Ministro Levy está sendo fritado em Brasília

Jornalista Kenedy, que Levy está na freigideira
Jornalista Kenedy, que Levy está na freigideira
Jornalista Kenedy, diz  que Levy está na freigideira

São Paulo – “Joaquim Levy perdeu apoio interno. A situação dele está cada vez mais difícil”, diz o jornalista Kennedy Alencar, que reconhece não ser culpa dele a demora em aprovar projetos do ajuste fiscal; “Nesse contexto, ocorre atualmente um trabalho de bastidor para convencer Dilma a aceitar que o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles assuma o Ministério da Fazenda. Não há outro nome na mesa”

Há na praça uma nova fritura do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. É nesse contexto que deve ser entendido o pedido de auxiliares da presidente Dilma Rousseff para Levy apresentar um plano de recuperação da economia, como revelou nesta terça o repórter Valdo Cruz, da “Folha de S.Paulo”.

Pedir um plano de crescimento da economia a um ministro que não consegue aprovar as medidas que já propôs é uma forma de colocar pressão sobre Levy a fim de que ele deixe o governo. Hoje, as críticas a respeito do trabalho do atual ministro da Fazenda deixaram de ser feitas apenas pelo PT e pelo ex-presidente Lula.

Levy se desentendeu com colegas de governo. Exemplo: já teve choques com Nelson Barbosa, do Planejamento, e Edinho Silva, da Comunicação Social. Também colidiu com Carlos Gabas, que era ministro da Previdência. Após a última reforma ministerial, Gabas virou secretário especial de Previdência do Ministério do Trabalho e da Previdência Social.

Joaquim Levy perdeu apoio interno. A situação dele está cada vez mais difícil. Não é culpa de Levy que os projetos do ajuste fiscal estejam parados no Congresso Nacional.

A razão dessa paralisia se deve, basicamente, a três fatores. O primeiro e mais importante é a responsabilidade do governo Dilma, que tem dificuldade de controlar a sua base de apoio no Congresso. O segundo fator é o jogo de bastidor do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), para deixar os trabalhos mais importantes em banho-maria, enquanto tenta salvar seu mandato. Por último, uma oposição que vê no sangramento de Dilma a chance de viabilizar o impeachment ou, no mínimo, reduzir as chances de sucesso do PT nas eleições de 2016 e 2018.

Levy, então, pode acabar pagando o pato e perder as condições de continuar no Ministério da Fazenda.

Nesse contexto, ocorre atualmente um trabalho de bastidor para convencer Dilma a aceitar que o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles assuma o Ministério da Fazenda. Não há outro nome na mesa.

Dilma resiste porque, em 2010, quando teve um câncer, Meirelles agiu nos bastidores para ser uma espécie de candidato reserva. Ela não gostou nem um pouco. Dilma e Meirelles também tiveram conflitos no governo Lula, quando ela estava na Casa Civil e ele no Banco Central.

Dirigentes do PT, atuais ministros, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci Filho e o ex-presidente Lula já sugeriram a Dilma o nome de Meirelles como opção caso Levy deixe o governo.

Um ministro chega a dizer o seguinte: a presidente não precisa ficar amiga de Meirelles, nem chamá-lo para bater papo no Palácio da Alvorada no fim de semana. Basta deixar que ele resolva problemas na economia.

Um complicador é que Meirelles negociaria condições que resultariam numa influência menor de Dilma na área econômica. Hoje, ela atropela muito Levy, o que é ruim para um ministro da Fazenda. Dilma atrapalhou bastante Levy ao titubear no apoio a ele em determinados momentos.

A agenda de Meirelles não seria muito diferente da de Joaquim Levy, mas ele é tido como um nome de maior peso. Ou seja, seria bem visto pelo mercado. Seria uma troca que não precisaria ser explicada ou que lançaria dúvida sobre o rigor fiscal e monetário do novo ministro, já que Meirelles agiu assim quando presidiu o Banco Central.

Auxiliares próximos à presidente Dilma também acham que um ministro da Fazenda novo poderia ter mais chance de destravar a agenda de votações de propostas econômicas no Congresso.

É nesse contexto que devem ser entendidas as críticas a Joaquim Levy que são feitas por colegas de governo e que contribuem para reduzir o prazo de validade no cargo do atual ministro da Fazenda. Uma mudança na Fazenda pode ser uma das últimas cartadas da presidente Dilma para tentar arrumar a economia e sobreviver politicamente.

Amazonianarede-Blog do Kenedy

 

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