Venezuela: Brasileiros voltam a denunciar maus-tratos

Boa Vista – Maus-tratos, cobrança de propina e humilhação são reclamações constantes de brasileiros que frequentam a Venezuela, a 220 quilômetros de Roraima.

Desta vez, um grupo de turistas brasileiros teria sido impedido de cruzar a fronteira para retornar ao Brasil em razão das eleições, a serem realizadas neste domingo naquele país. De acordo com a denúncia, os que precisam sair do país estão sob coação dos militares da Guarda Nacional Venezuelana, que estaria cobrando propina para deixar os brasileiros passarem.

Os que se recusam a compactuar com a atividade ilícita estariam sofrendo agressões verbais por parte dos militares. Impedidos de voltar e sem dinheiro para permanecer no país, muitos brasileiros estariam em situação delicada no país vizinho.

Um empresário manaura, que preferiu não se identificar, relatou que o grupo estava em caravana formada por cerca de 20 turistas. Após passeio na Ilha de Margarita, o grupo retornou de ônibus e só então foi informado do fechamento da barreira.

Embora as autoridades venezuelanas tenham informado que até as eleições, a fronteira estaria aberta para brasileiros que quisessem ir para o país de origem e vice-versa, ao chegarem ao Serviço Nacional de Administração Aduaneira e Tributária da Venezuela (Seniat), foram impedidos de sair do país.

Ele contou que num primeiro momento, os guardas disseram que até liberariam a comitiva desde que o grupo pagasse propina de 4 mil bolívares fortes, algo em torno de R$ 320 de acordo com a cotação no mercado negro, que ontem estava em 8 bolívares para um real. “O mercado daquela cidade praticamente depende da gente e ainda somos tratados como bandidos. Eu decidi que não volto mais para lá”, disse, ao relatar que só conseguiu sair da cidade após pedir ajuda ao prefeito, que é conhecido dele.

Além do impedimento, os brasileiros relatam ter sofrido uma série de episódios de abuso de autoridade. “Eles reviraram toda nossa bagagem, como se fôssemos bandidos. Danificaram produtos que compramos na viagem, e chegaram ao cúmulo de nos colocarem em uma sala, homens e mulheres separados, e obrigaram que nós ficássemos todos nus para revista”, relatou, extremamente indignado, o empresário que preferiu não se identificar, ao detalhar a revista.

Ele contou que depois disso, os brasileiros foram obrigados a permanecer na cidade fronteiriça de Santa Elena de Uairén. “Tivemos que nos hospedar e percebemos que vários hotéis estavam cheios de brasileiros na mesma situação, passando necessidade por não ter mais dinheiro para permanecer naquele país”, disse.

Moradores da cidade relataram à Folha que além dos turistas, há uma série de veículos comerciais como ônibus, vans e caminhões com carregamento de produtos diversos – principalmente o calcário – que também estariam impedidos de cruzar a fronteira.

CONSULADO – Ao saber das denúncias, o cônsul da Venezuela em Roraima, Efrain Flores, disse que não tinha conhecimento dos fatos, e em seguida, entrou em contato com a Guarda Nacional em Santa Elena de Uairén. “O coronel Quiñones [comandante da Guarda Nacional] me garantiu que os brasileiros estão liberados a retornar. Quem estiver se sentindo lesado deve procurar a sede da Guarda Nacional e alegar isso”, disse.

O governo brasileiro indica que em casos de incidentes no país vizinho, sejam procuradas as autoridades seguintes: Guarda Nacional Venezuelana, pelo telefone (0289) 995-1099 e (0289) 995-1510; o vice-consulado brasileiro em Santa Elena, pelo telefone (0289) 995-1256 ou plantão (0426) 392-1461; o consulado honorário do Brasil em Margarita (0295) 263-5519 ou (0412) 627-9358; o consulado do Brasil em Puerto Ordaz: (0286) 961-2995 e plantão: (0414) 183-6135 e, em Boa Vista, a Secretaria Estadual de Assuntos Internacionais, em Boa Vista: (95) 8803-1289.

Reclamação por abusos é constante

Apesar de a Venezuela ser um país constantemente procurado pelos roraimenses para turismo e compras, as reclamações de maus-tratos por parte de venezuelanos é constante. A agressão aos turistas aconteceu apenas dois dias depois que deputados realizaram uma audiência pública para debater os diversos problemas enfrentados por roraimenses e amazonenses que fazem turismo no país vizinho.

Depois das discussões, a Comissão de Direitos Humanos da ALE-RR informou que os debates gerariam um documento com a união das Assembleias Legislativas de Roraima e do Amazonas para envio ao Ministério das Relações Exteriores, em Brasília.

Fonte – Folha BV – YANA LIMA

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