Marines britânicos são acusados de assassinato no Afeganistão

Cinco Royal Marines britânicos foram acusados de assassinato em conexão com um incidente no Afeganistão em 2011, confirmou o Ministério da Defesa da Grã Bretanha.

Dois fuzileiros navais foram detidos pela Polícia Militar Real (RMP) no fim de semana, elevando o total de prisões para nove.

Quatro dos detidos foram libertados sem acusação. As regras de alistamento militar, em grande parte decorrentes das convenções de Genebra, estabelecem em que circunstâncias as tropas britânicas estão autorizados a abrir fogo, seja para evitar um ataque do inimigo ou o contato direto.

No caso em questão, os marines são acusados de não ter seguido tais regras e de eventualmente ter matado um inocente.

O Ministério da Defesa havia afirmado anteriormente que o incidente era decorrente de um “confronto com um insurgente” e não havia civis envolvidos.

“Insurgente”

Os marines foram presos na sexta-feira depois de um vídeo suspeito ter sido encontrado no computador de um dos militares por policiais civis no Reino Unido.

Acredita-se que esta é a primeira vez que militares britânicos foram presos e acusados de tais crimes durante o conflito no Afeganistão.

As acusações estão relacionadas a um incidente no ano passado, quando o Commando 3 foi baseado em Helmand.

Durante os seis meses de serviço, de abril a outubro do ano passado, sete militares do Comando 3 foram mortos em ação.

Um porta-voz do Ministério disse que os acusados de assassinato “permanecem em custódia por processos judiciais pendentes”.

– Seria inapropriado fazer mais comentários sobre a investigação em curso.

“Regras”

Os cinco casos foram encaminhados para o SPA, um organismo independente que investiga crimes militares. O SPA decidiu que os marines devem enfrentar acusações de assassinato.

Em entrevista ao programa Andrew Marr Show, da BBC, o secretário de Defesa, Philip Hammond, não fez comentários sobre detalhes do caso, mas insistiu que o Ministério da Defesa está “determinado que as regras de alistamento” sejam seguidas.

Ele acrescentou: “Todo mundo servindo sabe as regras, eles (marines) carregam cartões em seus uniformes com as regras, caso precisem se lembrar delas.”

Há possibilidade de o processo ir para uma corte marcial, um tribunal público com poderes semelhantes a um tribunal real. Ali, podem ser impostas sentenças de prisão, multas ou outras formas penalidades, dependendo da natureza do crime.

Estas cortes são presididas por um juiz auditor e um conjunto de até sete membros leigos, pessoas sem formação jurídica, a exemplo do júri nos tribunais civis.

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