Operação Cauxi: ‘Folha de pagamento’ no valor de 111 mil tem 51 parentes do prefeito Xinaik

A ‘folha de pagamento’ lista o parentesco com o prefeito, além de valores citados como salários
A ‘folha de pagamento’ lista o parentesco com o prefeito, além de valores citados como salários
A ‘folha de pagamento’ lista o parentesco com o prefeito, além de valores citados como salários

MANAUS – Somava R$ 111.455 a ‘folha de pagamento’ com os nomes de 51 parentes do prefeito de Iranduba, Xinaik Medeiros (PROS). O nome do próprio prefeito também consta no documento e figura como o mais bem pago da família, com salário de R$ 15 mil. Os outros salários vão de R$ 878,91 a R$ 6 mil.

A lista foi encontrada pela prefeita em exercício de Iranduba, Maria Madalena de Jesus (PSDB), que entregou o documento ao Ministério Público do Estado (MP-AM), durante a abertura dos lacres dos materiais apreendidos pela Polícia Civil na operação Cauxi, na última terça-feira. A operação, deflagrada semana passada, investiga um esquema de fraudes em licitações na prefeitura do município, que movimentou mais R$ 56 milhões, e levou à prisão preventiva do prefeito e de secretários municipais.

Os salários dos 41 primeiros nomes citados na lista somam R$ 77.455,44 e, no final da folha e à direita, a lista segue com mais 11 nomes manuscritos. Os salários registrados nessas partes do documento somam algo em torno de R$ 34 mil. Não é possível precisar o valor, uma vez que há valores que não aparecem em sua totalidade, assim como alguns nomes, que estão inelegíveis.

A prefeita em exercício de Iranduba falou sobre a folha de pagamento a parentes de Xinaik. Madalena acompanhou o início da fase de perícia dos documentos apreendidos na Prefeitura de Iranduba, secretarias e nas residências das pessoas envolvidas no esquema de corrupção do município.

A prefeita declarou, na terça-feira, à imprensa que “não vai assumir essa responsabilidade por ninguém” e que vai entregar o que encontrar de irregular ao Ministério Público do Estado (MP-AM). “Não sei como se fazia aquele pagamento, se em folha de rascunho, não tinha conhecimento. Só tive conhecimento que foi encontrada esta folha e o que eu encontrar de irregular eu vou entregar, seja o que for. Eu não vou assumir a responsabilidade por ninguém”, afirmou.

Mesada dos Medeiros

Na lista apresentada ao MP-AM, irmãs, a mulher do prefeito, primos, tios, tias e até mulheres dos primos de Xinaik são contemplados com um salário. Os maiores pagamentos registravam o valor de R$ 6 mil, destinados à mulher do prefeito, Alessandra Figueiredo de Medeiros, e ao primo Leandro do Vale e Silva, que também era o secretário  Municipal de Administração e Planejamento da cidade de Iranduba.

As irmãs Nilcéia Silva de Medeiros e Nádia Medeiros de Araújo tinham, segundo a lista, salário de R$ 3 mil, cada uma. Também com o pagamento mensal de R$ 3 mil, conforme a ‘folha de pagamento’, estão os primos Leide de Oliveira e Silva, Andrea Morais de Medeiros, Gefran Ferreira e Silva e a esposa de um dos primos chamada Lucineia Souza de Almeida.

Mariane Ferreira Texeira, esposa de outro primo de Xinaik, aparece na lista com um dos salários mais modestos, de R$ 898. Nessa faixa, com menos de R$ 1 mil de salário  estão, ainda, os primos Cláudio Paz de Medeiros, Kátia Silva de Medeiros, Andreza Medeiros de Oliveira, Anderson de Medeiros Lopes, Ivo dos Santos Medeiros e os tios Esperança da Silva Medeiros e Claudia de Medeiros de Souza.

Vereadores farão novo sorteio para comissão processante

Os vereadores de Iranduba realizarão, nesta quinta-feira (19), às 16h, um novo sorteio para definir os três parlamentares que vão compor a Comissão Processante, que analisará o pedido de cassação do mandato do prefeito de Iranduba, Xinaik Medeiros (PROS), segundo o presidente da Câmara Municipal de Iranduba, vereador Francisco Elaime (PSD).

O vereador Ernandes Rocha (PSDB) renunciou à presidência da Comissão Processante, após a repercussão sobre o sorteio dos membros da comissão ocorrida, na terça-feira à noite, na Câmara.

No ofício em que Rocha declina à presidência da comissão, o vereador explica o motivo da desistência. “A imprensa questionou que ocorreu má-fé no processo de sorteio”, explica o vereador em um trecho do documento encaminhado ao presidente da Câmara, vereador Francisco Elaime.

“Evitando juízos apressados e para que não reste dúvidas no processo de investigação e apuração, solicito do prezado presidente a exclusão do meu nome da comissão”, completou Rocha.

Polícia Federal ouve mais 18 pessoas

A Polícia Federal realizou, na manhã desta quarta-feira (18), a segunda fase da operação Dízimo no município de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus (RMM), e também em Manaus. A primeira fase foi realizada na segunda-feira e culminou na prisão de nove pessoas.

A operação investiga irregularidades em contratos que totalizam R$ 52 milhões em recursos federais, firmados pela Prefeitura de Iranduba. De acordo com as investigações da PF, de 25% a 30% do valor de cada contrato, firmado nas áreas de transporte público, saúde e até na ajuda humanitária, eram desviados.

Desta vez, foram expedidos 18 mandados de condução coercitiva, sendo 15 para moradores de Iranduba, e três para Manaus. De acordo com a assessoria de imprensa da PF, as pessoas foram conduzidas à sede da Polícia Federal, ouvidas e depois liberadas.

A primeira fase da operação Dízimo deixou nove pessoas presas, sendo três vereadores, todos da base do prefeito afastado Xinaik Medeiros, que foi preso em outra operação, a Cauxi, do Ministério Público do Estado (MP-AM). Além dos vereadores, a ação da PF culminou na prisão de outras pessoas ligadas à administração municipal, como o presidente da Comissão Geral de Licitação, Edu Corrêa, e o procurador-geral do Município, Allan Kardek.

Entre os conduzidos à PF na manhã desta quarta-feira, está um empresário do setor de transportes, cujo nome não foi revelado. A empresa dele havia vencido uma licitação para operar o transporte público na cidade, que foi o primeiro contrato a levantar suspeitas por parte da Polícia Federal, dando início às investigações da operação Dízimo.

A proprietária de uma funerária que fechou contrato de R$ 4 milhões com a Prefeitura de Iranduba, identificada como Andreza, também foi ouvida pela PF. D24AM

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