Em Rondônia, Rio Madeira sobe o dobro do esperado

(Reportagem: Paulo dos Santos/Foto: Jota Gomes)

Dados da Defesa Civil apontam que o nível do rio Madeira subiu mais que o dobro este mês, comparado com o mesmo período do ano passado. As constantes chuvas tem deixado a Defesa Civil em alerta no município.

No dia 6 de novembro do ano passado, o nível do rio se encontrava com 3,38 metros. Um ano depois, no mesmo dia 6 de novembro, o registro foi de 9,90 metros. De acordo com o chefe de operações da Defesa Civil municipal, Paulo Afonso Alves da Silva, falta pouco mais de 14 metros para o estado de alerta. “A chuva desses últimos dias foi muita intensa em Porto Velho. Não estávamos preparados para isso”, disse Silva.

Ainda de acordo com o chefe de operações, o normal é o rio Madeira atingir 9,90 apenas em janeiro e se as chuvas continuarem a cair com a mesma intensidade o sinal de alerta será antecipado. “Se permanecer no mesmo ritmo vamos alcançar os 14 metros antes do esperado. A partir desta marca, ficamos em alerta e começamos a nos preocupar e preparar para uma cheia”, destacou.

Para evitar alagações na cidade, a Defesa Civil, em parceria com a Secretaria Municipal de Obras (Semob) e Secretaria Municipal de Serviços Básicos (Semusb), está atuando na limpeza dos canais e bueiros do município.

Se a situação está complicada, as informações do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) não são animadores. De acordo com o meteorologista Marcelo Gama, as constantes chuvas que atingiram Porto Velho nos últimos dias devem-se a um fenômeno na zona de convergência do Atlântico Sul. ”Ela deve permanecer até o próximo final de semana. Nestes primeiros dias de novembro choveu um quarto do que era esperado em todo o mês ”, finalizou Gama.

Moradores reclamam de descaso

A estudante Paula Adriele, que mora no bairro Agenor de Carvalho, afirma que não aguenta mais o descaso com que a prefeitura trata os moradores. “Todo ano é o mesmo problema. Na última chuva a água invadiu nossa casa. Toda a vez é isso e acaba estragando os móveis”, disse Paula.

A acadêmica Thatianne Gadelha pede que a prefeitura aplique melhor os impostos dos contribuintes. “Acredito que os impostos que pagamos deveriam ser melhor investidos para não passar por esse constrangimento de ficarmos ilhadas dentro da nossa própria casa”, reivindica Thatianne.

O administrador João Paulo destaca que a prefeitura tem que arrumar as galerias pluviais para reduzir o caos em que Porto Velho se encontra. “Devemos analisar as vias públicas e as galerias existentes, pois a cidade é plana e não há como escoar tudo que cai dos céus, além do lago da usina, que tem sido absorvido pelas nuvens e descarregado na cidade. A solução é reaver as galerias de escoamento e se for preciso chamar especialistas de fora”, destacou o profissional.

Iranilce Souza, gerente comercial de uma rádio até brinca com a atual situação da cidade. “Chegamos no inverno em Rondônia, e agora? Precisamos de canoa para irmos pra rua, para o nosso trabalho. Se não fosse triste seria hilário, mas a verdade é que infelizmente nossa capital fica em situação catastrófica quando chove”, desabafa Souza.

Ainda de acordo com ela, não é necessário chover forte para o município sofrer com o caos. “Chove, todos os dias agora. Por falta de saneamento básico, nas principais ruas qualquer “chuvinha” alaga mesmo, a ponto da água entrar dentro dos carros”, finalizou.

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