
Capital tem baixa oferta para crianças de 0 a 5 anos e fica longe das metas nacionais de educação infantil
Manaus – A capital amazonense aparece entre as capitais brasileiras com os piores índices de atendimento na educação infantil, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (29). Os dados mostram que a cidade enfrenta dificuldades tanto na oferta de creches quanto na cobertura da pré-escola.
Na etapa da pré-escola, destinada a crianças de 4 e 5 anos, apenas 80,2% estão matriculadas. O índice coloca a capital entre os sete piores resultados do país e abaixo do mínimo recomendado de 90%, mesmo com a obrigatoriedade dessa fase desde 2013.
Já o cenário das creches, que atendem crianças de 0 a 3 anos, é ainda mais crítico. Apenas 12,8% dessa população está inserida na educação infantil formal, o segundo pior índice entre as capitais brasileiras, à frente apenas de Macapá.
O resultado deixa Manaus distante da meta estabelecida pelo novo Plano Nacional de Educação (PNE) 2026–2036, que prevê atendimento mínimo de 60% das crianças nessa faixa etária nos próximos dez anos. Na prática, quase nove em cada dez crianças de até 3 anos estão fora das creches na capital amazonense.
Norte concentra piores índices
O levantamento, produzido pelo Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional em parceria com a plataforma QEdu, aponta que o problema é mais grave na região Norte.
Capitais como Rio Branco, Porto Velho e Boa Vista também apresentam índices baixos de atendimento, tanto em creches quanto na pré-escola.
Em todo o país, 876 municípios ainda não atingem 90% de cobertura na pré-escola, o que representa cerca de 329 mil crianças fora da sala de aula nessa etapa. No caso das creches, 81% das cidades brasileiras não conseguem atender ao menos 60% da demanda.
Demanda supera oferta
Dados do Censo Escolar de 2025 indicam que Manaus possui 70.470 matrículas na educação infantil, sendo 21.990 em creches e 48.480 na pré-escola, considerando redes pública e privada.
Apesar do crescimento nos últimos anos, a oferta ainda não acompanha o aumento da população infantil, especialmente nas áreas periféricas. A rede municipal concentra a maior parte das vagas, mas enfrenta dificuldades para ampliar a estrutura e atender à demanda.
Infraestrutura precária
Além do acesso limitado, o estudo também aponta problemas na qualidade das unidades de ensino. Apenas 17% das escolas públicas de educação infantil no Brasil possuem infraestrutura considerada adequada.
Entre as deficiências estão a falta de rede de esgoto, coleta regular de lixo e abastecimento de água. Espaços essenciais para o desenvolvimento infantil também são escassos: apenas 45% das unidades têm parque infantil e 36% contam com áreas verdes.
amazonianarede
Da Redação Portal d24am



