Pesquisadores de SC reproduzem porcos in vitro pela primeira vez no Brasil

Amazonianarede/Udesc

Santa Catarina – Pesquisadores da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) conseguiram reproduzir suínos por fertilização in vitro. Esta é a primeira experiência bem sucedida no país, segundo Alceu Mezzalira, coordenador do experimento. Seis leitões nasceram na madrugada da última segunda-feira (29), no Centro deCiências Agroveterinárias da universidade, em Lages, a 217 km de Florianópolis, na serra catarinense.

Desde 2010, a equipe da universidade tenta clonar a raça cabocla Caruncho, mas ela só obteve esses seis leitões híbridos até agora. A raça Caruncho está ameaçada de extinção, explica o professor, desde que perdeu seu valor comercial por ter uma quantidade muito grande de gordura.

Foi uma vitória mesmo com fracasso do objetivo principal: “Nós queríamos era clonar o Caruncho, um suíno com mais gordura do que o normal e sem nenhum problema de colesterol. A descoberta do gene que o torna imune poderia ajudar no tratamento de doenças humanas”, explica o coordenador do mesmo laboratório que clonou uma vaca em setembro passado.

Os pesquisadores implantaram em cada uma das três porcas 15 embriões produzidos in vitro e outros 15 obtidos de clonagem. Os óvulos da fertilização in vitro foram obtidos de quase 200 porcas mortas em matadouro e depois processados em laboratório. Já os embriões de clonagem vieram de células da orelha de uma porca da raça Caruncho, a Pipipa, da criação de uma pequena propriedade vizinha à universidade.

A primeira porca perdeu todos os 30 embriões. A segunda os manteve por um tempo, mas dias depois os perdeu. A terceira deu à luz aos seis dos 15 leitões in vitro – nenhum da clonagem deu certo. Mezzalira diz que nos suínos os “embriões de clonagem possuem uma viabilidade menor de serem reconhecidos no útero, enquanto que, com os in vitro, fica mais fácil”. “O procedimento por clonagem estressa o animal, o que dificulta o reconhecimento dos embriões”.

O processo é traumático e pouco fisiológico. Ele retira o núcleo do óvulo, implanta em uma célula e tenta reativá-lo no animal hospedeiro com choques elétricos. O procedimento in vitro não possui choques, só exige anestesia do animal para implantação no útero. Assim, embora seja mais fácil a fertilização in vitro, continua sendo um procedimento delicado e caro.

Nova tentativa

Mezzalira anunciou que ainda este ano começará uma nova tentativa de obter clones do Caruncho. Ele vê nos custos a maior dificuldade na busca do clone para sua pesquisa. Ele alega que só consegue usar um número reduzido de fêmeas, dois ou três animais por vez, por conta das dificuldades técnicas de gerar um número suficiente de embriões para as fertilizações.

Se nesta última experiência foram usados 15 embriões de cada tipo nas porcas, os cientistas dizem que, agora, o ideal será dobrar para 30 in vitro e 30 clonados em cada suíno. Para aumentar as chances em cada uma das três porcas, a Udesc vai adquirir inovuladores japoneses. Eles custam U$S 500 (cerca de R$ 1.015), são descartáveis e implantam apenas cinco embriões por vez – caros, mas não provocam traumas.

Os leitões nascidos pelo processo in vitro não têm raça definida – ou seja, não servem para as experiências sobre colesterol como a equipe pretendia. Os filhotes serão amamentados por 30 dias pela fêmea que os gerou e depois seguem para a engorda até atingirem o peso para o abate, perto de 100 quilos.

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