Modelo amazonense de reserva ambiental pode ser copiado no Amapá

Macapá – A experiência bem sucedida em Tumbira, sede principal da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro (AM) pretende ser copiada no Amapá. A reserva, que alia preservação ambiental e tecnologias sustentáveis, foi visitada por autoridades amapaenses.

A comitiva de sete integrantes foi guiada pelo superintendente da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Virgílio Viana. Logo na chegada, ele apresentou o Núcleo de Conservação e Sustentabilidade (NCS) Agnello Bittencourt Uchôa. Edificado por meio de uma parceria entre o Governo do Amazonas e a FAS, a estrutura agrega, no meio da selva amazônica, escola, posto de atendimento médico, oficina de artesanato, marcenaria, viveiros de mudas e aves, e um – ecologicamente correto – sistema híbrido de energia elétrica.

Todo este “aparato sustentável” – que é assistido por uma internet Wifi – tornou a pequena Tumbira quase que autossuficiente. Depois de passarem por uma série de capacitações, as 28 famílias se dividem nas diversas atividades que rendem dividendos à comunidade. Plantação de espécies frutíferas e verduras, avicultura, produção de tabuleiros em madeira, peças de artesanato do cipó-titica e compostagem de adubo orgânico são as principais. Lá, até o lixo é trabalhado. Atualmente, embalagens são recicladas e viram obras de arte artesanal.

“Na escola, que dispõe de alojamentos para professores e alunos de outras comunidades da RDS Rio Negro, as crianças aprendem não só a matemática, o português e as outras disciplinas do ensino regular, mas também trabalham conceitos de desenvolvimento sustentável”, explica a professora Isoleida Garrido. Nascida e criada em Tumbira, ela é o exemplo de que, quando as comunidades tradicionais oferecem atrativos de fixação, a floresta não perde seus legítimos guardiões.

“Eu tive que passar alguns anos estudando em Manaus para me formar em pedagogia. Muitos que fazem isso não retornam para seu local de origem porque realmente não há perspectiva lá. Mas, num caso como o de Tumbira, dá gosto de voltar porque tem estrutura para gente trabalhar e viver bem. Com a gente por aqui, a floresta fica mais protegida”, relata a professora.

Na localidade, a sustentabilidade chegou até às lâmpadas e tomadas das casas, que eram supridas com apenas quatro horas diárias de energia elétrica na última década. O chefe da comunidade, Roberto de Mendonça, lembra que a luz era gerada por um gerador movido a diesel. O equipamento consumia, em média, 1,2 mil litros de combustível e poluía o ar com 1,3 toneladas de dióxido de carbono (CO2).

A comunidade ‘ganhou’ um projeto inovador de energia limpa gerada por meio de placas solares com um sistema automático que armazena energia em baterias auto recarregáveis que adaptam a tensão para o consumo residencial. A substituição dos equipamentos gerou uma economia de 1,5 mil waltts de energia que é revertida para o consumo das residências.

“Antes não tínhamos como armazenar alimentos em geladeiras ou freezers, ou usar aparelhos eletrônicos. Água gelada era só durante algumas horas. Hoje, é só acionar um interruptor, assistir televisão ou ligar um ventilador.

Simples assim. A vida melhorou. Moramos na floresta, mas com a dignidade que o ser humano merece”, diz, satisfeito, Mendonça.

“A experiência de Tumbira mostra que é possível melhorar a qualidade de vida daquelas pessoas que cumpriram o seu papel na difícil tarefa de preservar a Amazônia. Os povos das florestas do Amapá têm destaque nesse contexto. O Amapá é o Estado mais preservado do Brasil, com grande contribuição para a redução das mazelas das mudanças climáticas e seu efeito estufa. E é hora de recompensar essas pessoas por isso”, afirmou o governador Camilo Capiberibe.

Ele se refere ao novo modelo que está prestes a implantar e é focado nas compensações via Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) no Estado amapaense. Um dos componentes da recém-criada política é baseado na experiência da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam), que a comitiva do Governo do Amapá visitou na última segunda-feira, 15. O órgão vizinho está conseguindo impulsionar as cadeias produtivas da sociobiodiversidade amazonense por meio de linhas de financiamento.

Dados apresentados pelo diretor-presidente da Afeam, Pedro Falabela, mostram a importância do fomento. Antes das linhas de crédito específicas para a borracha, a produção anual amazonense era de 300 toneladas de látex. Mas, depois que o fomento chegou aos seringueiros, o rendimento subiu para 1.100 toneladas nos últimos três anos, um crescimento de mais de 366%.

O experimento comprovado em números animou o presidente da Afap, Sávio Perez. Segundo ele, há possibilidade real de aplicar o modelo amazonense com vínculo ao PSA. A intenção inicial é de uma linha de fomento específica para os dois principais produtos da sociobiodiversidade amapaense: a castanha-do-brasil e o açaí. “Queremos tomar como exemplo as ações que estão dando certo no Amazonas e, a partir deste conhecimento, adequar à realidade amapaense”.

A viagem iniciou, na terça-feira, 16, ainda na capital amazonense, Manaus, numa pequena voadeira de 16 lugares, onde embarcaram o governador; a secretária de Desenvolvimento Rural, Cristina Almeida; a diretora-presidente do Instituto Estadual de Florestas, Ana Euler; os secretários de Estado da Ciência e Tecnologia, Antônio Cláudio Carvalho e de Meio Ambiente, Grayton Toledo; o presidente da Agência de Fomento do Amapá, Sávio Perez; além do presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, Joaquim Belo.

Fonte – A Gazeta

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