Macapá: Afavelamento causa problemas no entorno do mercado do peixe

A beleza dos 3.400 m² de estrutura física construída do moderno mercado do peixe, no Igarapé das Mulheres, na Zona Leste da capital, está sendo ofuscada pelo afavelamento da área no entorno. De acordo com o projeto original, o terreno do mercado tem 6.750 m², no entanto, a área externa não foi urbanizada.

O acesso de carro ao mercado se tornou uma problemática, principalmente, nos finais de semana, quando o fluxo de veículos é de quatro a cinco vezes maior, segundo os próprios vendedores. Para cons-trução do mercado foi necessária à retirada de vendedores que ocupavam a área. Comércios e lojas de confecções passaram a ocupar um espaço construído provisoriamente no lado oposto do canal.

“Eles disseram que ficaríamos aqui só até o mercado ser construído. Depois íamos para uma área que também seria erguida dentro do projeto, coisa que não ocorreu. Agora não sabemos quando sairemos dessas cavernas”, disse inconformado o comerciante Sebastião Oliveira, 47 anos.

O mercado persa que ladeia o mercado do peixe é vasto e tem de tudo. Do carvão ao eletrodoméstico. Da tapioquinha ao almoço. No entanto, quando o assunto é a alimentação a coisa se torna gravíssima. A falta de higiene é visível. Numa venda de cafés, por exemplo, os copos são “lavados” num mesmo balde, cuja água não é trocada.

A venda de carne suína é outro agravante. Os quartos dos animais e até as vísceras são vendidos expostos em carrinhos improvisados no meio da rua. “Nunca ninguém veio nos questionar. É como ganhamos nosso dinheirinho”, disse o vendedor de porcos Heliton Almieda, 43 anos.

Quando questionado se ele sabia dos riscos à saúde que a carne que ele comercializa podia provocar no consumidor ele foi enfático: “Compra quem quer moço. Tô aqui pra vender”, assegurou. Durante a reportagem não foi visto nenhum fiscal da Vigilância Sanitária no local.

Outro assunto palpitante é a não dragagem do leito do canal do Igarapé das Mulheres.

“Meu amigo já não temos mais a quem apelar. O governo só promete que vai fazer esse trabalho e nunca faz. Já até colocaram essa fraga ai, mas só tá servindo pra atrapalhar o trânsito dos carros por enquanto. É necessário esse trabalho. Estamos tendo prejuízos, já que toda viagem temos que mandar puxar as embarcações pra calafetar”, revelou o embarcadiço Moacir Alves Feijão, 51 anos.

Embarcações de maior calado já não aportam mais naquele local. Com isso, os vendedores de peixe, farinha, açaí e outros produtos tem que desembarcar suas mercadorias em outros lugares, pagar frete extra, e, com isso, aumentar o valor do que é vendido. Eles estimam que tem que aumentar os valores, dependendo do produto, em até 35% para não obter maiores prejuízos.

Na última semana o governador Camilo Capiberibe, em entrevista à Rádio Diário FM, disse que iria cobrar do secretário de Transportes, Bruno Mineiro, providências urgentes para sanar a burocracia iniciando a obra.

(Diário do Amapá)

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