Grupo de pesquisadores busca tratamento mais eficaz para a malária

Amazonianarede – Fapeam

Manaus – Uma doença que afeta países de clima tropical, como a região Norte do Brasil, a malária ainda é uma endemia que desafia a medicina mundial. Sem uma vacina preventiva, atualmente o controle está no tratamento, feito com medicamentos derivados da Artemezinina, uma substância extraída de uma planta chinesa. Apesar da possibilidade de cura, se diagnosticada no início, o parasita transmissor da malária está cada vez mais resistente aos remédios até então considerados a principal arma contra a doença.

Em busca de um novo tratamento para a doença, um grupo de pesquisadores, coordenado pelo Professor Doutor Adrian Martin Pohlit, trabalha desde 2001, no laboratório do Centro de Pesquisas de Produtos Naturais do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus. O foco da pesquisa é descobrir atividades antimaláricas em plantas da região amazônica, muito conhecidas na cultura popular, mas que nunca foram estudas.

Um exemplo é o estudo feito pelo mestrando em química, Tiago Barbosa Pereira. Há dois anos ele pesquisa a composição da torta da andiroba, que é a sobra da trituração da planta para extração da amêndoa. Atualmente, apenas o óleo da andiroba é aproveitado na preparação de produtos terapêuticos e até velas, o restante é descartado.

A pesquisa já identificou na torta a presença de limanóides, os mesmos encontrados no óleo, que são substâncias com várias atividades biológicas, entre elas a de ação inseticida. “Nesse estudo já foi possível constatar que um desses limanóides tem potencial para atividade antimalárica” destaca.

A busca por atividades antimaláricas também é o objeto da pesquisa realizada pela doutoranda em Biotecnologia, Renata Braga. Há três anos ela estuda 12 plantas da região amazônica, muito utilizadas na cultura popular no tratamento da malária, mas sem comprovação científica, entre elas o guaraná e o cajueiro.

O objetivo é preparar 72 extratos dessas plantas que serão testados contra o parasita transmissor da malária. “Nesse estudo, também será possível descobrir se essas plantas fazem ou não mal a saúde, já que os testes seguem exatamente a maneira como a população utiliza essa terapia popular, misturando essas plantas com água ou álcool”, completa Renata.

Estudos ainda não comprovados indicam em média que 35% dessas plantas indicadas pela população apresentam efeito contra o parasita transmissor da malária.

Outra etapa da pesquisa é tocada pelo doutorando em Biotecnologia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Luiz Francisco Rocha Silva, que trabalha na produção farmacológica dessas substâncias. Parte desses estudos é feita no laboratório da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado, em Manaus, que é referência nacional e internacional no diagnóstico e pesquisas de doenças endêmicas, e também em outros laboratórios do Brasil, como da Universidade de São Paulo (USP) e também da Universidade do Rio Grande do Norte (UFRN).

O próximo passo é testar in vitro, ou seja, no parasita da malária, todas as moléculas das plantas que foram isoladas pelos químicos. Se for contatada atividade antimalárica nelas, a próxima etapa é o teste in vivo, que são os estudos feitos em camundongos infectados, uma etapa anterior ao teste em seres humanos. “A Amazônia tem tantas plantas de uso medicinal, utilizadas pelos caboclos e índios, e o foco da nossa pesquisa é descobrir uma planta da região que seja capaz de combater a malária” conclui.

O QUE É A MALÁRIA

A malária é uma doença infecciosa aguda ou crônica causada por protozoários parasitas do gênero Plasmodium, transmitida pela picada do mosquito do gênero Anopheles fêmea.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 2,7 milhões de pessoas morrem por ano vítimas doença, 75% das vítimas são crianças. Um dos continentes que mais sofre com a doença é a África. No Brasil, a maioria dos casos de malária, se concentra na Amazônia Legal, uma área de 5 milhões de Km² distribuídos entre os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Maranhão e Goiás.

Segundo o último balanço divulgado pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS/AM), em 2012, por conta da cheia dos rios, os casos de malária aumentaram 40% no Amazonas em relação a 2011, com o diagnóstico até outubro, de 72.997 mil casos, sendo 7.997 casos, só na capital.

Os principais sintomas da doença, que começam entre 10 a 35 dias após a picada do mosquito, são febre constante, dores de cabeça e muscular, calafrios e mal estar generalizado.

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