Dom Luiz: “Um homem de Deus e do Amazonas”

Amazonianarede – Osny Araújo

O arcebispo metropolitano de Manaus Dom Luiz Soares Vieira, um paulista já com jeitão amazonense, que passará o cajado do arcebispado da capital para o seu sucessor Dom Sergio Eduardo Castriani, no próximo sábado no início da noite, em solenidade programada para a Catedral Metropolitana.

Dom Castriani, chega para assumir a Arquidiocese de Manaus procedente do interior do Amazonas, uma vez que comandava a diocese daquele município e a a partir de sábado, terá a responsabilidade e a milho pastoral e social no Amazonas e poderá dar continuidade ou não nesse trabalho, que ao longo dos anos foi aplaudido e apreciado pelos manauras dos mais diferentes credos., especialmente com a preocupação do arcebispo que deixa o cargo para com os mais necessitados e os jovens que sempre receberam do religioso um carinho especial, colocando sempre em primeiro lugar a evangelização, seguindo as preocupações das questões sociais e esse trabalho foi desenvolvido com humildade, sabedoria e muita competência.

Numa conversa quase informal com a reportagem do Portal Amazonianarede, D. Luiz que chegou a Manaus há 21 anos para substituir no arcebispado a Dom Clóvis Frainer, filho de uma família com fortes raízes católicas, frisou que desde bem menino sempre desejou ser padre, o que viria a se concretizar mais tarde, mas ainda muito jovem, tanto que precisou de uma autorização do Papa para poder exercer o sacerdócio, considerando que foi ordenado padre aos 22 anos e só aos 24 poderia exercer o sacerdócio sem a autorização papal.

Nascido no dia 2 de maio de 1937, na cidade de Conchas, interior de São Paulo, Luiz Soares Vieira, o filho caçula do casal Luiz Carlos Vieira e Judith Soares Vieira, escreveria a sua grande história na vida religiosa no comando da Arquidiocese de Manaus, onde realizou uma administração marcada pela evangelização, pela caridade e com um grande legado social, fatos que marcaram a sua passagem pelo comando da Igreja católica na capital amazonense.

No interior paulista, a família toda freqüentava assiduamente a Igreja e Luiz com os irmãos, a partir dos cinco anos começou a participar ativamente das atividades litúrgicas e passou a ajudar as missas, na função de coroinha e aí, o gosto pela vida sacerdotal só aumentou no menino Luiz.

EMOÇÃO
O religioso se lembra com muita saudade e emoção do tempo de criança no interior paulista e recorda muito bem dos seus professores, padres que o ajudaram muito na sua formação e na solidificação da sua vocação sacerdotal e após concluir o chamado curso primário aos 10 anos, foi encaminhado para o Seminário Diocesano, em outra cidade, em Botucatu, onde concluiu os chamados cursos ginasial e clássico, onde aprendeu a dominar algumas línguas antigas como o Latim e o Grego e daí para ingressar na Faculdade de Filosofia – lembra, foi apenas um pequeno passo.

Já formado em Teologia, ainda muito jovem, o próximo passo do sacerdote foi com destino a Roma, onde ingressou no colégio para seminaristas brasileiros onde passou cerca de quatro anos e foi ordenado padre, mas com pouca idade, repetiu que precisou de uma autorização do Papa, o que foi conseguida para poder exercer o sacerdócio antes da idade permitida, que é de 24 anos e com isso, aos 22 anos tornou-se padre de fato e de direito, e passou também a realizar celebrações, o seu grande sonho de menino.

Luiz teve a sua ordenação episcopal na cidade de Apucarana, no Paraná em 1984 e após passar uma temporada em Macapá, foi nomeado bispo para Manaus no dia 19 de janeiro de 1982 e foi nomeado arcebispo no dia 13 de novembro de 1991 e no dia 12 de dezembro empossado, em atendimento ao que determina a Lei Canônica, pediu a sua aposentadoria que foi aceita pelo Papa Bento XVI.

Figura humana carismática, de fala mansa e pausada, D. Luiz Soares Vieira, um intelectual com cinco livros publicados e um grande número de artigos publicados em jornais e revistas, se diz agradecido por ter comandado durante mais de duas décadas a Igreja Católica do Amazonas, onde encontrou um povo alegre , acolhedor e ordeiro e sentiu-se perfeitamente a vontade para a realização do seu trabalho pastoral.

O padre Luiz Vieira, exerceu essa função sacerdotal em São Paulo, onde verdadeiramente começou o seu trabalho evangelizador, foi atuar em seguida numa paróquia rural do interior do Paraná e em seguida resolveu fazer uma viagem ao redor do mundo para colocar a cabeça em ordem e ver realmente como gostaria de realizar o seu trabalho evangelizador, de conformidade com as leis da Igreja e a vontade de Deus.

“Nessa viagem pelo mundo, andei um bocado – conta – passei pelos Estados Unidos, China, Japão, Indonésia, Malásia, Austrália, Nova Zelândia e Chile.

