Começa em Manaus campanha para combater dengue

Amazonianarede – Semsa

A Prefeitura de Manaus iniciou nesta segunda-feira (28) a intensificação das ações de prevenção e controle da dengue na capital. Reunidas na Operação Impacto, as medidas serão realizadas até o final de março, com o objetivo principal de controlar a proliferação do Aedes aegypti e reduzir a transmissão da doença. O período de dezembro a março é considerado, no Amazonas, o de maior risco para a ocorrência de epidemias de dengue. Na Operação, serão mobilizadas diretamente mais de 400 técnicos e os investimentos serão de aproximadamente R$ 2 milhões.

O lançamento da Operação Impacto aconteceu no auditório da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e contou com a participação do secretário de Saúde do Amazonas, Wilson Alecrim, do presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Bernardino Albuquerque, do presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Manaus, vereador Marcelo Serafim, e de representantes do Corpo de Bombeiros e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

De acordo com o secretário Municipal de Saúde, Evandro Melo, as ações da primeira Operação Impacto de 2013 foram definidas a partir do Mapa de Vulnerabilidade da Dengue em Manaus, elaborado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS).

O Mapa foi criado a partir da soma de dois indicadores: o índice de infestação do mosquito transmissor nos 66 estratos espaciais da capital e a série histórica de epidemias. Também foram considerados outros fatores, como o número atual de casos registrados nos diversos bairros da cidade. “A partir deste diagnóstico, definimos o tipo de ação, os locais prioritários, a frequência e a intensidade de cada medida”, explicou.

O mais recente Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), realizado entre os dias 7 e 17 de janeiro, apontou que Manaus tem médio risco para a transmissão de dengue, com índice de infestação predial (presença de larvas ou criadouros em imóveis e terrenos selecionados) de 3,7%. A zona Leste é a que apresenta maior risco de transmissão com índice de 7,3%.

Nas zonas Norte, Sul e Oeste o LIRAa apontou médio risco para a dengue, com índices de 2,1%, 2,6% e 3%, respectivamente. Segundo o Ministério da Saúde, as localidades com baixo risco são as que apresentam infestação menor que 1. As de médio risco são as que têm índice maior que 1 e menor que 4. E as de alto risco, as que têm índice de infestação superior a 4.

No total, 26 bairros da capital apresentam alto risco de transmissão de dengue, sendo que 14 deles estão na zona Leste, seis na zona Oeste, três na zona Norte e três na zona Sul. Outros 30 bairros apresentam médio risco para a dengue. “Estes são os alvos prioritários das ações de controle, incluindo redução de criadouros e a densidade de mosquitos, e a identificação e adequado tratamento dos doentes”, definiu Evandro Melo.

O LIRAa realizado em janeiro também identificou que larvas e criadouros do Aedes aegypti foram encontrados predominantemente em recipientes para armazenamento de água, classificados com a sigla A2, como tonéis, tambores, barris, tinas, filtros, moringas e potes, e em depósitos D2, que incluem lixo (recipientes plásticos, garrafas e latas), sucatas acumuladas em pátios e ferros-velhos, e entulhos de construção.

Casos

Em relação à doença, neste ano já foram registrados 663 casos de dengue. Os números são considerados elevados, embora ainda não tenham superado os do ano passado, quando ocorreram 798 casos no mesmo período. Do total de notificações, 37% foram feitas na zona Leste e 26% na zona Sul.

Os dez bairros que tiveram o maior número de pessoas diagnosticadas com dengue, desde o início do ano, foram o Jorge Teixeira, Cidade Nova, Alvorada, São José, Cidade de Deus, Armando Mendes, Petrópolis, Flores, Aleixo e Tancredo Neves.

Evandro Melo destaca que a Operação Impacto 2013 vai ampliar a parceria entre órgãos públicos e privados. “Os fatores que determinam ou facilitam a transmissão da dengue estão fora do setor Saúde e precisamos trabalhar com o conceito de integralidade e intersetorialidade”.

Por isso, participarão das ações, das pesquisas e do monitoramento, além da Secretaria Municipal de Saúde, a Secretaria de Estado da Saúde (Susam), as secretarias municipais e estaduais de Educação (Semed e Seduc), as secretarias municipais de Limpeza Pública (Semulsp), Infraestrutura (Seminf) e Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), as Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica), o Corpo de Bombeiros, Ministério Público, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e outras organizações da área do comércio, indústria e construção civil.

Até março, de acordo com as metas da Operação, os estratos (bairros e subdivisões de bairros) de alto risco em Manaus deverão ser reduzidos em 30%, a notificação de casos suspeitos de dengue deverá ser de 100% e a taxa de letalidade por formas graves de dengue deverão ser mantidas abaixo de 2%.

No período deverão ser feitas visitas a 264 mil imóveis, além de escolas, órgãos públicos, pontos estratégicos, como cemitérios e ferros-velhos, e obras de construção civil, a fim de verificar a existência de criadouros do mosquito da dengue e orientar os responsáveis a adotar medidas preventivas. A fiscalização será mais rigorosa, com a aplicação de multa, quando necessário. Também será instituído o Comitê para Vigilância de Controle de Malária e Dengue e o Comitê de Investigação de Casos Graves e Óbitos por Dengue.

Na área da assistência, a Prefeitura também vai realizar novas capacitações para implantar a classificação de risco em pacientes com suspeita de dengue ampliar a capacidade de atendimento aos usuários para o diagnóstico e acompanhamento. “O importante é que todos os profissionais de saúde, principalmente na Atenção Básica, estejam preparados para atender o paciente com eficácia. Além disso, a Semsa pretende reforçar a importância da notificação dos casos de dengue, o que é necessário para orientar as ações de controle do mosquito com visitas aos imóveis e educação em saúde para a população”, destacou Evandro Melo.

De acordo com o secretário, a Prefeitura de Manaus também pretende firmar parceria com as prefeituras do entorno, para que o controle da dengue seja feito em todos eles de forma simultânea. “Estamos considerando a mobilidade das pessoas e a segurança abrangente”, diz Evandro Melo.

O secretário explica, ainda, que a Operação Impacto será desencadeada todas as vezes em que houver o risco de aumento de casos de dengue na capital. A situação será avaliada a cada três meses, com a composição de novos mapas de vulnerabilidade. “A meta é que nos próximos anos possamos passar pelo período sazonal da dengue, que vai de dezembro a março, com baixo ou nenhum risco de transmissão”.

Risco de Transmissão por zona, de acordo com o LIRAa Manaus

Médio Risco: Zona Leste
Alto Risco: Zona Sul, Oeste e Norte
Bairros prioritários para a Operação (maior risco de transmissão)
Alto Risco: 26 bairros
Médio risco: 30 bairros
Bairros com maior número de casos notificados: Jorge Teixeira, Cidade Nova, Alvorada, São José, Cidade de Deus, Armando Mendes, Petrópolis, Flores, Aleixo e Tancredo Neves
Parceiros da Semsa
Secretaria de Estado da Saúde (Susam), secretarias municipais e estaduais de Educação (Semed e Seduc), secretarias municipais de Limpeza Pública (Semulsp), Infraestrutura (Seminf) e Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica), Ministério Público, Corpo de Bombeiros, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), organizações da área do comércio, indústria e construção civil.

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