Instituições se articulam para melhorar produção agrícola em Manaus

Amazonianarede – Embrapa

Manaus – Instituições governamentais do âmbito municipal, estadual e federal que atuam no setor primário em Manaus (AM) iniciaram uma articulação para viabilizar ações conjuntas que contribuam para melhorar a produção agrícola local.

A iniciativa partiu da Secretaria Municipal de Empreendedorismo e Abastecimento (Sempab), vinculada à Prefeitura de Manaus, e conta com a participação da Embrapa Amazônia Ocidental, dentre outras instituições.
De acordo com o secretário municipal da Sempab, Jeferson Praia, a proposta é unir esforços para fortalecer a produção local de alimentos.

O secretário cita que o preço da cesta básica em Manaus ocupa a quarta posição em maior preço no País. “Existe uma produção agrícola no município, que ocorre com muitas dificuldades por parte dos produtores. O trabalho das instituições também está acontecendo com muitas dificuldades. Nós queremos em 2013 unir as nossas forças, diminuir nossas fraquezas com a parceria das outras instituições, para melhorar as condições de produção de alimentos no município de Manaus”, afirmou Praia, acrescentando que essa articulação junto às instituições servirá ainda para subsidiar com informações a formulação da política agrícola do município, que está entre as atribuições da Sempab.

A primeira atividade dessa articulação foi a “Reunião de trabalho sobre o setor primário nas zonas periurbanas e rural no município de Manaus”, realizada em 22 de março, na qual participaram mais de dez instituições.

De acordo com o secretário da Sempab, as etapas são, inicialmente, conhecer o planejamento de cada instituição governamental do âmbito municipal, estadual e federal que atua voltada ao setor primário, em seguida verificar o que cada órgão pode complementar em colaboração ao outro em ações direcionadas ao município de Manaus.

O secretário afirmou que a Prefeitura pretende se colocar como principal catalisadora desse processo, que incluirá além das reuniões com as instituições também reuniões com organizações de produtores rurais locais.

A Embrapa Amazônia Ocidental esteve representada na reunião pelo pesquisador Gilmar Antonio Meneghetti, que apresentou as principais linhas de atuação da Embrapa no Amazonas e destacou as tecnologias agropecuárias disponíveis para o Estado e que podem ser implementadas no município de Manaus.

Entre as principais linhas de atuação da pesquisa agropecuária da Embrapa no Amazonas foram citadas a aquicultura (cultivo de peixes, especialmente tambaqui e matrinxã), culturas alimentares, cultivo de plantas medicinais, fruticultura (cupuaçuzeiro, bananeira), culturas agroindustriais (guaranazeiro, seringueira), sistemas agroflorestais, sistemas de produção agroecológicos, entre outros.

Como contribuições para a agricultura no município, a partir dos resultados de pesquisa da Embrapa foram destacadas tecnologias disponíveis, por exemplo, para o cultivo da mandioca que permitem alcançar produtividades de 25 a 30 toneladas de raiz por hectare, bem acima da média regional que é de 3 a 8 toneladas por hectare. Estão disponíveis informações para o sistema de produção de mandioca para áreas de várzea e para terra firme.

Entre os conhecimentos gerados para o Amazonas, relacionados à mandioca, destacam-se também técnicas de plantio adensado como método de multiplicação de maniva/semente e sistema de armazenagem de maniva/semente para pequenos agricultores.

Em relação a outras culturas alimentares, como arroz, milho e feijão existem resultados de pesquisas da Embrapa com a recomendação de cultivares melhoradas e mais produtivas. Entre as tecnologias disponíveis pela Embrapa para o Amazonas, destacam-se quatro cultivares de feijão-caupi (também chamado de feijão de praia) com produtividades entre 800 a 1.500 quilos por hectare, acima da média do Estado que está em 300 kg/ha.

O pesquisador Gilmar Meneghetti também ressaltou a geração de tecnologias para fruteiras nativas, como é o caso do cupuaçuzeiro .

Para essa cultura, estão disponíveis cinco cultivares tolerantes à doença vassoura-de-bruxa, que ataca a planta e reduz a produção. Com as cultivares resistentes é possível alcançar a produção de 8.328 frutos por hectare, quando a média regional é de 1.449 frutos. Também estão disponíveis orientações sobre “Boas práticas agrícolas” relacionadas a colheita e pós colheita do cupuaçu, e controle da vassoura-de-bruxa no cupuaçuzeiro e controle da broca do fruto no cupuaçuzeiro, que é outra praga que afeta essa fruteira.

A agricultura praticada em Manaus

Existem 2.200 famílias em Manaus que trabalham com agricultura, segundo informação repassada pelo gerente da unidade local do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), Luiz Herval.

De acordo com dados do Idam, que é o órgão oficial de extensão rural do Estado, as principais atividades são a fruticultura que envolve 410 agricultores familiares e um total de área em torno de 529 hectares ; e a produção de hortaliças com 401 agricultores envolvidos, ocupando 84 hectares.

Além dessas atividades, destaca-se a criação animal com a avicultura de postura, com 60 criadores e um total de 1.400.000 aves; a piscicultura com 324 criadores ocupando um total de 220 hectares de área alagada; e por último a bovinocultura, com cerca de 5.568 animais.

O gerente local do Idam esclarece que, em relação aos produtos que compõem a cesta básica alguns produtos alimentícios não tem realmente condições de serem produzidos no Amazonas, seja pelas condições climáticas ou de solo. Porém, existem produtos que podem ser produzidos em nível local e existem tecnologias para isso, porém é preciso que as tecnologias cheguem ao produtor e que este tenha acesso a políticas que viabilizem a sua produção.

Entre as instituições convidadas pela Sempab para esta articulação para fortalecimento do setor primário nas zonas periurbanas e rural do município de Manaus estão: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Ministério do Desenvolvimento (MDA), Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) e Secretaria Executiva de Pesca e Aquicultura (Sepa) – ambos órgãos da Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Instituto de Proteção Ambiental (Ipaam), Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS), Secretaria de Desenvolvimento Sustentável (SDS), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural da Federação de Agricultura e pecuária do Estado do Amazonas (Senar/Faea), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Instituto Nacional de Colonização e reforma Agrária (Incra), Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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