Plano Safra na Pesca chega para dinamizar e fortalecer a atividade no Amazonas

Amazonianarede – Osny Araújo

Manaus – Se depender da vontade do Superintendente da Pesca no Amazonas, José Otoni Diógenes, o ano de 2013 que estamos iniciando, poderá também ser lembrado no futuro como o começo de uma nova era pesqueira no Amazonas, saindo do marasmo em que se encontra e partindo para uma atividade dinâmica, produtiva e organizada, ao contrário da realidade que ainda persiste em continuar arcaica, sem estrutura e sem recurso.

Numa longa conversa mantida com o Portal Amazonianarede, Otoni falou com entusiasmo das ações no setor a serem desenvolvidas no estado e isso, segundo ele será um divisor de águas e abrirá grandes perspectivas para o Amazonas através do Plano Safra da Pesca e Aquicultura, do Governo Federal através o Ministério da Pesca, segundo ele, será um grande divisor de águas e abrirá grandes perspectivas para esse importante setor que é também vital para a economia do Estado.

José Otoni faz questão de dizer que é um inconformado com a situação da pesca no Amazonas, considerando que Manaus, situada ä margem do Rio Negro e dentro da maior bacia de água doce do mundo e rios extremamente piscosos, não tenha uma produção de pescado continua para alimentar os quase dois milhões de habitantes da capital, chegando ao cúmulo de promover a importação de pescado dos estados de Roraima e Rondônia, situados numa região da Amazônia muito menos piscosa do que a nossa.

Para o superintendente, a grande diferença é que nos estados de Rondônia e Roraima eles levaram a coisa mais a sério e menos sem a grandeza dos rios como os do Amazonas, aprenderam as técnicas e hoje atuam muito bem na produção de peixe em pequenos lagos, pequenos e médios açudes e em áreas escadas e com isso, conseguem produzir em escala uma grande quantidade de pescado e os resultados colhidos pelos produtores do setor já consideram o fato como sendo um grade negócio.

Superintendente da Pesca no Amazonas - José Otoni Diógenes

Otoni fez questão de recordar que o Amazonas já comandou a produção de borracha no mundo, a de guaraná e perdeu essas dianteiras e agora, na Amazônia caminha no final da fila na produção de pescado, mas garantiu que essa situação está com os dias contatos, a partir da viabilização do Plano da Pesca e Aquicultura do governo federal que deverá ser iniciado ainda neste mês, o que ocorrerá através de cursos, da transferência de tecnologia e especialmente de recursos para que o setor possa ser de fato dinamizado e avançar com celeridade, tanto na pesca tradicional, nos rios e lagos como na piscicultura.

“Não tenho dúvidas de que o setor será inteiramente dinamizado e revitalizado e o pescado voltará a ser uma grande fonte de renda e da própria economia do Estado, para isso, vamos trabalhar com os cuidados que deveremos ter com o meio-ambiente, respeitando os períodos do defeso a pesca nos rios, o cultivo nos tanques, nos igarapés, na produção de ração e tudo isso com a utilização de muita tecnologia, além do aproveitamento das experiências do passado e a sabedoria dos ribeirinhos da Amazônia”- afirmou.

TERMINAL PESQUEIRO

Antes de falar propriamente do Plano Safra, o superintendente falou da grande importância socioeconômica da pesca no Amazonas, gerando emprego, renda e fortalecendo a economia do Estado, por ser uma atividade que tem mercado garantido e consequentemente lucro certo.

Mas para que a atividade seja desenvolvida com sucesso e haja produtividade, é necessário o funcionamento correto de alguns mecanismos, como 0por exemplo, o terminal pesqueiro, que deverá estar pronto e organizado para encarar essa nova realidade que já vai aparecer no Amazonas.

Na opinião de Otoni, a questão do bom armazenamento do pescado é uma questão importante para o sucesso do setor, contará ainda com deslocamento do pescado e venda direta ao consumidor e para isso, a Superintendência da Pesca no Amazonas chamará para si a responsabilidade de administrar o Terminal Pesqueiro, construído na Colônia Oliveira Machado, para que seu funcionamento possa realmente satisfazer o sistema. O terminal, sob a responsabilidade da Superintendência será administrado atraqvé3sw de um Conselho Gestor, com a participação direta de todos os seguimentos envolvidos.

Disse ainda que tudo isso faz parte do da revisão do sistema que determinou a construção do terminal, considerando que o projeto foi executado com recursos liberados pelo Ministé3rio da Pesca e dessa forma, a sua administração voltará para a fonte de origem.

“E essa questão é tão importante que num segundo momento, quase imediato, vamos transferir o escritório da superintendência para o próprio terminal”. Vamos gerir a atividade cheirando e pegando no peixe.

“Adiantou que o prédio será int3eiramente mobiliado e equipado com todos os mecanismos de tratamento, circulação e higiene, mobilidade, armazenamento e segurança”.

Num terceiro Momento, o superintendente disse que existe ainda o desejo do ‘região em construir várias bases de desembarque do pescado na cidade, afim fim de descentralizar esse trabalho, em pontos como o São Raimundo, Ceasa, Compensa e Ponta Negra.

