Técnico da Eletronorte alerta para riscos de “apagões” por inoperância

Amazonianarede – A Gazeta do AC

Rio Branco – O técnico da Eletronorte e dirigente no Sindicato dos Urbanitários, Alberto Fernandes, fez um alerta ontem, em carta enviada À GAZETA, para a possibilidade de o Estado sofrer mais ‘apagões’ no futuro devido à má qualificação e falta de experiência de profissionais da Eletrobras Acre.

De acordo com Fernandes, o sistema de fornecimento de energia elétrica local passará por uma fase instável. Isso porque as subestações controladoras de toda a energia fornecida no Acre passarão por uma troca. Quem sai: profissionais capacitadas da Eletronorte. E quem entra: outros profissionais recém-contratados (treinados por uma equipe que não seria tão qualificada). 

Segundo o técnico da Eletronorte, a situação seria a seguinte: o Acre hoje é ligado pelo Sistema Interligado Nacional (SIN) através da linha de transmissão de 230 KV de Porto Velho/Rio Branco. Esta energia é recebida por uma subestação de 230 KV [que é a Subestação Rio Branco, situada no Km 7 da BR 364). Ela, então, rebaixa esta energia para 2 subestações de 69 KV, que são a do Tangará e a do São Francisco. A Eletronorte, por força de lei, só pode operar subestações de até 230 KV, restando à empresa distribuidora (ou seja, a Eletroacre) o dever de operar as outras.

Fernandes conta que a ‘Eletroacre não tinha mão de obra qualificada para operar estas subestações de 69 KV’. Por isso, fez um acordo para que a Eletronorte continuasse a operá-las de maneira temporária, até a empresa conseguir oferecer mão de obra qualificada para tanto. E é isso que a Eletroacre tem agora, mas que o sindicalista dos urbanitários questiona. Na ‘carta-alerta’, ele escreve que ‘funcionários recém-contratados deverão operar as subestações controladoras de toda a energia’ em substituição aos funcioná-rios da Eletronorte que atuam há anos no sistema. E eles estão sendo treinados por uma equipe do Centro de Operação e Distribuição da Eletroacre, que hoje é composta por empregados terceirizados que não seriam tão qualificados.

“Estamos falando de um único empregado, por turno, responsável pelo funcionamento correto de toda fonte de energia dos municípios interligados de nosso Estado (excetuando-se só o Alto Juruá). O fato é que estes empregados terceirizados que já não são a nata do conhecimento técnico. Sabendo que seu tempo de empregado está com os dias contados… não estão tendo o menor interesse em repassar os conhecimentos necessários aos novatos efetivos”, afirma Fernandes.

Para acentuar o problema, o técnico da Eletronorte diz que a Eletroacre está investindo na automoção das subestações, mas que este processo se dará de forma ‘desassistida’.

Atualmente, a Eletronorte tem 1 operador central lotado em Rio Branco mais mantém 1 operador em cada subestação (2 em RB, 1 em Epitacio-lândia e 1 em Sena) para no caso de um equipamento não obedecer ao comando remoto o operador o faz manualmente, fato este que ocorre rotineiramente. A ser implantado esta ‘revolução administrativa’ em caso de falha em um equipamento alguém deve ser localizado para depois se deslocar a subestação para fazer a manobra. Caso mais grave será o caso dos municípios de Sena, Xapuri, Epitaciolândia e Brasiléia, onde o funcionário terá de se deslocar de Rio Branco”. No Nordeste, ele diz que este modelo já causou horas de blecaute.

No fim de seu texto, o técnico há mais de 30 anos da Eletronorte, faz as seguintes indagações: “se a Eletronorte e Eletroacre hoje é tudo Eletrobras. Qual a justificativa de retirar operadores altamente capacitados com anos de experiência e colocar empregados mal treinados e sem prática para uma atividade altamente complexa e importante para a vida da população?”.

Além do risco de apagões de horas pela Capital e pelo interior do Estado, o sindicalista também alerta para os riscos de explosão (literalmente falando) de uma subestação e que a reposição de equipamentos delas é só mediante encomendas em outros países, já que não há deles em estoque.

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