Ao retornar ao Brasil, o então jovem padre Luiz, foi trabalhar na paróquia de Apucarana, interior de São Paulo e ainda chegou a dirigir, segundo ele, por absolta necessidade dirigiu as Faculdades sobre a responsabilidade da Diocese.

O BISPO

A vida do padre Luiz continuava com muitos afazeres e responsabilidades com as coisas da Igreja católica, até que em junho de 1984, o padre Luiz Soares Vieira foi nomeado bispo de Macapá, no norte do Brasil, ou melhor na Amazônia em 1991 foi nomeado pelo Papa João Paulo II como bispo da capital amazonense, tomando posse em Janeiro de 1992, onde permanecerá até o dia 23, quando passará o cargo para o seu sucessor Dom Sergio Castriani.

Mesmo com a idade avançada, D. Luiz garante que ainda tem forças e vontade para trabalhar, mas em função da Lei Canônica da Igreja, a aposentadoria vem obrigatoriamente quando o sacerdote, no caso o bispo, completa 75 anos de vida e escreve uma carta ao Papa, conforme determina a Lei colocando o cargo a disposição, o que segundo ele, tudo ocorreu com absoluta tranqüilidade.

“Procuro cumprir ao pé da letra todos os processos ditados pela Lei Canônica. Se ao completar 75 anos era para entregar o cargo assim procedi em cumprimento a Lei da Igreja, e estou passando o cargo para o meu antecessor, que com a Graça de Deus realizará um grande trabalho aqui no Amazonas dirigindo a comunidade católica de um estado grandioso e de um bom alegre, ordeiro e hospitaleiro, onde tiver um grande uma grande alegria de ficar serviço a Deus e ao povo deste grande estado que é o Amazonas. O Amazonas é um estado que tem uma fé muito fervorosa” – disse.

Ainda falando a respeito do trabalho desenvolvido na Arquidiocese de Manaus, Dom Luiz, um pastor querido pelos amazonenses frisou que “foram 21 anos caminhando com o povo de Manaus e desta região da Amazônia, tempo que marcou a minha vida de cristão, de padre e de bispo. Nesse tempo – frisou – aprendi muito mais do que ensinei e tive um grande prazer de trabalhar nesta terra abençoada. Procurei durante todo esse tempo mostrar o rosto de Deus revelado por Jesus, um Deus que é amor e que deve ser amado no amor aos homens e mulheres. Um amor puro, sem interesses pessoas. Aquele amor que nasce da pureza do coração e espero que muito tenham se encantado com o nosso Deus” – afirmou.

FORTES RECORDAÇÕES

A última grande celebração de Dom Luiz Soares Vieira, em Manaus, ocorreu no último dia 17, com a missa da despedida que teve a participação de milhares de fies no Stúdio 5, fato que deixou o sacerdote feliz pelo carinho que recebeu dos fies e pela admiração que todos demonstraram ter por ele, que nada mas fez, como sempre afirma, do que realizar o trabalho de evangelização e de pregação da palavra de Deus.

Mesmo querendo transparecer, o arcebispo, agora com o título de Arcebispo Emérito de Manaus, controlou aparentemente a emoção e durante a longa homilia naquela missa de despedida, relembrou alguns pontos importantes ocorrido no seu apostolado de 21 anos na Arquidiocese de Manaus e que não foram poucos.

Lembrou, por exemplo, da ordenação sacerdotal de novos padres, em ato litúrgico ocorrido na Catedral Metropolitana de Manaus, das crismas, batizados, das concorridas celebrações de Pentecostes, com grande participação popular, das grandes procissões das quais participou na capital e no interior do Estado, com especial destaque para as procissões em honra a Nossa Senhora da Conceição padroeira do Amazonas e lembrou o fato que os fies sempre o acompanharam nessas jornadas cristãs, debaixo de sol ou com o sol a pique. “ O povo sempre estava presente e é essa fé deste povo que sempre me impressionou” – disse o pastor de Cristo.

Como tudo na vida terreno, existe os dois lados e nem todos momentos foram de intensa felicidade de Dom Luiz durante o seu comando no comando da Igreja católica do Amazonas, considerando que na sua condição de ser humano, também ocorreram momentos tristes e que também foram lembrados por ele na homilia.

Falou com muito pesar da tristeza que enfrentou com a morte do bispo auxiliar de Manaus Dom Jacson Damasceno e o assassinato do padre Roggéro Ruvonetto, em Santa Etelvina, mas segundo ele, os momentos felizes e marcantes da sua vida sacerdotal foram infinitamente superiores aos tristes.

Dom Luiz, se prepara para uma viagem demorada, talvez para visitar alguns estados nordestinos e não sabe precisar quando voltará a Manaus, mas garantiu que essa viagem não será um adeus e como dizem os jovens, vai dar um tempo e voltará para a terra que o recebeu com muito carinho, o despede com imensa saúde e certamente é muito amada por ele, por isso, essa viagem não será um adeus e sim um tchau.

