Inaugurado em 1896 o Teatro Amazonas é palco de importantes festivais na Amazônia

Manaus – Quando foi inaugurado em 1896, o Teatro Amazonas representava a riqueza da época, os barões da borracha imitavam o luxo europeu e era necessária música europeia para essa elite.

Após anos de desencanto e ostracismo, as apresentações no teatro foram reiniciadas e no seu centenário foi criada a Amazonas Filarmônica, orquestra oficial do Festival Amazonas de Ópera, evento que trouxe de volta o luxo do passado.

Em 1997, a Orquestra Amazonas Filarmônica lembrava alguns delírios de Fitzcarraldo (personagem que dava nome a um filme de Werner Herzog), que sonhava em ter uma orquestra tocando no meio da selva. Músicos vieram de vários pontos da Europa, sobretudo do dilacerado leste europeu, atraídos pelo novo Eldorado.

Gringo na orquestra

Há oito anos em Manaus, o 1º trompista da Amazonas Filarmônica, Wolfgang Ebert foi um deles. “Cheguei aqui por um convite recebido do maestro na época, participei de um concurso e passei. Na época minha intenção era ficar apenas um ano, mas gostei da cidade e do jeito de viver do brasileiro”, contou.

Wolfgang reconhece as facilidades. “No Brasil as orquestras estão sendo abertas, enquanto se fecham na Europa. O velho continente está ruim de dinheiro e emprego. Todos pensam em vir pra cá. Além da orquestra, ainda leciono no Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro e sou regente da Banda Sinfônica, o que me sustenta e à minha família.

Temos problemas como todos os que moram aqui, aumento do preço da gasolina, feijão, moradia, mas estaria bem pior na Europa” disse o músico que tem esposa e filho brasileiro.

Os colegas de Wolfgang que chegaram por aqui antes dele, abriram espaços para novos estrangeiros e ajudaram a expandir a música clássica no Amazonas “hoje tenho colegas brasileiros na Orquestra que foram alunos dos primeiros pro- fessores europeus”. E os europeus continuam chegando.

Talentos locais

A formação de músicos locais para o elenco da filarmônica é um desafio para os organizadores e musicistas de outros Estados do Brasil resistem em vir para Manaus. A constatação vem do timpanista da Amazonas Filarmônica e monitor da Orquestra Experimental, Erick Figueiredo “essa resistência tem entre outros fatores a distância dos outros Estados e a periodicidade de espetáculos.

Em outras capitais existem possibilidades de apresentações durante todo o ano.

Em Manaus o trabalho é intenso durante o FAO e nos eventos da Série Guaraná, mas o espaço do Teatro é sempre requisitado o que gera conflitos de agenda”. Erick argumenta que com poucos shows, os músicos precisam de outras atividades que complementem o salário “muitos lecionam, tocam em bandas, se apresentam solo ou têm trabalhos que nem são ligados à música” sobre os estrangeiros comenta “foram muito importantes na formação de artistas locais, principalmente os búlgaros e russos que ‘fundaram’ a orquestra.

Creio que com o quadro de talentos locais já podemos suprir algumas necessidades, mas precisamos pensar a médio e longo prazo, por isso ressalto a importância dos colegas estrangeiros”.

Fonte: Artur Mamede Especial para o Jornal do Commercio 

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