Sapos matam fêmeas para preservar a espécie na Amazônia

Amazonianarede – Inpa

Manaus – Cientistas e pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia ( INPA), após exaustivos estudos e pesquisas, chegaram a conclusão de os sapos machos da espécie de sapo Rhinella proboscidea matam acidentalmente as fêmeas por afogamento.

Avaliação é dos pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Estudos Integrados da Biodiversidade Amazonas (Cenbam). O estudo apontou que o acidente ocorre durante o acasalamento quando os machos matam a fêmea e depois extraem os ovos.

A pesquisa foi realizado na Reserva Florestal Adolpho Ducke, do Inpa, Km 26 da AM-010 (Manaus – Itacoatiara). Para análise foram coletadas 15 fêmeas em duas lagoas diferentes durante a reprodução explosiva em que envolvem dezenas de machos.

A reprodução dos sapos da espécie R. proboscidea é chamada de reprodução explosiva. Segundo William Magnusson, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), explica que na reprodução explosiva há grande competição entre machos, que se reúnem em grande número de indivíduos por dois ou três dias.

“A fêmea está na água, tem muito machos e todos estão tentado subir na fêmea então ela fica embaixo e eles acabam afogando-a. Normalmente, quando a fêmea chega lá, desova e vai embora, mas os machos ficam a noite inteira brigando por cada fêmea que chega”, detalhou.

Cópula

A fecundação dos sapos acontece por meio de estímulo do macho usando as patas dianteiras para segurar a fêmea na região peitoral ou na região pelvina. O abraço pode durar horas ou mesmo dias, antes da desova da fêmea.

Todos os ovos foram coletados e armazenados até entrarem em estágio embrionário, só então foi confirmada a fertilização, quando começaram a apresentar girinos. “Nesse caso foi notado que quando o macho solta a fêmea, ela já não tem mais ovos na barriga, mesmo que a fêmea morra os ovos saem e então o macho fecunda os ovos”, explica Magnusson.

Seleção natural

Embora em alguns casos a necrofilia possa ser vista como algo negativo, a estratégia da espécie é para evitar a perda de ovos depois da morte acidental da fêmea.

A pesquisa observou que a maioria das fêmeas, após a reprodução, deixa o ambiente. Entretanto, os pesquisadores não podem afirmar se as fêmeas sobreviventes podem participar de uma próxima reprodução.

Magnusson relata que a dificuldade de acompanhar a reprodução dessa espécie é grande porque é uma espécie não vista com muita frequência. Além de pesquisadores do Inpa, William Magnusson e Albertina Lima, pesquisadores de outras instituições participaram: Thiago Izzo e Domingos Rodrigues, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT); e Marcelo Menin, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). 

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