“O nosso negócio é oferecer condições de trabalho e segurança aos pescadores, facilitando ao máximo a vida do pescador que sofre nos barcos e longas viagens. Vamos trabalhar em parcerias com os pescadores e ao mesmo tempo colaborar com a população que terá o pescado mais próximo das suas residências, com a descentralização das bases de desembarque do pescado”- garantiu.

R$ 500 MILHÕES

Confiante no futuro da pesca e agricultura no Amazonas, José Otoni anunciou com entusiasmo ainda para este mês o lançamento em todo o Brasil do Plano Safra da Pesca e Aquicultura pelo Governo Federal com o objetivo de alavancar o setor de forma organizada e respeitando a natureza.

O Plano constará entre outras coisas de financiamento a juros muito baixos e carência, assistência técnica, distribuição de alevinos, tudo com o objetivo de superar as dificuldades, equilibrar o mercado de oferta e procura planejamento de escala da produção e finalmente, abrir caminhos para a exportação da produção para os demais estados e para o mundo.

Esperançoso com o futuro do setor no Amazonas, o superintendente, garantiu que o Governo Federal dará todos os meios necessários para que o setor se desenvolva e foi enfático: “O plano é audacioso, mas seguiremos em frente para alcançar todos os objetivos. Temos dinheiro para financiar projetos, temos assistência técnica, mercado e demanda suficiente, o que está faltando mesmo é uma produção de escala e isso logo terá” – garantiu.

Frisou ainda que o primeiro passo desse trabalho será chamar os produtores para se engajarem no projeto e investirem nessa atividade que vai gerar emprego e renda para muita gente na capital e no interior e a população terão em abundancia e a preços menos alimentos ricos em proteínas e vitaminas, além de considerar que o peixe é considerando um dos alimentos mais saudáveis para o ser humano e isso representa saúde, lembrou Otoni.

De acordo com dados do Governo Federal, o Plano Safra para a Pesca e Aquicultura tem disponível R$ 4,100 bilhões e desse total o Amazonas ficará com uma fatia de R$ 500 milhões, isto porque o Governo considera a atividade como fundamental para a inclusão social, com rentabilidade constante. “Na verdade, a pesca é uma mina de ouro, especialmente se forem levadas em consideração as muitas restrições de emprego no mercado de trabalho, mas para isso, a atividade precisa e deve ser levada a sério e tratada com seriedade e respeito à natureza”.

LICENCIAMENTO AMBIENTAL

Otoni falou também das dificuldades que serão encontradas e que deverão ser vencidas com critérios éticos e técnicos para que o programa possa ser implantado com correção.

“Mesmo antes de o Plano ser implantado já estamos nos adiantando e trabalhando em algumas vertentes no Amazonas, a começar pelo licenciamento ambiental, que se não for bem trabalho, poderá se transformar num grande problema para a viabilização do plano, por isso, a superintendência está trabalhando junto aos órgãos ambientais e para que esse Plano possa ser realmente entendido como um grande projeto de sustentabilidade ambiental e aos poucos vamos avançado nesse processo, com seriedade e bom sendo por parte dos agentes dos Governos.

Falou também da importância da qualificação de quem está nessa atividade, levando com conta que essa preparação garantirá o aumento da produção e produtividade e naturalmente, aumentará os lucros, especialmente com a viabilização da venda direta ao consumidor ou com a presença de intermediários devidamente cadastrados no programa.

SUBSÍDIOS

José Otoni fez questão de lembrar, que a exemplo de outras atividades parecidas, a implantação de um Plano como esse que se refere à Pesca e Aquicultura, vista como atividade rentável existe também a necessidade da oferta de subsídios por parte dos governos federal e estadual, objetivando alcançar as duas pontas a da produção em seguida a do consumo, encurtando a distância entre os dois extremos, sem sufocar ninguém, ou seja, os atravessadores, que poderão ser orientados e quem sabe, fazer parte de todo esse processo na qualidade de grandes parceiros, sem explorar os produtores e os consumidores. Esse é o objetivo, frisou o superintendente.

Esses fundamentos estão sendo levados para todos os rincões do Estado, considerando que é importante que o projeto seja explicado e entendido pelos interessados e fundamentalmente, e implantado e funcionando corretamente, o que isso representará para as comunidades interioranas com fonte de renda, melhoria de vida e inclusão social.

INDUÇÃO

O superintendente considerou que o que parecia mais fácil nesse processo, par3ece mesmo que será o mais difícil, convencer os pescadores a buscar empréstimos para equipar e modernizar a atividade no Amazonas.

Chamou a atenção para o fato de que o Governo está procurando diminuir a burocracia e tudo isso para chamar o pescador para o programa. Um dos grandes trabalhos no momento é induzir a busca desse crédito, que para o Amazonas soma R$ 500 milhões, que estará disponível nos bancos autorizados, tendo como fonte o Pronaf e o FNDO, através do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. É acertar o empréstimo, investir, pagar as parcelas e contabilizar o lucro “- afirma Otoni”.

Esclareceu ainda que vários estudos estão sendo desenvolvidos e todos serão cuidadosamente analisados. “Vamos pegar isso e sair espalhando para os pescadores, mostrando como funciona e quais serão os benefícios futuros e tenho certeza que serão muitos, considerando que a pesca é uma atividade coletiva e que no Amazonas envolver diretamente no processo aproximadamente 300 mil famílias, a partir do Plano Safra e todos trabalhando com dignidade e integridade” – finalizou.

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