Duas etnias indígenas lutam por território no Vale do Javarí

O ponto vermelho no mapa, mostra o local do conflito

 

O ponto vermelho no mapa, mostra o local do conflito
O ponto vermelho no mapa, mostra o local do conflito

Amazonas – Indígenas de duas etnias estão em pré de guerra no Vale do Javari, Amazonas, para conquistar a posse di território, É no interior dessa  da terra indígena, a sudoeste do Amazonas que índios das etnias Korubo e Matis têm protagonizado cenas de disputas por terras, mortes e muita tensão.

A luta por território é apontada por estudiosos como a principal causa de confrontos. Há quase duas semanas, um grupo ocupa a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) para pedir segurança.

O antropólogo Neon Solimões, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), afirma que há divergências culturais entre os próprios índios e que a falta de conhecimento sobre as leis dos indígenas pode ter agravado a situação na região.

São 8.544.482 hectares que envolvem quatro municípios, municípios de Atalaia do Norte, Benjamim Constant, Juta[o e São Paulo de Olivença. No espaço homologado pela União em 2001, vivem povos de seis etnias, que se tem notícia. Contudo, a relação principalmente entre indivíduos  Matis e Korubo não é das mais amigáveis.

As diferenças entre as duas etnias vieram a tona na terça-feira (19), quando um grupo de Matis – indígenas já contatados – invadiu o prédio da Funai, no município de Atalaia do Norte, a 1139 km de Manaus. Com arcos e flechas, eles retiraram à força funcionários e o coordenador do órgão na região, Bruno Pereira.

O grupo, que permanece acampado na Funai, pede por mais segurança nas aldeias Matis. Eles temem novos conflitos com grupos isolados de Korubos.

Em novembro 2014, dois Matis morreram durante contato com Korubos isolados, no rio Coari, na aldeia matis Todowak. Em resposta, 15 indígenas da etnia Korubo teriam sido assassinados em outro encontro, em setembro de 2015. A Funai afirma que ainda investiga o caso.

Explicação

Para o antropólogo Neon Solimões, o conflito entre os dois povos pode ser explicado em duas palavras: disputa territorial. “Essa perspectiva de território para a questão indígena tem o significado diferente do nosso. Conheço a área, os Matis dizem que a terra é só deles. Em contrapartida, esta é uma área que anteriormente era dos Korubos. Eles já andavam naquela área, por isto este conflito. Quando um entra na casa do outro, o outro não aceita e vai matar. É basicamente isso”, explicou.

O antropólogo informou que o povo Matis foi contatado na década de 80 e, possui três aldeias, duas no rio Branco e uma no rio Coari. Já os Korubos – conhecidos como caceteiros – são isolados e pouco se conhece deles. “A Funai tem fotos de helicóptero ou satélite. São várias malocas, é um povo bastante populoso (os Korubos), mas muito dividido em vários pontos da terra indígena nesta área”, apontou.

Solimões explicou que ao longo da história de ocupação e exploração do Amazonas, o povo Korubo sofreu inúmeras baixas. “Os Korubos já tiveram vários massacres na época da borracha. Foram quase exterminados por conta do extrativismo. Hoje não só o índio, mas o branco invade as terras deles”, afirmou.

Diálogo

“A Funai acredita no diálogo como meio de encontrar soluções pacíficas para a questão. Nesse sentido, em dezembro de 2015, o presidente João Pedro, o diretor de Proteção Territorial da Funai, Walter Coutinho Júnior, e o Coordenador Geral de Índios Isolados e Recém Contados, Carlos Travassos, estiveram reunidos com um grupo de lideranças Matis, em Brasília, que participaram da 1ª Conferência Nacional de Política Indigenista.

Na ocasião, todos os presentes reconheceram a importância de dialogar para se chegar a um entendimento sobre a situação na região. Foi acertado, atendendo a um pedido dos Matis e outros povos do Vale do Javari, uma agenda do presidente e demais representantes da Funai na região, prevista para acontecer em fevereiro próximo, a fim de se estabelecer ações prioritárias, concluir as conversações iniciadas em Brasília e definir encaminhamentos a serem adotados”, disse por meio de nota.

Amazonianarede-G1AM

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