Em dois dias o “novo” Adolpho Lisboa recebeu mais de 130 mil pessoas

(Amazonianarede – Osny Araújo)

Os mais antigos caminham saudosos e os mais jovens aprendem a direção para chegar ao Mercado Municipal Adolpho Lisboa, o tradicional “mercadão” ou “mercado grande” de histórias da cidade e da vida de muitos que aqui vivem.

O mercado que foi entregue pelo prefeito Arthur Neto como presente no aniversário de Manaus no dia 24, inteiramente restaurado, é um símbolo de uma época áurea da história da cidade, materializado por um complexo arquitetônico dos mais belos e um dos maiores símbolos da história da cidade e de seu povo.

Construção centenária com estilo do velho mundo, o Adolpho Lisboa, após ficar fechado por cerca de oito anos para uma restauração muito dificultada pela “burrocracia”, especialmente pelo Instituto Histórico, finalmente voltou a abrir os seus braços, ou melhor, as suas portas para receber os manauras e turistas e a admiração pelo belo é igual para todos e a satisfação que quem chega por lá é visível.

Os mais antigos chegam a ficar incrédulas com o que presenciam. É o nosso mercado mais que centenário inteiramente restaurado que volta a funcionar para orgulho de uma cidade e de um povo.

Após ter participado da festa de reinauguração, o Portal Amazonianarede, foi ver de perto o segundo dia de funcionamento do “mercadão” e sentiu o prazer e a alegria de permissionários e consumidores, que demonstravam orgulho do local, da beleza da obra restaurada, do bom atendimento e dos cuidados que permissionários e consumidores estão tendo com o belo monumento, pelos menos, até o momento e torcemos para que essa consciência e preocupação perdurem.

Agora, com calma, a reportagem percorreu todos os pavilhões do mercado e conversou com permissionários e fregueses e todos foram unânimes em elogiar a qualidade da restauração da obra, a limpeza do local e a maneira educada como os consumidores são atendidos pelos comerciantes, que agora, inclusive, tem noções de inglês para melhor comunicação com os turistas e dessa forma, oferecer um atendimento mais qualificado num complexo que é um dos grandes pontos turísticos da cidade.

Segundo estimativa feira pelo presidente da Associação dos Permissionários do Marcado Adolpho Lisboa, Fidelis Aguiar, nos dois primeiros dias de funcionamento aproximadamente mais de 130 mil pessoas passaram pelo popular “mercadão”.
No segundo dia de funcionamento calcula-se que apenas 30% dos boxes funcionaram, mas a movimentação dos permissionários para colocar as mercadorias e iniciarem os trabalhos de atendimento ao público com as vendas é intensa e dentro de mais alguns dias, os próprios comerciantes garantem que o comércio no Adolpho Lisboa estará funcionando a plenamente.

Início tranquilo

Neste início de arrumação dos boxes por parte dos 182 permissionários, o administrador do mercado, Clodoaldo Servalho, garantiu que o trabalho se desenvolve com tranquilidade e dá para notar a grande satisfação dos comerciantes dos mais diferentes seguimentos.

Servalho, disse ainda que o Adolpho Lisboa deverá num futuro próximo, uma vez que ainda depende de licitação de dois restaurantes com qualidade turística, sendo um em cada torre, “mas isso ainda não podemos adiantar quando entrarão em funcionamento” – afirmou.

Disse também que algumas coisas ainda estão sendo providenciadas, como por exemplo, ligações elétricas internas para os equipamentos, mas dentro de pouco tempo, tudo entrará em pleno funcionamento e anunciou ainda para esta semana alguns permissionários já começarão a trabalhar nos pavilhões do pescado e carne.

Setores

Com a restauração, surgiu uma forma mais dinâmica na arrumação dos boxes e com isso, os consumidores que forem às compras no Adolpho Lisboa, terão mais facilidade em localizar os pontos das compras, uma vez que tudo passou a ser setorizado.

