Prefeitura as voltas com o aumento das invasões de terras em Iranduba

Após a inauguração da ponte Rio Negro, ligando Manaus ao município de Iranduba e a outros municípios da Região Metropolitana de Manaus, dois problemas passaram a existir na região. A especulação imobiliária e o aumento considerável das invasões de terras públicas e privadas.

No passado, quando o ex-prefeito Nonato Lopes montou operações especiais para impedir as invasões, o problema hoje é enfrentado pelo prefeito Xinaik, que se vê as voltas com muitas invasões no municípios.

Atenta ao fato e preocupada com a situação, a Prefeitura começa a agir com mais rigor para prevenir as invasões e contra as que já estão em andamento.

Como a situação é crescendo no município, a Prefeitura anunciou que está preparando uma ação civil pública para que possa ser possível a reintegração de posse e ao mesmo tempo buscar os meios necessários através da Polícia e da Justiça para que a onda de invasão de terras acabe.

Levantamento

A Prefeitura de Iranduba acionou seu núcleo de assistência social para realizar um levantamento da quantidade de famílias que vivem em áreas de risco e por isso necessitam de ajuda para conseguir habitação, mas já adianta que não possui condições técnicas nem financeiras para suprir a demanda de novas famílias, que aproveitam a facilidade de acesso dada pela ponte Rio Negro para se instalarem desordenadamente no município, que faz parte da Região Metropolitana de Manaus. O local passa por momentos de instabilidade agrária, com o acontecimento de duas invasões de terra, nos Km 4 e 6 da Estrada Manuel Urbano (AM-070).

De acordo com o prefeito da cidade Xinaik Medeiros, o compromisso do executivo é ajudar prioritariamente as famílias que residem nos flutuantes do porto do Cacau Pirera, nas comunidades do Ariaú, Serra Baixa, Lago do Limão e na área urbana do município. “Não temos condições de arcar sozinhos com essa situação, já temos uma demanda acumulada ao longo de muitos anos.

A administração passa por dificuldades financeiras com a diminuição do repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e incentivar a criação de novas comunidades é uma irresponsabilidade, já que não teremos como oferecer saneamento básico e escolas”, salientou.

Ibama acionado

De acordo com Medeiros, aproximadamente 330 casas do convênio com o Governo Federal pelo programa Minha Casa Minha Vida estão em fase de construção e mais 480 fazem parte de um novo convênio que deve ser firmado nos próximos meses, todas para atender a população local.

Medeiros diz que está preocupado com a ocupação desordenada do solo ao longo da cidade. Para tentar conter a onda de invasão ilegal, o chefe do Executivo Municipal já acionou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) e Polícia Militar do Amazonas (PMAM), além de anunciar uma ação civil pública no Ministério Público Federal (MPF) contra os invasores, entre eles indígenas que ocupam um terreno de 50 mil metros quadrados, localizado no KM 6 da AM-070 desde o dia 25 de julho.

Com isso, o objetivo do Prefeito é frear crimes ambientais que estariam acontecendo dentro do espaço. “Antes eram 50 barracos, agora são pelo menos 1,2 mil. Temos registros de derrubadas da mata de maneira indiscriminada, mas estamos tendo dificuldade de acompanhar por conta da agressividade do grupo. Pelo menos 90% dessas pessoas vieram de Manaus”, destacou. A agressividade foi retratada nesta semana, quando os invasores tomaram como refém um repórter fotográfico de Manaus que tentava registrar o evento.

Indígenas e brancos juntos

A preocupação dos administradores de Iranduba é evitar que novas invasões acontecem a exemplo da ocupação deste terreno de 50 mil metros quadrados. O local, intitulado por brancos e índios das etnias Sateré-Mauwé, Mundurucu, Mura, Miranha e Apurinã, como Comunidade Deus é Por Nós, cresce de maneira desordenada. De um ponto de ônibus instalado na avenida B, bairro Compensa 3, conjunto Vila Marinho, já é possível identificar o trânsito frenético de pessoas com facões, terçados e enxadas que provavelmente são usadas para abrir o descampado que serve de abrigo para suas barracas.

De acordo com o índio Jhoshua Munducuru, que no último dia 31 recebeu a equipe de reportagem de A Crítica, após aprovação dos líderes da invasão, o principal objetivo do grupo é conseguir a autorização para ficar no terreno justificando a falta de moradia. Ainda segundo ele, várias etnias se uniram em favor da ocupação e justificou a entrada de “brancos” na área invadida em favor da mistura de raças que já tem acontecido entre os povos.

“Os índios tem feito família com os brancos e por isso autorizamos a entrada deles aqui. Necessitamos de casa para morarmos e vivermos com nossos filhos e precisamos de alguém que nos ajude a ficar com este pedaço de terra”, disse Jhoshua.

A conversa rápida e em clima tenso foi finalizada após um grupo de índios, portando lanças de madeiras e terçados, ordenarem que a reportagem se retirasse do local. Os invasores cercaram o local e colocaram uma corrente na entrada onde inspecionam a entrada e saída dos moradores.

(Amazonianarede – Redação – Portal do Iranduba)

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