Mortes no trânsito em Manaus crescem em 2026; 41 pessoas já morreram

Acidente na Avenida do Turismo, Zona Oeste de Manaus. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Até o início de março, a cidade já havia registrado 133 atropelamentos, dos quais 14 terminaram em morte

Manaus – Dados do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) revelam um aumento preocupante nas mortes no trânsito da capital amazonense. Segundo levantamento do órgão, 41 pessoas morreram em acidentes de trânsito em Manaus nos meses de janeiro e fevereiro de 2026, número que representa alta superior a 40% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram registradas 29 vítimas fatais.

O relatório do Instituto também aponta um cenário alarmante envolvendo pedestres. Até o início de março, a cidade já havia registrado 133 atropelamentos, dos quais 14 terminaram em morte, o que representa aumento de 27% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os números foram analisados pelo especialista em trânsito Rafael Cordeiro, que avalia que os indicadores revelam um quadro que exige reação imediata das autoridades. Para ele, os dados divulgados pelo órgão municipal deveriam servir como um alerta para os gestores responsáveis pela mobilidade urbana na cidade.

“Os dados referentes aos sinistros de trânsito com vítimas lesionadas nos meses de janeiro e fevereiro mostram, ou deveriam mostrar, uma enorme preocupação para os órgãos e entidades de trânsito”, analisou.

De acordo com o especialista, a comparação entre os dois períodos demonstra que a violência no trânsito está em crescimento e exige medidas mais estruturais.

“Em janeiro e fevereiro de 2025 foram 29 pessoas que perderam suas vidas no trânsito em nossa cidade. Já em 2026, nos dois primeiros meses, somam 41 mortes. Isso representa um aumento superior a 40%, o que é uma enorme preocupação e também um desafio”, explicou.

Segundo Cordeiro, enfrentar esse cenário exige políticas públicas integradas voltadas para fiscalização, educação no trânsito e melhoria da infraestrutura viária, especialmente por meio da engenharia de tráfego.

Ele alerta que responsabilizar apenas os condutores não é suficiente para reduzir os sinistros.

“Se nada for feito e o poder público mantiver o viés de sempre, de culpar tão somente os condutores, infelizmente esses números tendem ainda a crescer”, afirmou.

Outro ponto que chama atenção na análise é a distribuição geográfica das mortes. De acordo com o levantamento, cerca de um terço dos óbitos ocorreu na zona leste de Manaus, região que, segundo o especialista, apresenta carências históricas em sinalização e segurança viária.

“Sabidamente é uma área deficiente de sinalização e de vias seguras. Tudo isso acaba contribuindo ainda mais para a desordem e para um trânsito violento em nossa cidade”, destacou.

Cordeiro também lembrou que o Brasil possui diretrizes nacionais voltadas à redução de vítimas no trânsito, como o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (PENATRANS), que estabelece metas e estratégias para diminuir os índices de acidentes fatais no país.

Para o especialista, Manaus precisa alinhar suas ações ao plano e desenvolver políticas públicas efetivas de segurança viária.

“O poder público precisa agir, intervir e ser proativo, ou seja, se antecipar aos problemas. Manaus precisa urgentemente avaliar e planejar políticas sérias e efetivas para a segurança viária. Caso contrário, infelizmente continuaremos contando vítimas no nosso trânsito”, concluiu.

amazonianarede
Da Redação Portal d24am

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