Em 10 anos, Estatuto melhorou a qualidade de vida aos idosos, mas eles querem mais

(Amazonianarede – Osny Araújo)

No mês em que se festeja o Dia da Criança, a transcorrer no próximo dia 12, o Brasil também celebra os 10 anos de vigência do Estatuto do Idoso e apesar de faltar ainda muita coisa, a turma da chamada terceira idade garante que a qualidade de vida desse pessoal cheio de experiência melhorou, mas ainda falta muito para chegar ao ideal, de acordo com o que determina a lei, ou seja, o Estatuto do Idoso.

Os idosos reconhecem que as suas vidas ganhou mais qualidade, mas reclamam muito da falta de respeito dos jovens para que a turma que já passou dos sessenta. “Hoje ninguém, mas levanta para dar um lugar aos velhos e isso, no meu tempo, se bem que fazem mais de 60 anos, era uma prática natural”! – diz saudosa a professora aposentada Maria da Penha Conceição.

Para seu José Sampaio, comerciário e aposentado, aos 70 anos se considera um jovem, cheio de disposição e garante que a avançada idade, não lhe tirou a disposição e nem a vontade de viver. “Estou absolutamente inteiro para atividades físicas e culturais, a prova é que participo de corridas e até maratonas e olha que às vezes chego ao final das provas mais inteiro que muitos jovens – brinca o aposentado”.

Aos 68 anos a economista aposentada a economista Gilvana Paes para não perder a forma e nem se entregar ao sedentarismo, afirma que se exercita em academia e procura ler muito, e sorri quando afirma que ainda não tem um completo domínio sobre a internet. Ela aproveita a oportunidade e critica os jovens que preferem um tal de facebook do que conversar numa roda de amigos. Eles ainda não entenderam que o real é bem mais agradável e saudável que o virtual. O que fazer, se o mundo hoje é cibernético?”– Indaga”.

Seu José Antonio, aos 73, aposentado do extinto Departamento de Estradas e Rodagens do Amazonas (Deram), garante que se sente muito bem e ainda fora a do ano que vem, ainda espera poder passar por mais duas Copas do Mundo.

Ele garante que todo o sábado vai à feira da Manaus Moderna, domingo aprecia alguns copos de cerveja, sem exageros e depois vai para a TV torcer pelo Corinthians. O que ele não aceita é o tratamento que os idosos recebem dos mais novos, principalmente a falta de respeito. “No meu tempo de jovem, se respeitava os mais velhos”. Hoje esse comportamento não existe mais e para muitos deles, os velhos são pessoas que “já eram”, como se fossemos lixo e não tivéssemos ajuda a construir o Brasil que hoje eles “curtem” – garante.

Melhorou, mas ainda falta

Para a enfermeira aposentada Ana Carolina Gomes (71), o Estatuto do Idoso que completa neste mês dez anos, “melhorou sim a vida dos idosos e nos ficou melhor, hoje temos mais qualidade, mas ainda faltam muitas coisas e a mais importante de todas que os nossos governantes cumpra o que determina o nosso Estado. Na verdade, os Poderes publico, fazem muito alarde e festas, mas na prática as coisas deixam de ser feitas e com isso, a Lei não está sendo cumprida à risca” – protesta.

Aos 65 anos, seu Flori Rebouças, também aposentado do comércio, afirma que sua vida está boa e que teve muitas melhoras nos últimos dez anos com o Estatuto do idoso, mas precisa melhorar.

Ele diz que faltam mais médicos para atender aos idosos e que a lei seja cumprida, como o espaço destinado aos estacionamentos dos idosos, as prioridades e mais espaços para os antigos, como por exemplo, a “Fundação Dr. Thomaz, um belo local que oferece um tratamento vip aos idosos, com ginásticas, esportes, do dominó ao vôlei, shows musicais com a velha guarda e outros atrativos. Uma bela, além do Centro de Convivência no bairro de parecida, onde tanto a Prefeitura como o Governo do Estado, oferecem amplas condições para uma boa e salutar convivência da “velharada” que curte ainda com muita intensidade as belezas da vida e com muitas experiências, que bem poderiam ser mais aproveitadas pelos jovens que hoje são novos, mas no futuro eles serão nós, os idosos” – afirma o seu Flori.

Para o professor aposentado Josinaldo Ferreira Brito, com 73 anos, segundo ele, bem vividos s, o Estatuto do idoso ofereceu mais qualidade de vida aos antigos, como passagem de gratuita em coletivos, locais para estacionamento, prioridades em bancos e supermercados, mas ainda existem muitas discriminações, como por exemplo, os Planos de Saúde, que além de muito caros, se recusam a aceitar pessoas com mais de 6º anos. “Isso é discriminação, um desrespeito a Lei, ao ser humano e por isso mesmo um crime que deve ser punido com rigor” – garante.

Seu Josafá Teles, garante que nos últimos dez anos, após a vigência do Estatuto, a vida do idoso ganhou um pouco mais de qualidade de vida e enumera alguns benefícios que os idosos usufruem, evitando gastos consideráveis para essa turma que é letalmente aposentada e não está mais no mercado de trabalho, não por indisposição, e sim por discriminação, ou seja, porque é idoso.

Mau exemplo

Para a enfermeira Maria de Nazaré Ribeiro, 63, ela diz que gostou da transformação que a vida dos idosos sofreu com o Estatuto, mas reclama muito das discriminações e da falta de respeito da juventude para com o pessoal da velha guarda.

“Muitos jovens nos levam na gozação e nem de longe passa pelas deles, que poderiam tirar muitos ensinamentos conosco, hoje idoso, mas que já fomos recém-nascidas, crianças, adolescentes, jovens e hoje somos idosos, graças Deus, mas ainda assim somos jogados de escanteio” – desabafa.

José Aprígio, o velho estivados aposentado, natural do Maranhão e radicado há mais de 30 anos no Amazonas, também critica o comportamento em relação aos idosos e diz que a culpa também é dos veículos de comunicação, especialmente da televisão que ensinam muito o que não presta aos jovens e cita como exemplo a novela global da tarde, “Malhação”, que segundo ele, só serve para dar péssimo exemplo. Uma pena.

Para fechar esta matéria, ouvimos o aposentado Antonio Herculano, 72 anos, que lamenta a violência dos dias atuais e lembra com saudade da sua juventude. Foi um período áureo. Recordo as festas dos tradicionais clubes, das manhãs de sol de Luso, Nacional, São Raimundo, Cliper e outros, além dos gritos de carnaval e de como a cidade eram pacata, sem assaltos, assassinatos, engarrafamentos no trânsito e drogas. “A minha juventude foi maravilhosa e graças a Deus naquele tempo não se via em Manaus essa proliferação de drogas como se vê hoje em Manaus, no Brasil e no Mundo”. “Naquele tempo, nós idosos, tivemos uma juventude fraterna, solidária e sem violência, o que infelizmente hoje não existe mais” – finalizou.

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