar uma prótese, mas a tentativa não deu certo. A expectativa da corretora é que a filha não tenha dificuldades para se adaptar com o produto e recebe o atendimento com os especialistas da unidade ambulatorial, reduzindo, assim, os custos com tratamentos fora do Estado.

Prótese ocular – O equipamento é utilizado para manter a cavidade orbitária, tonos dos músculos das pálpebras, além da fisiologia das vias excretoras de lágrimas e principalmente a estética. A prótese ocular é indicada para pacientes que tiveram o globo ocular removido ou lesado em consequência de acidentes ou enfermidades.
Para ter acesso ao equipamento é necessário fazer a inscrição no Programa, que funciona de segunda a sexta, das 07h às 17h, na sede da Policlínica Codajás, na zona Sul de Manaus (Rua Codajás, 22. Cachoeirinha). É necessário apresentar os seguintes documentos (originais e cópias): carteira de identidade ou registro de nascimento (caso seja menor de idade), CPF (do responsável, caso seja menor), Cartão SUS, comprovante de residência e a receita oftalmológica, acrescida do Código Internacional de Doença (CID).

(Ascom) 

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