Prefeito determina fim da greve e diz que ação do sindicato é criminosa

Em reunião com uma comissão formada por trabalhadores da empresa de transportes Global Green, na manhã desta quinta-feira, 15, no Palácio Rio Branco, o prefeito Arthur Virgílio Neto determinou o fim imediato da greve de transportes coletivos, considerada por ele como uma manobra política inescrupulosa.

O prefeito exigiu também mais transparência da empresa, no recebimento dos repasses efetuados pela prefeitura de Manaus, para quitação de débitos do FGTS dos funcionários.

De acordo com a comissão, formada por oito funcionários da empresa, a paralisação de aproximadamente 300 ônibus iniciada nas primeiras horas da manhã, foi iniciativa do Sindicato dos Rodoviários e não dos funcionários da empresa. O motorista Sebastião Sampaio atribui a atitude do sindicato à imposição e parte de um jogo político, uma vez que o portão de saída dos ônibus foi bloqueado por um carro e pessoas pertencentes ao sindicato.

“A categoria chegou para trabalhar e o sindicato já estava lá para parar a empresa. Os funcionários não saíram com medo das ameaças por parte do sindicato. A polícia estava presente e não nos ajudou a sair com os ônibus, por isso procuramos o prefeito”, explicou.

Segundo o motorista, o sindicato tentou confundir a cabeça dos funcionários, ao dizer que o valor do FGTS em atraso seria pago em 180 vezes e não em 14 vezes, como acordado com a Prefeitura de Manaus e o Governo do Estado.

“Reafirmamos com o prefeito o acordo de pagamento em 14 parcelas, acreditamos na postura dele e se não houver esse jogo político, isso irá acontecer”, disse Sebastião.

Indignação

O prefeito se disse indignado com a paralização dos ônibus, que levou grande prejuízo à população da zona Leste e afirmou que vai agir com firmeza para normalizar a situação do transporte coletivo.

“Essa é uma atitude irresponsável que vai gerar multas pesadas para o sindicato. Foram comunidades inteiras prejudicadas por razões fúteis de um sindicato que, a cada momento, perde sua legitimidade e a capacidade de dialogar conosco”, disse Arthur.

Ele citou a morosidade da polícia que demorou a desobstruir a entrada da empresa. “Falei com o governador sobre a forma flácida, que a polícia agiu nessa situação. Espero que daqui pra frente a postura da corporação seja outra pois esses marginais devem ser presos”, desabafou.

O prefeito lembrou que greve de transporte coletivo deve ser comunicada previamente à Justiça do Trabalho, que irá determinar quantos ônibus devem funcionar e declarar, ou não, a legalidade da ação.

“Desse jeito como foi feito é um crime claro contra a cidade de Manaus. Eu não vou tolerar essa ação criminosa”, garantiu.
O prefeito disse que tem a expectativa que os ônibus voltem a funcionar normalmente pela parte da tarde e que amanhã o problema não se repita.

“Tomaremos todas as providencias jurídicas para normalizar o sistema e por um fim a essa ação abusiva, politiqueira, desonesta e criminosa que esse sindicato está fazendo através desse presidente”, finalizou.

Sobre o acordo do subsídio repassado pela prefeitura para quitação do FGTS em atraso, Arthur exigiu que a empresa abra uma conta no Banco do Brasil, exclusivamente para recebimento dos repasses, para que haja transparência.

Está previsto para o dia 20 deste mês o pagamento da 1a parcela do FGTS em atraso.

Mais pressão

Logo após o término da reunião, os dirigentes do Sindicato dos Rodoviários foram avisados sobre o resultado da conversa com o prefeito de Manaus, mas não o acataram. Ainda na garagem da Global Green, eles pressionaram e tentaram intimidar os trabalhadores, exigindo que assinassem uma lista.

“Quem for a favor desse acordo, que assine uma lista com os nomes e se conforme com a situação. Não venha mais reclamar pra gente”, declarou Josildo Oliveira, membro do sindicato.

Os dirigentes também deixaram claro que vão insistir na greve e ameaçaram parar novamente amanhã.

“Vamos paralisar o Centro e todas as linhas vão ter que parar junto”, incitou Josildo.

(Reportagem: Ulysses Marcondes – Foto: Tacio Melo)

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