Manaus: Taxa de mortalidade infantil deve fechar o ano com redução de 5%

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Amazonianarede/Semcom

Manaus – A taxa de mortalidade infantil, em Manaus, deve fechar o ano com uma redução acima de 5%, em relação a 2011, segundo estimativas da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). De janeiro a setembro deste ano, foram registrados 423 óbitos de crianças menores de 1 ano, contra 461 mortes verificadas, nesta faixa etária, no mesmo período do ano passado. O secretário municipal de Saúde, Francisco Deodato, salienta que o porcentual projetado representará o cumprimento da meta anual pactuada com o Ministério da Saúde. “Nossa avaliação é de que medidas como a implantação do ‘Programa de Nutrição Infantil Leite do Meu Filho’ e o fortalecimento das ações de apoio e estímulo ao aleitamento materno, já começam a impactar positivamente para a redução mais rápida e expressiva deste indicador”, disse Francisco Deodato.

O secretário destacou que o principal eixo do “Leite do Meu Filho” são as consultas de acompanhamento do crescimento e desenvolvimento das crianças inscritas. “De janeiro a outubro deste ano, 118.377 consultas ambulatoriais de puericultura foram realizadas pela rede pública municipal de saúde, no âmbito do programa”, afirmou Deodato. Ele explica que estas consultas permitiram identificar aquelas crianças que estão com o peso adequado, com quadro de magreza extrema ou em situação de obesidade, por exemplo. Conforme o caso, elas passam a ter o acompanhamento de uma equipe multiprofissional.

A pediatra Elena Marta Amaral do Santos, coordenadora técnica do “Leite do Meu Filho”, observa que as crianças inscritas no programa passam por consultas com intervalos de, no máximo, três meses. O Ministério da Saúde preconiza que, até os dois anos de idade, a criança passe pelo mínimo de nove consultas de acompanhamento. A partir daí, adota pelo menos uma consulta anual de puericultura ou acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, próximo ao mês de aniversário da criança. “As crianças inscritas no ‘Leite do Meu Filho’, que permanecem no programa até completar 5 anos, estão mantendo a rotina de pelo menos quatro consultas por ano, ou seja, um número acima do calendário preconizado pelo Ministério ”, diz Elena Marta.

Estas consultas de acompanhamento, salienta a pediatra da Semsa, são fundamentais para diminuir os índices de adoecimento e morte das crianças, sobretudo por diarréia e pneumonia. “O que o programa faz é assegurar que a criança será avaliada mesmo estando com saúde e não apenas se estiver doente. O cartão de vacinação da criança é monitorado frequentemente, outra garantia de que ela estará protegida contra doenças imunopreviníveis”, acrescenta a coordenadora do “Leite do Meu Filho”.

A responsável pelo Setor de Saúde da Criança da Semsa, enfermeira Ivone Amazonas, destaca também os avanços obtidos pela rede municipal de saúde com a implementação das ações da Rede Amamenta Brasil, em parceira com o Ministério da Saúde. Atualmente, o índice de crianças na faixa etária de 0 a 6 meses, em aleitamento materno exclusivo, está em 48,5%, em Manaus. Para se ter uma idéia do que isso representa basta verificar que, em 1999, o índice de aleitamento materno exclusivo era de apenas 24,4%, entre os bebês de 0 a 4 meses. É expressivo, também, o número de crianças que continuam sendo amamentadas, mesmo com a introdução da alimentação complementar. Na faixa de 6 a 11 meses, o índice é de 75,1%. De 12 a 15 meses, está em 63,4%. “Em todos os casos, os indicadores de Manaus estão acima da média nacional”, diz Ivone Amazonas.

Alimentação Saudável

Desde dezembro de 2009 e com maior intensidade a partir de 2011, a Semsa vem realizando oficinas de formação de tutores da Estratégia Nacional de Alimentação Complementar Saudável (ENPACS). O objetivo é capacitar os profissionais de saúde da Atenção Básica para o desenvolvimento de ações rotineiras, nas Unidades de Saúde, que promovam a alimentação adequada de crianças menores de 2 anos de idade. A nutricionista Tânia Batista, que também integra a equipe do Programa Leite do Meu Filho, explica que nas oficinas são apresentados os Dez Passos da Alimentação Saudável, incluindo o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida. “Já foram realizadas sete oficinas, que formaram 104 tutores municipais da ENPACS. Estes tutores realizaram rodas de conversa com 305 profissionais de 19 Unidades Básicas de Saúde. Ao final da atividade, cada UBS elaborou seu plano de ação para promover a alimentação saudável das crianças.

As “Oficinas Culinárias” desenvolvidas por meio de parceria entre a Semsa, o SESI – Cozinha Brasil e o Centro de Vida Integral (CVI) são outra atividade importante. Mais de 600 famílias beneficiárias do Programa Leite do Meu Filho e Bolsa Família já foram alcançadas pelo projeto. Por meio de aulas teóricas e práticas os participantes aprendem receitas nutritivas e de baixo custo, para assegurar uma alimentação mais saudável à família.

Redução

Em 2008, a taxa de mortalidade infantil, em Manaus, era de 15,82 por 1.000 nascidos vivos. Em 2011, o indicador fechou com 13,35 óbitos por cada 1.000 nascidos vivos, uma redução de 15,7% no acumulado de três anos.

Experiência compartilhada

No início deste mês, um documentário sobre as ações desenvolvidas para acompanhamento das crianças assistidas pelo Programa de Nutrição Infantil “Leite do Meu Filho” foi apresentado no Congresso Ibero-Americano de Pesquisa Qualitativa em Saúde, realizado em Lisboa. O evento foi promovido por um amplo conjunto de instituições, que são referência no ensino e desenvolvimento de pesquisas. O documentário sobre o programa da Prefeitura de Manaus foi selecionado pela Comissão Científica do congresso.

“O evento teve a participação de 800 congressistas, oriundos de vários países. Manaus se destacou com a apresentação do documentário, pela amplitude do Programa e seu impacto tanto do ponto de vista social quanto na redução da morbimortalidade infantil. Foi um dos maiores trabalhos apresentados no Congresso”, diz Elena Marta. No próximo mês de dezembro, as ações do “Leite do Meu Filho” serão apresentadas na Convenção Internacional de Saúde Pública, em Cuba.

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