Em Curitiba, o país da Copa tenta fugir de vexame histórico

(Por: Veja)

Curitiba, PR – Especialista suíço vai examinar as obras da Arena da Baixada nesta terça-feira. Se não se convencer, deve avisar Valcke – que anunciará a exclusão da cidade.

Nunca um país precisou cortar uma cidade-sede da Copa do Mundo às vésperas do evento porque um estádio não ficaria pronto a tempo. Nesta terça-feira, o Brasil – que teve nada menos que sete anos para se preparar, mais que qualquer outro anfitrião de Mundial – tentará não ser o primeiro a amargar um fiasco tão grande. A decisão sobre a manutenção ou exclusão de Curitiba do torneio deverá ser anunciada à tarde, depois de uma inspeção de cerca de 90 minutos na Arena da Baixada. O futuro da arena paranaense na Copa – e da imagem do país-sede no exterior – está nas mãos do engenheiro suíço Charles Botta, um especialista na construção e reforma de instalações esportivas para grandes eventos, como Copas e Olimpíadas. Depois de visitar o estádio, ele entrará em contato com Jérôme Valcke, o secretário-geral da Fifa, que seguirá de Porto Alegre para Florianópolis, onde acontece o seminário técnico do Mundial. Será nesse evento que o cartola francês anunciará se Curitiba continua ou não no torneio.

Um dos três estádios privados entre os doze que receberão a Copa, a Arena da Baixada teve sua reforma atrasada em função de problemas de financiamento. O secretário-geral da Fifa não escondeu a irritação ao visitar o local em sua visita anterior ao Brasil. Na segunda-feira, questionado sobre a situação de Curitiba, o francês não quis antecipar nenhuma decisão. “Temos uma equipe técnica que vai a Curitiba na terça e só então daremos a resposta final”, disse o dirigente. Ele disse ainda que não há jogo de cena da Fifa no caso: existe, de fato, uma dúvida sobre se o estádio estará pronto ou não, e o suspense em relação à situação de Curitiba não é uma forma de pressionar os anfitriões. “Não é só pelo prazer de deixar todos esperando. Os técnicos vão para lá para apresentar um relatório final”, explicou Valcke, que passou por Manaus e Brasília antes de viajar a Porto Alegre. Depois de abrir mão do prazo anterior para entrega dos estádios (dezembro de 2013), a Fifa colocou fevereiro como limite para as inaugurações, com exceção do Itaquerão, por causa do acidente. Curitiba não conseguirá cumprir o prazo.

A agenda de Charles Botta em Curitiba começa às 10h30, com uma reunião com o prefeito Gustavo Fruet e com o presidente do Atlético-PR, Mario Celso Petraglia (o governador Beto Richa, que estava viajando, tentará retornar a tempo de participar). Mais do que saber se houve avanço nos trabalhos desde a passagem de Valcke pelo local, Botta deverá questionar os brasileiros sobre os recursos necessários para concluir a reforma. Depois de ouvir a posição das autoridades sobre a situação financeira do projeto, Botta enfim visitará o canteiro de obras para verificar se existe progresso real nos preparativos do estádio para a Copa. A previsão é de que Valcke anunciará a permanência ou o corte de Curitiba por volta das 15 horas. O francês deverá basear sua decisão exclusivamente no diagnóstico de Botta, que visitará a arena acompanhado do consultor de estádios do Comitê Organizador Local (COL), Carlos de la Corte, arquiteto que dirige um escritório especializado em arenas esportivas.

O mais espantoso na situação de Curitiba é que a Arena da Baixada era considerada o estádio mais próximo de cumprir as exigências da Fifa quando o Brasil foi confirmado como sede do Mundial, em 2007. Desde então, porém, as reviravoltas no projeto de adequação – que foi alterado várias vezes – e a demora no início dos trabalhos atrapalharam o andamento do projeto. Os impasses no financiamento da obra também comprometeram gravemente os trabalhos. Curitiba, que aparece na tabela da Copa do Mundo como palco de quatro partidas, foi uma das sedes do Mundial de 1950 – os jogos aconteceram na Vila Capanema (que, aliás, abrigou o Atlético nos últimos anos, enquanto a Arena da Baixada era transformada num canteiro de obras). Valcke diz que a decisão precisa ser tomada nesta terça porque é preciso informar às seleções participantes qual será seu roteiro no Mundial. O seminário técnico em Florianópolis, que se estende até quinta, serve justamente para que os representantes das 32 seleções detalhem seus planos logísticos durante a competição.

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