Em Porto Velho, peixe pode estar contaminado

Porto Velho, RO – Lixo, falta de saneamento e fossas invadidas pela água são os principais fatores de poluição da água do Madeira que invade ruas e quintais de Porto Velho desde os primeiros dias de fevereiro.

O cheiro forte que se sente nas áreas atingidas é um indicativo forte de poluição, que certamente está contaminando os peixes encontrados na cidade. Mesmo assim, os pescadores são muitos. E, o que é pior, tem gente vendendo o pescado.

Gerente da Divisão de Recursos Pesqueiros da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), Marli Lustosa Nogueira alerta que é preciso cautela. “Os consumidores devem solicitar a nota fiscal da compra do peixe, porque quem vende é responsável pela qualidade do produto. Consumir o pescado sem saber qual é a sua procedência é muito perigoso”, explica ela. A Sedam recebeu uma denúncia de mortandade de peixes – na rua Campos Sales, atrás da Escola Padre Chiquinho, no bairro Areal – e na cidade se ouve muitas histórias sobre o fenômeno. A Sedam fez análise da água coletada atrás do centro educacional e mais sete pontos ao longo do igarapé Santa Bárbara e no rio Madeira e constatou a contaminação por coliformes fecais com índice bem acima do que preconiza uma resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

Segundo a gerente, a presença de coliformes fecais não justifica a mortandade de peixes. Também está descartada a hipótese dos animais terem morrido por falta de oxigênio. Nestes casos, o peixe fica bicudo, com a boca inchada. Com isso, a conclusão é que os peixes foram contaminados por produtos tóxicos, que pode ser veneno contra insetos, ratos e outras pragas ou outras substâncias que são utilizados com frequência pelos moradores, explica ela. “Já era previsível que isto ocorresse, por causa das alagações sem precedentes, e a população deve ficar atenta”, recomenda Marli.

O barqueiro Elder Ferreira, que faz a travessia da Farqhuar entre a BR-319 e o bairro Nacional conta que encontrou peixes mortos em abundância na região. “Tinha muito peixe boiando na área que faço a travessia, entre eles tinha branquinha, jatuarana, curimatã e piau”. Ele cita os mesmos peixes que foram encontrados mortos atrás da Escola Padre Chiquinho. Marli pede à população que comunique ocorrências de peixes mortos para a Sedam pelo telefone 3216-1082.

A Sedam só tem laboratório para análise química e física e faltam equipamentos para análise toxicológica, por isso o órgão não tem uma conclusão sobre que tipo de contaminação esteja provocando as mortes. A Sedam descarta a morte dos peixes por coliformes fecais.

Peixes doentes são presas fáceis

Embora apenas uma denúncia formal tenha chegado à Sedam, existem vários relatos de peixes mortos encontrados nas áreas de alagação. Marli Lustosa conta o episódio relatado por um apresentador de televisão, de um jovem que capturou um peixe com a boca numa área alagada. “Se ele conseguiu pegar o peixe com a boca, certamente o animal deveria estar doente e, portanto, impróprio para o consumo”. Exageros à parte, o certo é que o costume bem rondoniense de pescar se soma à abundância de peixe trazido pela cheia para dentro da cidade e o número de pescadores está se multiplicando.

De acordo com Sueli, a Sedam fez sete análises da qualidade da água, a pedido da Secretaria Estadual de Assuntos Estratégicos, que está coletando dados sobre os impactos sociais e ambientais das alagações para a montagem de um plano de enfrentamento da cheia e reconstrução da cidade no período pós-enchente. O órgão está reunindo dados e nesta segunda-feira (25) deverá apresentar os primeiros resultados do trabalho para o governador Confúcio Moura.

Coliformes fecais acima do permitido

Realizada no dia 17 de fevereiro, a análise da água feita pela Sedam encontrou a incidência de coliformes fecais acima do que é recomendado pela resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) em áreas de alagação do igarapé Santa Bárbara nas ruas Prudente de Moraes, Rio de Janeiro, João Alfredo e Campos Sales e na esquina da Jaci Paraná com João Alfredo. Também foram analisadas amostras coletadas no rio Madeira, na altura das avenidas Farqhuar e Migrantes. De acordo com o relatório das análises, “os parâmetros analisados encontram-se dentro dos valores máximos permitidos, com exceção da cor, PH, turbidez e sulfeto.

Ana Aranda – Repórter do Diário da Amazônia

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