Estudo propõe melhoramento genético de peixes amazônicos

Manaus – No Amazonas, a piscicultura vem se firmando como um negócio rentável e com potencial para desenvolvimento socioeconômico. Pesquisas voltadas ao aprimoramento de técnicas de manejo na região avançam.

É o caso do estudo do biotecnólogo José de Ribamar da Silva Nunes, que estuda o melhoramento genético de peixes amazônicos.

Com o título ‘Mapeamento de Regiões Genômicas Associadas a Características de Produção e Crescimento de Peixes’, o projeto é desenvolvido no curso de mestrado em Ciência Animal e Pastagens da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (Esalq/USP).

Suporte

O estudo é financiado pelo Governo do Estado, via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), por meio do Programa de apoio à Formação de Recursos Humanos Pós-Graduados para o Interior do Estado do Amazonas (RH-Interiorização).

De acordo com o pesquisador, o trabalho visa identificar genes de interesse produtivo em peixes amazônicos com potencial na piscicultura. “As abordagens metodológicas usadas para estudar o genoma de peixes de nossa região estão direcionadas, em sua maioria, para a conservação dos recursos naturais, o que é de vital importância para a região. No entanto, são necessários estudos que deem suporte ao piscicultor, no que diz respeito ao oferecimento de animais com uma maior capacidade produtiva em um menor espaço de tempo, sem deixar de lado a qualidade e o sabor que é uma marca das espécies de nossa região”, frisou.

Dois anos

A pesquisa, que conta com a orientação do doutor Luiz Lehmann da USP, será desenvolvida em dois anos. Segundo Nunes, espera-se constituir e disponibilizar um banco de dados sobre o genoma de peixes da região. As informações servirão de ponto de partida para trabalhos de melhoramento das características das espécies.

“O conhecimento do genoma de peixes como o tambaqui (Colossoma macropomum) ou o pirarucu (Arapaima gigas), espécies de grande interesse econômico para a região, poderá proporcionar ganhos produtivos”, ressaltou o pesquisador.

O estudo também pretende fazer o levantamento de informações sobre espécies exóticas, como a tilápia. “Precisamos gerar dados e apresentar soluções de ponta aos nossos produtores”, concluiu.

Métodos

A coleta das amostras será realizada no Amazonas e as análises serão realizadas no Laboratório de Biotecnologia Animal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. “A tecnologia de sequenciamento utilizada será de ultima geração”, afirmou Nunes.

Sobre o RH-Interiorização

O programa é resultado de uma iniciativa do Governo do Amazonas para elevar o nível dos profissionais residentes no interior do Estado, por meio da oportunidade de participação em cursos de pós-graduação, em programa credenciado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em instituições sediadas em Manaus ou em outros estados da Federação.

Para o pesquisador, o desenvolvimento econômico, social e ambiental de uma região passa, obrigatoriamente, pelo seu desenvolvimento científico, e o programa RH-Interiorização tem proporcionado a integração do interior do Amazonas a grandes centros de desenvolvimento científico do Brasil.

“Nesse contexto, a FAPEAM tem olhado de forma diferenciada para o interior de Estado, não por achar que este seja menos capaz, mas para proporcionar oportunidades que talvez a limitação geográfica ou econômica impeçam que cheguem a massas perfeitamente capazes do interior”, disse o pesquisador.

Fonte: Agência Fapeam 

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