Genoma do peixe-boi é mapeado pelo INPA e Universidade de Kyoto

Manaus – O mapeamento do genoma do peixe-boi da Amazônia será realizado pela primeira vez. O trabalho é de pesquisadores do Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA) do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa) e da Universidade de Kyoto, no Japão.

Informações sobre o genoma do animal servirão para realizar pesquisas com mais precisão e rapidez, além de diagnosticar doenças com mais facilidade, como explicou a pesquisadora do LMA, Vera Silva.

O estudo do genoma vai usar um equipamento de sequenciamento de DNA da Universidade de Kyoto. “O sangue de dois peixes-bois machos vivos do Inpa foi coletado pelo veterinário do LMA e os pesquisadores japoneses vieram ao Inpa extraíram o DNA que vai ser utilizado para sequenciar o genoma do peixe-boi”.

Segundo a pesquisadora, o equipamento de sequenciamento tem o potencial de acelerar as pesquisas biológicas e biomédicas permitindo uma completa análise do genoma.

O equipamento funciona como se fosse uma triagem do próprio peixe-boi. “Depois do mapeamento do genoma vamos conseguir ampliar ainda mais o nível de pesquisas e conhecimento sobre a biologia e ecologia do animal no seu ambiente natural, como por exemplo, identificar ocorrência de parasitas, hábitos alimentares, entre outros”, pontuou.

A parceria entre o Inpa e a Universidade de Kyoto foi concretizada em 2012, quando o diretor do Inpa, Adalberto Val, selou formalmente os convênios com a instituição japonesa.

Ainda em 2012 aconteceu no Inpa o “1st International Workshop on Tropical Biodiversity Conservation in Brazil (The JSPS Core to Core Program)”. “O workshop foi uma atividade do projeto dessa cooperação internacional que o Japão fez entre Brasil, Índia e Malásia, com foco voltado para o estudo de animais de grande porte, onde tivemos uma grande troca de informação com os pesquisadores desses países”, lembrou Silva.

Com base nessa cooperação, o pesquisador/colaborador da Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa), Diogo Souza, juntamente com o biólogo Thiago Pires, participaram do intercâmbio, em outubro de 2012, entre o WRC e o LMA, que também recebeu alunos japoneses neste período.

Souza conta que a capacitação, que ocorreu durante 45 dias no Japão, não ficou apenas nos laboratórios. “Na ocasião, participamos de um curso de ciência no campo, na ilha de Yakushima, considerada a Galápagos do oriente, e lá trabalhei especificamente o comportamento de macacos japoneses. Depois, junto com estudantes da Índia, Malásia e do Japão, participei de um curso de genética no laboratório da Universidade de Kyoto para analisar a ecologia alimentar desse grupo de macacos”, relata.

O pesquisador ressalta que durante sua visita na Universidade pode conhecer tecnologias que poderão ser utilizadas com os mamíferos aquáticos da Amazônia. “Será de extrema importância transferir as tecnologias utilizadas pelos pesquisadores do Japão para os mamíferos aquáticos da Amazônia, como por exemplo, os equipamentos de bioacústica e de monitoramento acústico dos animais na natureza”, disse.

De acordo com Vera Silva, outros projetos ainda surgirão da parceria entre o Inpa e a WRC/Universidade de Kyoto. “Temos em vista realizar um grande projeto na Amazônia, com a implementação do Museu Natural (Field Museum), nas áreas de reserva do Inpa, no âmbito de uma cooperação técnica entre o Inpa e a Universidade de Kyoto”, finalizou.

Fonte – INPA

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