Por exemplo, as duas praças de alimentação ficam em locais distintos, uma de cada lado, quem trabalha com horti-fruti, estivas e cereais, estão todos juntos num ponto só, o mesmo acontecendo com os permissionários que trabalham com artesanato, ervas medicinais, mingaus regionais, carne e pescado, o que certamente facilitará em muito o trabalho dos compradores.

Os comerciantes gostaram da inovação e garantem que tudo ficará mais fácil para os frequentadores do mercado que não precisarão andar de um lado para do, pois as compras, de acordo com o tipo, serão feitas num conglomerado e isso facilitará muito as coisas tanto para os comerciantes como para os consumidores, pois caso o que deseja não tenha num boxe basta se dirigir ao vizinho e tudo estará resolvido.

Movimento

Com todos os permissionários que a reportagem conversou os elogios as obras de restauração do mercado que é um dos mais importantes pontos turísticos da cidade, foram elogiadas e a organização dos boxes, a segurança e tudo mais que exista foi enaltecido pelos comerciantes que ficaram cerca de oito anos longe do seu antigo local de trabalho e aproveitaram a oportunidade para agradecer ao prefeito Arthur Neto pela reinauguração do mercado e não pouparam críticas aos problemas provocados pela burocracia e em especial, ao Patrimônio Histórico, que segundo eles, foi o grande responsável pela demora na restauração. “Agora, tudo isso graças a Deus” – afirmaram.

Seu Adalberto Santos, que passou um longo tempo trabalhando na calçada do mercado, está feliz da vida com a sua reabertura e garante que o movimento mais do que triplicou nestes dois primeiros dias de funcionamento.
Ontem, parei com a minha venda de mingau as 09h30min, pois as cinco panelas produzidas acabaram cedo e agora, só à tarde.

Adalberto trabalha com a venda de vários tipos de mingaus regionais, destacando o mungunzá, tapioca e banana e garante que os campeões de vanda são os mingaus de banana e mungunzá. “Se você tivesse chegada mais cedo um pouco, poderia fotografar a fila de gente a espera de ser servida com mingau e isso é muito bom, graças a Deus”.

Renato Marinho trabalha com a venda de produtos naturais, como pão integral, castanhas, fibras etc. É outro que está rindo com as paredes com o retorno ao antigo local de trabalho. “Está tudo muito bom e todos nós estamos de parabéns pela reabertura do nosso mercado Adolpho Lisboa. O ambiente está espetacular, a higienização está impecável, a segurança está presente e o mais importante para nós, o movimento está muito bom. O público está satisfeito e nós também e agora, é zelar para que o nosso mercado continue bonito, limpo e acolhedor para manauras e turistas” – afirmou.

Com 35 anos trabalhando como permissionária, d. Adelaide Pereira da Mata, era só alegria e entre o atendimento de um freguês e outro, conversava com a reportagem e fazia questão de demonstrar a sua alegria e o orgulho de trabalhar naquele ponto histórico e turístico de Manaus.

Ela trabalha com ervas medicinais e com os famosos remédios in atura da região, como óleos de copaíba, andiroba, banha de tartaruga, de sucurijú e mais uma variedade de produtos. “O que posso dizer amigo, é que eu não, mas todos nós que trabalhamos aqui estamos muito felizes com a reabertura do mercado e com as vendas que estão de vento em popa” – diz sorridente. tigo permissionário do “mercadão”.

“Coisa mais linda”

Seu Antonio Mattos, com dois tês como fez questão de afirmar, é só alegria e orgulho. Com mais ou menos 80 anos, garante que é o mais antigo permissionário do “mercadão” onde atua a 50 anos, substituindo a sua saudosa mãe, d. Maria Mattos.

Entre o atendimento de um e outro freguês com vendas de medicamentos regionais, como o famoso “Viagra da Amazônia” in natura e licores com sabores da região, seu Mattos se gaba ainda de ser um bom dançarino do Carrossel da Saudade.