“HOMEM DE DEUS”

Para a secretaria da Cúria Metropolitana, Guadalupe Peres, Dom Luiz “ é realmente um homem abençoado e de Deus, daí a explicação de esbanjar amor, carinho e compreensão.Na verdade, ele parece um “ que sempre tem na ponta língua um que paizão” para as pessoas que o cercam. É um ser humano fantástico que sempre tem na ponta da língua uma palavra de conforto nas horas difíceis e um bom conselho a oferecer e um carinho especial com os jovens e os mais necessitados” – afirmou.

A reportagem forçou um pouco a barra com a secretária e conseguimos colher algumas informações interessantes sobre o ser humano que é Dom Luiz Soares Pereira, fora das suas atividades e deveres religiosos e uma das suas maiores qualidades, segundo Guadalupe, é ser amigo dos seus amigos.

Contou que Dom Luiz, nas poucas horas de folga é um ser humano paciente, compreensivo, brincalhão e até mesmo conversador com aquela voz mansa e pausada e suave e nesses momentos, “agente sempre aprende muito conversando com ele, alias, procuramos sempre ser mais ouvidos nesses momentos. O sorriso amigo, é uma constante no arcebispo”.

AMAZONENSE POR OPÇÃO

Ainda conversando com a secretaria Guadalupe Peres, descobrimos que o arcebispo, é um homem que apesar da cidade é bem disposto, acorda muito cedo e diariamente, quando a meteorologia permite, saí para uma caminhada pelos quarteirões das Avenidas Joaquim Nabuco e Getúlio Vargas.

Dom Luiz foi sem duvida alguma um dos chefes da Igreja católica no Amazonas mais carismático que se tem história, por isso, deixará muitas saudades, boas recordações e grandes ensinamentos.

Considerando Dom Luiz um ser humano iluminado, Guadalupe Peres, diz ter a consciência de que mesmo feliz com as homenagens que tem recebido, demonstra certa tristeza, o de se ausentar da cidade de Manaus e de seu povo que ele tanto ama e certamente é amado. “Ele não fala nada, mas nós que convivemos a algum tempo com, temos a certeza de que está meio triste, mas Deus certamente irá conforta-lo dessa separação que espero ser momentânea” – afirma.

Essa tristeza pode ser sentida, quando o sacerdote, afirma para amigos, que apesar de ser paulista, ter nascido numa cidade do interior de São Paulo, Manaus é a sua terra por opção e ele sai daqui para passar alguns meses fora e a torcida dos amigos e fies é que ele retorne algum dia.

A respeito desse retorno, d. Guadalupe não sabe muito o que dizer. “Estou numa grande expectativa, mas tomada que ele volte logo. Primeiro ele disse que iria para o Nordeste passar mais ou menos um ano, depois baixou esse tempo para seis meses, mas como ele está muito tempo longe da família demore um pouco mais ou quem sabe na volte, mas esperamos que sim” – disse a fiel secretária da Cúria.

Voltando a falar no cidadão Luiz Soares Vieira, a secretária voltou a entregar o jogo e contou algumas particularidades da vida do Pastor. Segundo ela, quando ele não está tralhando em ofícios religiosos ou não está ab sorvido pela leitura, gosta de conversar, contar piadas e ouvir muito as pessoas. “Ele é uma pessoa fantástica em todos os sentidos” – garante.

COLÔNIA ANTÔNIO ALEIXO

Falando ainda um pouco das particularidades de Luiz Soares Vieira, d. Guadalupe afirmou que ele em qualquer momento sempre é uma pessoa muita tranquila e que gosta de fazer e manter as amizades. “Ele tem uma particularidade muito interessante, ele não esquece os nomes dos amigos, mesmo que não estejam sempre em contato.

Ele tem uma memória privilegiada e é uma pessoa onde sempre a caridade e a solidariedade falam mais alto na sua vida a prova isso, é que ele tem uma verdadeira paixão pela Colônia Antonio Aleixo, onde residem vários ex-hansenianos. Todos os anos ele tira um dia para passar com eles, normalmente próximo do Natal. Leva presentes, lembranças e almoço por lá, onde diz ter muitos amigos” – conta.

Para finalizar, d. Guadalupe, garante que o sacerdote, tem suas preferências na culinária e jura por toros os santos que ele prefere o peixe a carne. “Ele gosta muito de peixe, um dos seus pratos prediletos”.

Pegamos um pouco de corda e arriscamos a pergunta, com base no chavão de quem “que come jaraqui não sai mais daqui” e a resposta veio imediato. “Já comeu o jaraqui sim, (risos), gosta, mas o peixe de sua preferência é o tambaqui, ainda mais se for assado de brasa, acompanhado de vinagrete” – finalizou.

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