Funcionária da AASANA que autorizou o plano de voo com a Chape quer se refugiar no Brasil

Célia
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Célia Castedo Monastério(C), quer se refugiar no Brasil

Corumbá, MTS – Célia Monastério chegou a Corumbá, em Mato Grosso do Sul, nesta segunda-feira (5) de manhã. A assinatura que está no carimbo do plano de voo é de Célia Castedo Monastério.

Célia é funcionária da AASANA, a Administração Autônoma de Serviços Aeroportuários e Navegação Aérea da Bolívia. Ela trabalha na sala de tráfego.

Depois do acidente, Célia enviou um relatório contando ter questionado o despachante da Lamia, Álex Quispe, sobre 5 pontos importantes do plano de voo. Um deles era sobre o tempo de rota, igual ao tempo de autonomia do avião.

O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul informou que Célia Castedo Monastério está em Corumbá. Ela se apresentou pela manhã no setor de imigração da Polícia Federal para buscar informações sobre o refúgio no Brasil. Como o atendimento ainda não havia começado, Célia, acompanhada de um advogado, foi ao Ministério Público. E lá também tenta ajuda para conseguir abrigo no país.

Célia foi indiciada pelas autoridades da Bolívia, que abriram formalmente uma investigação para saber se houve negligência da funcionária. Os depoimentos dos sobreviventes também vão ajudar nas investigações.

Um deles é o de Erwin Tumiri, de 25 anos. Ele falou ontem com exclusividade ao “Fantástico”. Erwin era o técnico de bordo do voo, responsável pelo abastecimento do avião.

“Eu abasteci, e de Cochabamba fomos primeiro para Viru Viru, onde voltei a abastecer.”

Abasteceu no máximo?

“Sim, no máximo”.

Ele conta que foi informado que o avião iria primeiro a Cobija, e depois a Medellín, o destino final.

No momento da decolagem, voltou a perguntar:

“Vamos até Cobija, não é? Não, vamos direto a Medellín, responderam”, contou ele.

“Então, mandei mensagem para a empresa de técnicos onde prestamos serviços para a aeronave. Escrevi: Vamos direto de Santa Cruz para Medellín. Eu supus que eles sabiam o que estavam fazendo, porque o despachante é encarregado disso.”

Erwin explicou também que, se houvesse algum problema com o avião, ele deveria ser chamado.

“Se falha algo, o piloto me chama imediatamente. Diz que venha o técnico que algo está falhando. Mas nesse caso não me chamou. Não me disse nada em nenhum momento. Todos esperávamos aterrissar normal, tranquilo.”

Tão tranquilo que, minutos antes, jogadores conversavam no corredor do avião, alguns tocavam música e outros jogavam cartas.

Erwin conta que, até a queda, nem ele nem os tripulantes e passageiros foram avisados de nenhum problema.

“Todo o voo foi igual, tranquilo, não aconteceu nada. A tripulação nos disse vamos aterrissar, e nesse momento todos sentaram nos lugares, apertaram cintos. Ximena foi fazer uma vistoria para ver se todos estavam de cinto. Ela voltou e se sentou numa poltrona perto de mim.“

Depois foi tudo muito rápido. Erwin ouviu um barulho, acordou com o rosto no chão. Levantou entre a fuselagem destruída e conseguiu arrastar a comissária Ximena Suárez para longe do avião, num lugar seguro. E nesse momento teve medo.

“Tive medo, sim, porque não havia nada. O que mais vou fazer? pensei. E a Ximena estava mal também. Pensei, tenho que reagir, tenho que reagir.Tudo parecia como um sonho, como um pesadelo.”

Quando os bombeiros colombianos chegaram, ele, em choque, tenta chamar pelos companheiros.

Mas da tripulação boliviana apenas ele e Ximena se salvaram.

Erwin teve alguns arranhões, hematomas e um torcicolo, mais parecendo que caiu de bicicleta do que com um avião.

O médico que atendeu Erwin conta que montou um esquema especial, com UTI e equipes preparadas para receber o técnico que voltou da Colômbia. Mas se surpreendeu com a recuperação dele.

“Logo depois do exame clínico, começamos a ficar mais tranquilos. Deus existe para esse menino. Ver que teve ferimentos tão pequenos, tão simples. Pensamos isso não é normal.”

A família e os amigos de Erwin acham que ele foi salvo por um milagre.

“Todos dizemos que é um milagre, não é casual que ele esteja vivo. Não era hora dele partir. Então, tem muitas coisas para fazer aqui.

Erwin me diz que agora tem dois aniversários, que continua querendo ser piloto, mas que agora também quer conhecer Chapecó.

“Eu sinto que fui salvo, digamos, por eles. Talvez porque sinto que eles deram a vida deles por mim. É por isso que quero conhecer mais essa cidade.”

Amazonianarde/JN

 

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