Verão e enchente tornam o mosquito transmissor da malária mais resistente

Mosquito da malaria
Mosquito da malaria
Amazonianarede – Fapeam

Manaus – Verões e enchentes são épocas apropriadas para a proliferação do mosquito transmissor da malária, porquê ficam mais resistentes às inseticidas, fato que foi comprovado por pesquisadores num trabalho realizado no município de Coari, na calha do rio Solimões, no Amazonas.

A explicação pode estar na intensidade e sazonalidade das chuvas na Amazônia. Os verões atípicos e períodos chuvosos na região interferem na dinâmica de transmissão da malária e resultam na expansão populacional do vetor Anopheles darlingi. A doença, caracterizada como problemas de saúde pública, é uma das infecções que causam mais mortes no mundo.

A proliferação dos mosquitos é aumentada em áreas de a Amazônia clima tropical. Existem quatro tipos de mecanismos de resistência dos mosquitos a inseticidas, entre eles: aumento do metabolismo dos produtos não tóxicos; diminuição dos sítios alvo da sensibilidade; diminuição das taxas de penetração do inseticida e aumento das taxas de excreção do inseticida. Os dois primeiros tópicos são considerados as formas de resistência mais importantes no combate à doença.

De acordo com a mestre em Genética, Conservação e Biologia Evolutiva do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Millena Vilhena Naice, as ocorrências da doença aumentaram não pela ineficiência do inseticida Deltametrina, mas sim pelas condições climáticas de Coari. Ela é responsável pelo estudo intitulado ‘Expressão de genes de resistência a inseticidas em Anopheles darlingi root, 1926 (Diptera: Culicidae) de Coari-AM, em condições de estresse químico’.

Ao longo dos dois anos de pesquisa, Millena coletou amostras de mosquitos para análise. Após a coleta, os mosquitos foram transportados para o Laboratório de Malária e Dengue da Coordenação de Pesquisas em Ciências da Saúde do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (CPCS/Inpa). “Fizemos testes para padronizar as concentrações do inseticida Deltametrina e, desde então, foram analisados e catalogados todos os resultados”, disse ela na dissertação.

No primeiro teste, foi verificado que o tempo médio de mortalidade do mosquito foi em soluções letais de inseticida de 0,05% e 0,025% de concentração. A partir do segundo teste, as soluções letais de inseticida foram diluídas em água e ficaram em 0,0125%; 0,00625%; 0,009375% e 0,003125%. “Nesse teste, foi identificado qual a taxa de mortalidade para cada concentração para acharmos a dosagem ideal”, explicou a pesquisadora.

No terceiro teste foram utilizadas soluções letais de 0,025%, além da concentração de 0,003125% do segundo teste e a concentração de 0,0015625% feita a partir da concentração de 0,003125%. “Verificamos assim quanto de inseticida é necessário para matar o mosquito contribuindo para o conhecimento da resposta do Anopheles darlingi contra o Deltametrina”, contou.

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