
Manaus, AM – A Polícia Federal do Amazonas (PF-AM) cumpriu na manhã desta sexta-feira (29) cinco mandados de busca e apreensão e outros cinco de condução coercitiva em Manaus durante investigação de um esquema de tráfico de pessoas que levaria dançarinos e modelos do Amazonas para a Coreia do Sul e China.
Segundo a PF, a “Operação Salve Jorge” foi iniciada após denúncia da mãe de uma das dançarinas que viajariam para a Ásia. O recrutamento era feito por meio de redes sociais. Empresários coreanos também são investigados pela PF.
A delegada de Defesa Institucional da PF, Jeane Silvestreli, falou à imprensa em coletiva nesta sexta. Ela disse que a investigação teve início há cerca de quatro meses. “A mãe de uma das meninas que seria levada para a China e depois para a Coreia suspeitou da proposta de trabalho e procurou a Polícia Federal”, afirmou.
A investigação levou a PF a uma empresa de Manaus chamada Brazil Amazon Shows & Productions, que fazia esse tipo de recrutamento.
Candidatos (as)
Os pré-requisitos chamaram a atenção dos delegados, de acordo com Silvestreli: os anúncios pediam candidatos bonitos, com altura mínima de 1,65 (mulheres) e 1,70 (homens) e idade a partir de 18 anos. Ainda conforme a PF, as mulheres que viajariam para a China deveriam ser brancas, enquanto que para a Coreia do Sul não havia esse tipo de exigência.
O cronograma de apresentações na Ásia seria de quatro a seis shows diários em parques temáticos, festivais, hotéis e cassinos. Pelo trabalho, os recrutados receberiam R$ 3 mil de salário mensal, além de despesas pagas em hospedagem, alimentação, visto e passagens aéreas. A viagem duraria cerca de três meses.
Antes da investigação, a empresa havia articulado e depois cancelado uma viagem para a China. A apuração da Polícia Federal ocorreu quando a empresa escolhiam candidatos para a temporada na Coreia.
Entre as pessoas ouvidas e posteriormente liberadas nesta quinta, estão os dois donos da empresa. Foram apreendidos ainda computadores, pen drives e celulares. Empresários coreanos também passam por investigação. Segundo a delegada, há a suspeita de que eles financiavam parte da viagem.
A PF não forneceu detalhes dos depoimentos desta sexta-feira, mas a delegada revelou que parte das pessoas ouvidas confirmou que a prostituição era um tema discutido abertamente entre a empresa e os candidatos. “A conotação sexual estava sempre presente,incluindo nos anúncios”, disse Silvestreli.
Uma das pessoas ouvidas foi o dançarino Girlan Araújo, de 36 anos. A esposa dele, Dayane Rodrigues, 30, que também é dançarina, falou a reportagem. O casal havia feito uma viagem para a Coreia em 2012. Um dos donos da empresa investigada pela PF participou do workshop na ocasião, como dançarino.
Dayane disse que nunca soube de relação das viagens com prostituição e tráfico de pessoas. “Espero que tudo seja esclarecido, porque desconhecemos a negociação para prostituição.
Viajamos para a Coreia em 2012 e em nenhum momento tivemos contato com a exploração sexual. Cheguei a passar seis meses [lá] e fiz apresentações em parques infantis. Nunca tive proposta [para prostituição]”, comentou.
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