Resíduos amazônicos podem servir para produção de biocombustíveis

Recife (PE) – A possibilidade de utilizar resíduos amazônicos como matéria-prima para biocombustíveis tem despertado a curiosidade dos participantes da 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na capital pernambucana.

O trabalho “Prospecção de cepas fúngicas amazônicas para aproveitamento de subprodutos da cadeia produtiva de biodiesel visando compostagem e produção de biocombustível de segunda geração” será apresentado no estande do Governo do Amazonas, até a sexta-feira (26), pela pesquisadora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Antônia Souza.

Segundo a pesquisadora, foram analisados dez tipos de resíduos da região, dentre eles a casca e o caroço do cupuaçu, a casca e a semente do maracujá, as cascas da macaxeira, do urucu, do coco, do guaraná, resíduos de pau-rosa e o bagaço da cana-de-açúcar. Os levantamentos foram realizados nos municípios de Maués, Barcelos e Presidente Figueiredo.

“O trabalho identificou três linhagens de micro-organismos que podem ser utilizados na produção de bioetanol e na compostagem. Foram realizados ensaios com êxito na produção do bioetanol de segunda geração com dois destes resíduos e a compostagem com as amostras dos micro-organismos selecionadas. Esses testes apresentaram por volta de 80% a melhora de crescimento da semente do gerimum”, afirma a doutora em Genética e Evolução.

As próximas etapas da pesquisa consistem em otimizar a produção do bioetanol de segunda geração e, ainda, pesquisar nova matéria-prima para a produção do biodísel. “De posse desses resultados queremos agora tornar esse bioetanol economicamente viável. Além disso, vamos buscar novas fontes a partir da biodiversidade microbiana para a produção de biodísel”, detalha.

Para a professora da rede municipal de ensino de Recife, Geovana Brito, a pesquisa possui grande valor científico e deve ser usado como modelo para outras regiões. “Os resultados apresentados nessa pesquisa podem impactar não somente o Amazonas, mas todo o Brasil. Acredito que podemos implementar também em nossa região por meio do aproveitamento dos resíduos da macaxeira, abundante no Nordeste”, opina.

A pesquisa está vinculada ao Programa Biocom que conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). O projeto contribuiu com a formação de dois mestres e vários alunos de Iniciação Científica.

(Agência CT&I Amazonas, Por Lívya Braga) 

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