Artefatos arqueológicos coletados na AM-070 são apresentados em Mostra Itinerante

Artefatos arqueológicos, datados de períodos pré-cerâmicos até pós-colonização do Brasil, encontrados ao longo da rodovia Manoel Urbano (AM-070) estão expostos em uma Mostra Itinerante de Arqueologia no Café Priscila, no quilômetro 13 da estrada.

A mostra reúne material recolhido e catalogado por uma equipe de arqueólogos que realiza minucioso trabalho nas áreas de intervenção previstas na AM-070, que liga Manaus a Manacapuru e cujas obras de duplicação já foram iniciadas pelo Governo do Amazonas, com o acompanhamento da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra).

A mostra, organizada pela professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e arqueóloga, Maria Arminda Mendonça, também responsável pela equipe de arqueólogos que realiza a coleta e catalogação do material, teve início no dia 29 de junho e segue no local até o próximo dia 13 de julho. Após esse período, a exposição, organizada em cinco módulos, vai passar por 11 escolas estaduais e municipais que estão na área de influência da AM-070, além de feiras da região.

De acordo com Arminda Mendonça, a ideia da mostra é informar a população sobre a importância desses achados para a história do Estado do Amazonas. “A arqueologia tem ficado muito sacralizada e a arqueologia não é isso. É preciso ir para a rua junto da população. Precisamos informar e sensibilizar a população sobre o quanto esses fragmentos são importantes”.

Entre o material exposto destaca-se um pequeno bule de louça de 1925 que, de acordo com a professora, foi encontrado no sítio arqueológico Waldebrando, onde, conforme relato de moradores mais antigos, teria funcionado um engenho de cana de açúcar, atividade até então incomum na região Norte do Brasil.

Para a arqueóloga, o achado pode representar uma importante mudança na história do Amazonas, que até hoje teve como principal atividade econômica a extração do látex da seringueira, durante o Ciclo da Borracha, entre o final do século 19 e as duas primeiras décadas do século 20.

“Esse achado, se de fato se tratar de um engenho de cana de açúcar, reforça a importância que os nordestinos tiveram na formação da identidade do nosso Estado, que até então sabemos ter tido a cultura da exploração da borracha”, disse Arminda, que aponta a necessidade da prefeitura do município de Iranduba, onde o sítio foi encontrado, preservar o local.

Outro material apresentado na mostra é uma pedra de mão, ou almofariz, uma espécie de pilão, usado para moer sementes e outros alimentos. De acordo com Arminda Mendonça, esse material foi encontrado no sítio arqueológico do Areal, o mais antigo da região, com artefatos do período pré-cerâmico, o que demonstraria que a região amazônica já era habitada em séculos antes de Cristo.

Prata da casa – A professora Arminda Mendonça destacou a exigência, feita pelo governador Omar Aziz, para que todos os profissionais envolvidos nesse processo fossem amazonenses e atuassem dentro do Estado. Segundo ela, esse tipo de mentalidade é essencial para que a história do Estado seja preservada. “O governador Omar foi de um pioneirismo enorme ao determinar que apenas pessoas da terra trabalhassem nesse processo”.

Ela lembrou que o Estado possui um laboratório de arqueologia onde esse tipo de material pode ser recuperado e ressaltou que na equipe, composta por aproximadamente 30 profissionais, então ex-alunos do curso de arqueologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Resolução – Conforme determina Resolução 001 de 1986 do Conselho Nacional de Meio Ambiente, é necessário que junto ao estudo de impacto ambiental, seja realizado um estudo de impacto arqueológico antes do início da obra. Nesse processo, foram identificados, nos primeiros 45 km da rodovia, seis sítios arqueológicos no perímetro de duplicação da via, de onde foram coletados os fragmentos que estão sendo expostos.

Segundo Arminda, esse material foi encontrado na superfície dos terrenos. Ela aguarda, agora, autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Ipham) para a coleta de fragmentos que estejam em localizados mais profundamente no solo. Só após esse trabalho é que as obras nesses trechos poderão prosseguir.

A arqueóloga destaca que o trabalho feito pela equipe de arqueologia não pretende atrapalhar o andamento das obras. “O que a arqueologia quer é preservar. Manter para as gerações futuras informações sobre diferentes ocupações que ocorreram no Estado”, frisou.

(Agecom) 

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