
Pesquisadores estimam cota entre 13 e 16 metros em Manaus e alertam para impactos do El Niño na cheia de 2027
Manaus – O Rio Negro encerrou agosto de 2026 com 24,19 metros em Manaus, segundo dados da medição do Porto de Manaus. A cota ficou 2,58 metros acima da registrada no mesmo período de 2025 e 4,17 metros acima da marca de 31 de agosto de 2024, ano em que foi registrada a menor cota da série histórica.
O gigante de águas negras é o maior afluente da margem esquerda do Rio Amazonas e passa anualmente por um ciclo marcado por quatro fases: enchente, cheia, vazante e seca. Em geral, o nível começa a subir nos primeiros meses do ano, atinge o pico entre maio e julho e passa a baixar a partir do segundo semestre, caracterizando o período de vazante.
Vazante com comportamento anormal
De acordo com pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a vazante de 2026 poderá ficar entre as três mais severas da história, ficanco atrás apenas de 2023 e 2024. Nos cenários analisados, o Rio Negro pode atingir entre 13 e 16 metros na orla de Manaus. A estimativa mais severa aponta para uma cota de 12,92 metros.
A menor marca já registrada ocorreu em 4 de outubro de 2024, quando o Rio Negro chegou a 12,66 metros, recorde negativo da série histórica de 122 anos. Mesmo no melhor cenário apresentado, a cota de Manaus ficaria entre e as dez maiores secas da história.
Em agosto, a descida do nível do rio ficou acima da média histórica e apresentou comportamento semelhante ao observado em 2023.
Setembro será determinante
Os primeiros 15 dias de setembro serão cruciais para determinar a intensidade da vazante, tendo em vista que anos de 2023 e 2024, nesse mesmo período, o nível chegou a oscilar entre 3 e 3,5 metros de queda.
Em Manaus, o Rio Negro recuou 15 centímetros durante os primeiros dias do mês, chegando a 23.94 metros no dia 2 de setembro.
Os estudos apontam que a vazante deste ano deverá ficar abaixo do comportamento considerado normal, algo que traz prejuízo para a região.
Efeitos do El Ninõ
O El Niño também levanta preocupação para a cheia do próximo ano. Segundo o SGB e o Inpa, a intensidade do fenômeno climático no segundo semestre de 2026 pode comprometer a recuperação dos níveis dos rios e influenciar a cheia de 2027.
A intensidade do fenômeno El Niño em 2026, por meio do aquecimento das águas do Oceano Pacífico pode interferir na formação de nuvens e reduzir as chuvas na Bacia Amazônica.
Algumas projeções indicam que os efeitos podem se estender até março de 2027, período que já corresponde à estação chuvosa na região. Caso a redução das precipitações seja intensa, os rios podem não recuperar os níveis esperados, aumentando o risco de uma vazante ainda mais severa no segundo semestre do próximo ano.
Impactos nos municípios do interior
Os efeitos da redução do nível dos rios já são sentidos em municípios do interior do Amazonas, como Benjamin Constant e São Paulo de Olivença, ambos na calha do Alto Solimões, decretaram situação de emergência.
A redução dos níveis dos rios pode afetar principalmente o transporte fluvial, o abastecimento e o acesso de comunidades ribeirinhas, além de dificultar a navegação em trechos mais rasos.
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Vitória Serrão Portal D24AM



