Produção agrícola do interior ameaçada pela enchente

Manaus – Alerta de cheia recorde ameaça a economia no Amazonas. Com a cota máxima do rio Negro oscilando entre 28,76m a 29,47m, prevista no 2º Alerta de Cheia divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM).

Regiões do Estado utilizadas para o plantio e pecuária já estão alagadas comprometendo a produção, o que resulta no aumento de preço dos produtos, segundo especialistas.

De acordo com o superintendente da CPRM, Marco Antônio de Oliveira, a cheia quando ultrapassa 29m demora mais tempo para retornar ao nível ideal de plantio nas regiões naturamente férteis. “Quando a cheia é grande o rio alaga as plantações com maior antecedência, comprometendo toda a produção de várzea e, lembrando que os rios estão em movimento no Amazonas, são rios ainda em construção”, alerta.

Escassez de Agência

Outro fator que contribuiu para agravar a situação econômica do Estado, em detrimento da produção agropecuária no interior, reside na quantidade insuficiente de agencias bancárias para analisar projetos que fomentem R$ 880 milhões em créditos para os produtores localizados no interior do Estado. Que contam com apenas oito agências no interior, o que é inaceitável num Estado Continental, com acessos longos e de alto custo, segundo o superintende da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Thomaz Meirelles, (foto).

“Atentamente ouvimos os planos de investimentos para a região Norte, na ordem de R$ 880 milhões, que precisa chegar ao bolso do trabalhador rural do interior do Amazonas, proferidos pelo novo presidente do Basa.

Fato é que não vem ocorrendo na velocidade que precisamos e desejamos, principalmente para as atuais condições de vida do público alvo do Pronaf”, diz Meirelles.

Segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea) Muni Lourenço, efetivamente o aumento de agências bancárias nos municípios do interior do Estado é um fator relevante para a aquisição de linha de crédito. “Reiteramos esse pleito ao presidente do Basa, para priorizar a instalação de mais agências presentes no interior do Estado, em detrimento ao prejuízo na avaliação e apresentação de projetos”, confirma Lourenço.

Será que a Dilma sabe?

O superintendente da Conab, Thomaz Meirelles, afirma que sem bancos que operem o crédito rural no interior do Amazonas, Estado que mais conservou a floresta em pé, os ótimos programas federais, criados e fortalecidos desde 2003, não conseguirão eliminar a extrema pobreza.

Ele gostaria de dizer pessoalmente à presidente Dilma Rousseff que “Será que a Presidenta sabe que o crédito emergencial liberado pelo governo federal, para os atingidos pela enchente do ano passado já completou um ano e que muitos produtores ainda não viram esse dinheiro? E que em certos municípios, somente 30% desse público foi beneficiado?”, questiona Meirelles.

O superintendente da Conab se questiona. “Será que a presidenta Dilma sabe que já estamos com nova enchente e tem caboclo que não acessou o crédito emergencial, também chamado de especial. Bem, pelo tempo que tem levado, a aplicação desse crédito penso que jamais poderíamos chamá-lo de “emergencial” e/ou “especial”, principalmente para o agricultor familiar que depende da época certa para plantar e do pecuarista que precisa alimentar o gado diariamente.

Acredito que o comércio e a indústria possam sofrer menos por esperar um ano para receber esse recurso, mas o setor rural jamais. Será que estou errado?”, indagou Meirelles.

Ao Basa e ao Idam

O superintendente da Conab, Thomaz Meirelles, deixa claro que não está criticando os serviços prestados pelo Basa, tampouco à equipe do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) que vem atuando no crédito “emergencial” e/ou especial” do FNO.

Ele defende a presença do Banco do Brasil (BB) ou do Banco da Amazônia (Basa) em todos os 62 municípios do Amazonas. “Inaugurar uma nova agência em Tefé, onde já tem o Banco do Brasil, certamente não é a melhor estratégia. Dizer ao nosso caboclo para procurar a agência “mais próxima” é pura brincadeira, descaso e falta de compromisso”, desabafa Meirelles.(Jornal do Commercio)

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