Nível do Rio Negro esbarra na cota de emergência, em Manaus

cheia do rio Negro está a 2 cm de chegar a cota de emergência
cheia do rio Negro está a 2 cm de chegar a cota de emergência

Manaus – O nível do Rio Negro em Manaus está a dois centímetros de atingir a cota de emergência de 28,94 metros, de acordo com o sistema de medição do Porto de Manaus, localizado no Centro da cidade. A cota chegou à marca de 28,92 metros, nesta segunda-feira (18).  A Defesa Civil informou que montou um plano de contingência para minimizar os efeitos da cheia na capital.

Em Manaus, 15 bairros e 12 comunidades rurais devem ser afetados pelos alagamentos. No interior, 23 cidades decretaram situação de emergência e uma está em estado de calamidade pública (veja abaixo lista de cidades afetadas).

A previsão do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) é que o nível máximo da cheia do Rio Negro, na capital, chegue a 29,62 metros este ano. Se a cota prevista for alcançada, Manaus enfrentará a quarta maior enchente já registrada na capital.

Segundo o engenheiro Civil Valderino Pereira – que há mais de 20 anos é responsável por medir e registrar a leitura hidrogáfica do Rio Negro – o nível do rio tem subido uma média de três centímetros por dia.

No sábado (16), a cota registrada foi de 28,86 m. No dia seguinte, o rio subiu três centímetros, alcançando 28,89 m.

Ainda segundo o levantamento do Porto de Manaus, o nível nesta segunda é oito centímetros maior do que o registrado no mesmo período do ano passado (18/05/14), quando a marca chegou a 28,84 m.

Na cheia de 2014, a cota de emergência (28,94) foi alcançada e ultrapassada no dia 21 de maio.

O gerente de hidrologia do CPRM, Marco Antônio de Oliveira, informou que a cota de emergência na capital deve ser batida nesta terça-feira (19). Segundo ele, diferentemente das cheias anteriores, o nível deve permanecer em emergência por um intervalo de tempo mais curto. Oliveira explicou que isso deve ocorrer porque a Bacia do Rio Negro sofre influência da estiagem registrada no próprio Rio Negro e afluentes, na área do Hemisfério Norte. Neste ano, a estiagem em Roraima, por exemplo, tem influenciado o nível do Rio Negro em Manaus.

“Em cheias grandes, como a que ocorreu em 2012, o rio permaneceu por mais de 70 dias em emergência. Esse ano, tem uma situação de estiagem severa na bacia do Negro e isso implica em um tempo de permanência na cota de emergência menor do que nos outros anos”, explicou. Em Manaus, a maior enchente registrada nos últimos cem anos ocorreu em 2012. No dia 16 de maio, a cota chegou do Rio Negro a 29,78 m, superando em 1cm a cota registrada em 2009, quando o nível do rio chegou a 29,77 m, o maior registro até então.

Prevenção

Órgão municipais afirmam que realizam ações de contigência para minimizar os impactos à população. Entre elas, limpezas de bueiros na área central da cidade, construções de pontes e orientação de combate a doenças causadas pelo contato com a água contaminada.

Ao todo, 37 acessos em áreas da cidade que tradicionalmente ficam com vias submersas serão construídos. A previsão é de construção de 3.100 metros de passarelas em todos nove bairros.

Áreas afetadas

Ao menos, 15 bairros devem ser afetados durante a cheia na capital. A Defesa Civil explicou que o bairro Educandos deve ser o mais prejudicado pela cheia se o Rio Negro atingir a cota máxima. No local, 775 famílias devem ser afetadas. O bairro São Jorge – o segundo mais afetado com uma média de 530 famílias -, Presidente Vargas, Raiz, Centro, Aparecida, Betânia, Mauazinho e Santo Antônio, também estão na lista de localidades em risco. Além da área urbana, a Prefeitura de Manaus informou que monitora 12 comunidades na zona rural, localizadas à margem do Rio Amazonas que também podem ser prejudicadas. Em uma delas, na Comunidade Nossa Senhora do Carmo, há previsão de construção de passarela. Já em bairros como Cachoeirinha, Tarumã, São Geraldo, Colônia Antônio Aleixo, Compensa, algumas áreas no Centro e Mauazinho as pontes serão construídas pela comunidade com ajuda da Defesa Civil Estadual.

Doenças

Outra medida iniciada envolve a prevenção às doenças do período de cheia dos rios. Equipes da rede municipal de saúde, do Distrito de Saúde Sul, percorreram nesta segunda-feira ruas e becos do bairro Educandos para mapear locais com maior risco de transmissão de doenças.

Durante a ação serão distribuídos materiais educativos, além de hipoclorito de sódio e soro para a população moradora da orla.

Cheia no Amazonas

Aproximadamente 15 barros da capital já estão atingidos pelas águas
Aproximadamente 15 barros da capital já estão atingidos pelas águas

Na última semana, subiu de 20 para 23 o número de municípios em situação de emergência no Amazonas, de acordo com comunicado da Defesa Civil Estadual. As inundações afetam 30.804 famílias em todo o estado. O número representa 154.057 pessoas prejudicadas.

Além de Maraã, Beruri e Fonte Boa, outras 20 cidades estão em situação de emergência. Na calha do Rio Juruá os municípios em emergência são: Itamarati, Guajará, Ipixuna, Envira e Juruá, na calha do Rio Purus estão: Canutama, Tapauá, Carauari, Pauini e Lábrea. Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Tabatinga, Amaturá, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença e Tonantins, situados no Alto Solimões, também estão em situação de emergência por causa do avanço das águas. Coari também está na mesma situação.

Manacapuru e Itacoatiara passaram a integrar a lista de cidades em alerta para inundações e se juntaram a Humaitá, Uarini e Alvarães, segundo a Defesa Civil.

Amazonianarede-Rede Amazônica

 

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