Protesto contra a liberação dos quatro réus marca feriado em Santa Maria

Emoção e revolta deram o tom à mobilização que seguiu em marcha pelas ruas da cidade.

Uma manifestação contra a soltura dos quatro réus envolvidos no incêndio da boate Kiss levou, na tarde desta quinta-feira, emoção e revolta para a Rua do Acampamento, a principal de Santa Maria.

Reunidos com cartazes, familiares e amigos de vítimas clamaram por justiça em uma marcha que durou três horas e percorreu cerca de 4km pelas ruas da cidade. O que se percebeu foi a radicalização do movimento. No vocabulário, cada vez mais frequente, aparecia a palavra “vingança”. Entre os brados, também estavam expressões como “país sem justiça”.

Apoiada em um andador e com bastante dificuldade para falar, Jarlene Moreira, 27 anos, sobrevivente do incêndio da boate Kiss, reuniu forças para participar da manifestação. Ela perdeu o marido, Leonardo de Lima Machado, 26 anos, durante a tragédia do dia 27 de janeiro, teve de ficar 18 dias hospitalizada e, nesta tarde, saiu de casa para criticar a decisão judicial:

— Eu não imagino como essas pessoas podem estar livres. Isso é uma afronta aos 242 mortos, entre eles o meu marido. Nós tínhamos um sonho, uma vida pela frente. E eles terminaram com tudo isso. Por isso, merecem ser castigados — lamenta a jovem.

Um dos momentos mais tensos da mobilização foi quando os organizadores discutiram se a marcha seguiria ou não para a frente da cervejaria de um dos proprietários da Kiss, Mauro Hoffmann. Decidiram, no entanto, que aquele não era o momento.

Por volta das 18h, a mobilização se dispersava na Praça Saldanha Marinho, também conhecida como Praça Central. De acordo com o presidente da Associação de Familiares das Vítimas e Sobreviventes da Tragédia em Santa Maria (AVTSM), Adherbal Ferreira, o recado foi dado.

E o protesto continua na manhã desta sexta-feira, em frente à Câmara de Vereadores de Santa Maria.

Protestos também marcaram feriado em Porto Alegre

Em Porto Alegre, integrantes do Movimento SM do Luto à Luta reuniram-se no Monumento do Expedicionário, no Parque da Farroupilha, a Redenção. No local, os manifestantes chamavam atenção de quem passava e pediam para que todos continuassem lutado por justiça.

Jaqueline Hernandes, 37 anos, perdeu o primo Heitor Oliveira, 24 anos, e, nesta tarde, somava-se ao grupo reunido na Redenção.

— Estamos aqui por causa da revolta diante da liberação dos culpados. Até então a gente se encontrava todo o dia 27, mas tivemos que nos reunir de novo, desta vez, para protestar — afirmou Jaqueline.

(Por: Zero Hora-RS)

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