Agricultores terão acesso a cupuaçuzeiro mais produtivo e resistente à vassoura-de-bruxa

30-05cupuPresidente Figueiredo, AM – Resistência à doença vassoura-de-bruxa, produtividade até cinco vezes maior do que a média regional e qualidade dos frutos – estas são as principais características das cinco novas cultivares de cupuaçuzeiro que vão estar acessíveis aos agricultores a partir deste ano. Os estudos que resultaram na seleção da BRS 297, BRS 298, BRS 299, BRS 311 e BRS 312 como plantas superiores foram desenvolvidos por meio do programa de melhoramento genético do cupuaçuzeiro da Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus/AM). A alta produtividade das cultivares vai ser um fator decisivo para aumentar a competitividade do cupuaçu, aliando redução dos custos de produção e geração de emprego e renda, devido à quantidade maior e regularidade da produção.

Mas não é só isso. As cultivares também apresentam resistência acima de 85% à principal doença do cupuaçuzeiro, a vassoura-de-bruxa, causada pelo fungo Moniliophthora perniciosa, cuja alta incidência na região amazônica é responsável por danos e até perdas de safra. Conforme a pesquisadora da Embrapa Amazônia Ocidental, Aparecida Claret, as cultivares chegam a produzir entre sete e 10 mil frutos por hectare, considerando a densidade de 235 plantas/ha. Enquanto isso, a média no Amazonas, conforme dados do IBGE de 2013, é de dois mil frutos/ha.

Apesar da variação de produtividade que existe entre as cultivares, não é recomendado plantar apenas a mais produtiva, sendo o ideal cultivar os cinco clones. A estratégia visa facilitar a polinização cruzada entre as plantas, manter a diversidade genética do pomar e dificultar a quebra de resistência à doença vassoura-de-bruxa. “O aumento da produtividade dos plantios poderá ser significativo à medida que os clones forem incorporados ao sistema de produção de cupuaçu”, completou a pesquisadora.

As cultivares, avaliadas pela Embrapa nas condições do Amazonas, realmente chegam em boa hora. Se por um lado o fruto está valorizado no mercado, por outro, alguns agricultores se viam desestimulados a plantar o cupuaçuzeiro, devido à baixa produtividade que alcançavam. Esta baixa produtividade encontra explicação em alguns fatores importantes, como a formação de plantios com material genético não selecionado e o manejo inadequado, principalmente quando o assunto é pragas e doenças. Apesar da poda fitossanitária – que consiste na remoção da vassoura das plantas – ser uma alternativa para controle da ação do fungo, o método não é economicamente viável nas propriedades onde a produtividade é baixa. Assim, a utilização de materiais resistentes à doença, como as novas cultivares, é a solução mais atrativa, principalmente em termos de lucro ao agricultor.

30-05cupu1Lançamento

O evento de lançamento das novas cultivares de cupuaçuzeiro aconteceu nesta sexta-feira (30) no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), em Presidente Figueiredo. A atividade, que integra a programação da 18ª Festa do Cupuaçu do município, foi promovida pela Embrapa Amazônia Ocidental e conta com apoio da Prefeitura de Presidente Figueiredo, através da Secretaria Municipal de Abastecimento e Desenvolvimento Agrícola, Aquícola e Pesqueira (Semada), Ifam e escritório local do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam). O auditório do Ifam fica na Avenida Onça Pintada, 1.308, bairro Galo da Serra.

Cupuaçuzeiro

Com a disponibilidade de plantas resistentes, produtivas e com frutos de elevado rendimento de polpa e amêndoas,cultivar o cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum), árvore nativa da Amazônia que produz o cupuaçu, se consolida como uma boa alternativa para o agricultor. A valorização no mercado e o aproveitamento total do fruto por diversos segmentos da agroindústria comprovam isso. De sabor agradável, a polpa do cupuaçu é usada para sucos, balas, cremes, sorvetes, licores e iogurtes. As amêndoas, ricas em gorduras e proteínas, têm espaço na indústria de cosméticos e podem ser utilizadas para a produção do cupulate – produto semelhante ao chocolate. A casca também tem utilidade, e pode ser aproveitada para artesanato ou como adubo.

Comercialização

A produção de mudas é por enxertia, podendo ser utilizado o método de enxertia por borbulhia ou por enxertia no topo. O produtor pode adquirir as hastes para formação das mudas das novas cultivares através do Escritório da Amazônia da Embrapa Produtos e Mercados. Os porta-enxertos devem ser formados via propagação por sementes e já têm de estar prontos para receber o material. A previsão é que as hastes passem a ser comercializadas a partir de outubro deste ano.

Texto e Fotos: Felipe Rosa

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