Inédito título mundial faz pais buscarem novos Medinas em Maresias

22-12surfSão Sebastião (SP) – O Brasil demorou 38 anos para vencer o WCT pela primeira vez. Alcançado na noite de sexta-feira, o título de Gabriel Medina foi suficiente para estimular pais a levarem seus filhos a Maresias com o sonho de repetir o feito logrado pelo jovem sob as orientações do padrasto Charles Serrano.

“Tem uns pais muito loucos! Estão se mudando para Maresias com os filhos de oito anos para fazer as crianças virarem surfistas. É algo fora do comum, porque nessa idade ninguém sabe o que quer ainda. É coisa do pai, achando que vai ficar rico em cima do menino”, conta Jeane Pupo.

Ao lado do marido Wagner, ex-profissional, ela chefia um clã de surfistas, formado por Miguel, 23 anos e 19º colocado no WCT, Dominik, 18 anos e campeã brasileira universitária, e Samuel, 14 anos e dono de sete títulos paulistas nas categorias de base. Os herdeiros, conta Jeane, adotaram o esporte de maneira natural.

“Não foi nada planejado. A gente levava os filhos para a praia porque o Wagner competia. Então, cresceram brincando no palanque, mas nunca forçamos nada. Não existia a pretensão de ser um campeão mundial, de participar do circuito. Eles são talentosos e foram crescendo naturalmente”, diz Jeane.

Em parceria com a Rip Curl, patrocinadora de Samuel, a família Pupo administra uma loja em Boiçucanga, bairro vizinho a Maresias. Na esteira do sucesso de Gabriel Medina no WCT, o clã tem sido procurado pelos pais interessados em transformar seus filhos em surfistas.

“Eles vêm atrás de nós em busca de orientação, mas não temos nem o que falar, é loucura dos pais. Fico com dó, porque eles tentam usar as crianças. Não é assim que funciona: pega o menino e fala ‘vai lá e seja igual ao Gabriel Medina’”, diz Jeane, em tom de lamentação.

Durante o verão, iniciado neste domingo, as ocorrências nas praias aumentam significativamente. Em contato com a Gazeta Esportiva, salva-vidas de Maresias, celeiro de Gabriel Medina, confirmaram que às vezes precisam socorrer surfistas iniciantes, apesar dos avisos de perigo fixados na areia.

Bruno Ceccon e Helder Júnior, enviados especiais Gazeta Press

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