
Amazonas – Dois servidores da Previdência Social de Manaus foram presos na manhã desta quinta-feira (11) pela Polícia Federal (PF) por envolvimento em fraude s de benefícios. Segundo a PF, os dois já foram indiciados anteriormente por estelionato, mas não chegaram a ser presos pelos crimes. Um levantamento do órgão apontou um prejuízo de R$ 15,7 milhões para a União por causa das fraudes. O casal preso na operação “Festum Fraudis” trabalhava na agência do bairro Aleixo, na Zona Centro-Sul da capital.
O chefe do Núcleo de Inteligência da Polícia Federal, Marcelo Maceiras, informou que os dois servidores já foram investigados após denúncias de envolvimento deles com fraudes. “Eles responderam a inquéritos policiais desde 2000. O homem foi indiciado duas vezes e escapou pela prescrição. Todos os casos foram por estelionato contra a Previdência”, afirma.
Esquema
As primeiras denúncias sobre o esquema surgiram em 2009 e, desde então, estavam sendo investigadas pelo Núcleo de Inteligência da Previdência Social. Aponsentadoria por invalidez, por idade, por tempo de contribuição, auxílio-doença, licença-maternidade eram os tipos de concessões fraudadas pela dupla, sendo os auxílios-doenças os mais recorrentes.
Os valores dos benefícios ficavam entre um salário mínimo e o teto, que é de aproximadamente R$ 5 mil.
Conforme as investigações, aliciadores indicavam pessoas interessadas em receber algum dos auxílios para o atendimento na agência do bairro Aleixo, na qual a dupla trabalhava. Eles inseriam dados errados para a concessão do auxílio e, muitas vezes, ficavam com a primeira parcela do benefício concedido. Contudo, nem todos os beneficiários são suspeitos, pois muitos deles tinham o direito de receber e foram enganados pelos aliciadores.
Códigos

Códigos como bolo, convite ou aniversário eram usados nas conversas entre os servidores e aliciadores para falar sobre a propina. “Quando o dinheiro saía, eles ligavam e avisavam: “olha, o bolo saiu, o bolo está pronto, podemos fazer o aniversário”.
Alguns códigos a gente mesmo estava com dificuldade de decifrar porque falavam em convites, mas ao mesmo tempo que falavam em convites, diziam para não sacar ainda”, exemplifica Maceiras.
O levantamento do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), apontou 260 benefícios fraudados pela dupla, entretanto, como o caso ainda segue em investigação, outros servidores podem estar envolvidos e o valor de concessões cedidas irregularmente pode ser maior.
Prisões
Além dos dois servidores presos por prisão temporária de cinco dias, cinco pessoas foram levadas à sede da PF para prestarem esclarecimentos. Entre os cinco há aliciadores, corruptores e outras pessoas que ainda não estão com a participação no esquema esclarecida.

Os servidores investigados serão indiciados por estelionato contra a Previdência Social, inserção de dados falsos no sistema de informação, corrupção, associação criminosa e outros crimes que ainda podem ser apurados durante a investigação.
Os cinco presos, bem como os beneficiários que tenham participado das fraudes podem responder pelos mesmos crimes que os servidores.
Os processos serão encaminhados para o INSS e, após análises das concessões, os processos serão encaminhados para a Corregedoria do INSS e aí será aberto o processo administrativo disciplinar que pode resultar na demissão deles.
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