Ipaam avalia grau do derramamento de petróleo no rio Negro para definir multa

Amazonianarede – Agecom

Manaus – O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) esteve na orla do São Raimundo, na manhã desta terça-feira, 26 de março, para avaliar os danos ambientais e as medidas de contingenciamento decorrentes do adernamento de uma balsa que transportava no convés quatro tanques com CAPCM20, produto derivado de petróleo usado para a produção de massa asfáltica.

O analista ambiental e químico do Ipaam, Diógenes Rabelo, relatou que os técnicos perceberam que a balsa virou porque houve um desequilíbrio de massa no convés com a retirada do produto de um dos tanques para carregamento de um caminhão. “Quando o tanque que estava sendo descarregado ficou leve, a balsa pendeu de lado. Com a virada da balsa, um tanque foi para o fundo do rio e o outro ficou tombado no convés. Somente de um tanque escapou o produto poluente”.

O analista calcula em 15 mil litros de CAPCM20 derramado. Segundo ele, as medidas imediatas foram tomadas pela empresa Francis José Chehuan & Cia Ltda, responsável pelo transporte, evitando a dispersão maior da mancha escura.

“O produto é pouco inflamável, mas muito aderente. De imediato, nós, do Ipaam, determinamos que a empresa convocasse o Centro de Defesa da Amazônia (CDA), ligado à Petrobras, para fazer o contingenciamento da área, o que foi providenciado pela empresa. Agora vamos emitir uma notificação para que ela apresente, no prazo de 30 dias, relatório conclusivo do acidente e também comprovantes da destinação final dos resíduos recolhidos, serviço este que deverá ser executado por empresa devidamente licenciada ambientalmente”, comentou Rabelo.
Entre os procedimentos de reparação dos danos, a empresa Chehuan terá que retirar das águas o tanque que afundou e remover o óleo do casco dos barcos que estavam ancorados próximos e foram atingidos para não provocarem dispersão do poluente. Os analistas do Ipaam estimam em pelo menos cinco dias intensivos de trabalho, inclusive à noite, para reverter a contaminação que atingiu cerca de 900 metros quadrados, devidamente envolvido pela barreira de contenção.

A Marinha do Brasil, por meio da Capitania dos Portos, presente no local, procedeu com a interdição da circulação dos barcos também com a finalidade de evitar a disseminação do poluente.

Atividade irregular – A Chehuan possui licença de operação emitida pelo Ipaam no dia 11 de março último para transporte fluvial de cargas perigosas, mas não para as operações de transbordo no local em que estava sendo realizado. “A balsa estava ancorada no porto com placa de identificação em nome de Navegação Chehuan e Rodonav. O local de ancoradouro vai ser interditado até que os interessados se enquadrem para o licenciamento ambiental com essa finalidade”, disse Diógenes Rabelo.

A primeira licença ambiental da empresa Chehuan para transporte de materiais perigosos no Ipaam data de 2000 e não há antecedentes de sinistros ambientais cometidos por ela.

Os analistas ambientais do Ipaam vão avaliar a magnitude do impacto ambiental provocado pelo óleo derramado, de responsabilidade da empresa Chehuan, para fazer o enquadramento legal e definir o valor da multa. “Vai ser uma multa que a empresa sinta-se penalizada, mas que possua lastro econômico para pagá-la”, antecipou Diógenes.

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