“Amigo, estamos muito felizes, nós que trabalhamos neste local. Para falar a verdade, foram oito anos de muitos sacrifícios e sofrimentos, mas agora, tudo passou. Está tudo muito bem e ainda vai melhorar muito mais, se Deus quiser”.

Mais adiante afirma que tudo parece ,inacreditável o retorno ao velho local de trabalho. “Isto parece um sonho”. “Não sei se acreditava ou não que um dia voltaria a trabalhar aqui, ainda bem que aconteceu e pude estar vivo para presenciar este grande momento”.

“Vitória do povo”

Fechamos esta série de entrevistas com permissionários com o presidente da Associação da categoria, Fidelis Aguiar, que tem apenas 24 anos de trabalho no tradicional mercado. “Meu amigo, estamos orgulhosos e vivendo um sonho maravilhoso, que é retornar a nossa antiga casa, agora completamente restaurada. É uma verdadeira beleza e que certamente será um dos principais pontos turísticos da nossa cidade”.

Garantiu que a reabertura do Adolpho Lisboa completamente restaurado é uma vitoria para o povo amazonense. “ Temos muito a agradecer ao prefeito Arthur Neto que não mediu esforços para devolver o mercado ao povo de Manaus e seus visitantes”.

Frisou também que apenas cerca de 40% dos 182 boxes já estão funcionando, mas garantiu que dentro de pouco tempo todos estarão abertos e com muitas mercadorias a disposição do grande público.

Fez questão de dizer, que aos poucos os permissionários vão se adequando ao novo espaço e alguns pequenos problemas começam a ser solucionados, considerando que são poucos e naturais numa mudança tão grande e garantiu que eles mesmos podem resolver.

Para finalizar a sua participação nesta matéria, Fidelis Aguiar ressaltou que no primeiro dia de funcionamento o mercado que iria ficar aberto até às 18 horas, só conseguiu fechar as portas às 22 horas e afirmou que nesse primeiro dia, mas de cem mil pessoas passaram pelo tradicional e mais importante mercado de Manaus.

Orgulho e satisfação

O Portal Amazonianarede conversou também com vários visitantes e consumidores e todos só tiveram palavras de elogios ao Mercado Municipal Adolpho Lisboa que após um período de oito anos reabriu suas portas a população inteiramente restaurado.

D. José Pereira Mendonça, (52) estava com a neta de 14 anos comprando artesanato e era só alegria em retornar a um ponto que sempre gostou de visitar e a neta, também achou tudo muito bonito.

Seu Antonio Azevedo, (56), saboreava um mingau de banana e jurou que estava com muita saudade do mercadão. “Graças a Deus estou de volta a este local belo e acolhedor e espero, que os permissionários e nós, o povo, zelemos por este grandioso patrimônio da nossa cidade”.

“Estou muito feliz e orgulhosa em ver que o nosso tradicional mercado voltou a funcionar. Foram tantos anos fechado que até parece um milagre, mas valeu a pena esperar todo esse tempo. Está tudo muito bonito” – garantiu.

Trânsito estressante

A grande reclamação para quem vai às compras ou apenas visitar o mercado está inteiramente relacionada ao trânsito, que na área é absolutamente estressante, com o sistema travado e pela falta de estacionamento.

O carro da reportagem passou mais de 45 minutos se deslocando milimetricamente para conseguir um local para estacionar, por isso, a melhor opção para se chegar com tranquilidade e sem estresse ao Adolpho Lisboa, ainda é o sistema de transporte coletivo.

O fato é que imediações do mercado a desorganização do trânsito é absoluta, isso tudo aliado ao mau comportamento dos pedestres, que ficam se metendo entre os carros e com a nefasta colaboração dos carregadores que ajuda e muito a tumultuar o sistema.

Com relação a estacionamento, o administrador Clodoaldo Servalho, frisou que existem dois pátios, um que fica ao lado do pavilhão da carne, próximo a Capitania dos Portos e outro na Av. Lourenço Braga, pela chamada Manaus moderna.

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