Em Porto Velho, comércio sente efeitos da enchente

Porto Velho, RO – Desde que a marca histórica de 17,52 metros foi ultrapassada, os prejuízos amargados pela cheia do rio Madeira estão sendo calculados também pelos comerciantes do Centro da cidade.

Nas imediações das avenidas Sete de Setembro e Rogério Weber, muitos estabelecimentos comerciais estão sendo fechados ao passo que a água vai invadindo as ruas e lojas.

O agricultou Luis Carlos Galdino conta que depois que perdeu toda sua plantação de banana e teve que sair da sua casa, localizada na região do Baixo Madeira, está trabalhando no que aparece para garantir a sobrevivência da família. “Eu estava com essa lancha parada e mandei arrumar quando o rio começou a subir. Quando vim aqui para Porto Velho observei as pessoas fazendo travessias e turismo nas regiões mais alagadas, aproveitei e entrei no ramo também. Agora eu tenho de onde tirar o dinheiro do almoço, pelo menos”, relata Galdino.

A cabeleireira Doralice França conta que em questão de horas a água do rio invadiu seu salão, localizado na rua João Alfredo próximo da avenida Rogério Weber. “Há três semanas eu estava trabalhando no salão quando a água começou a subir de uma forma assustadora. No outro dia já tive que tirar minha coisas de lá e fechar tudo. Agora estou morando de favor na casa de um amigo e atendendo as clientes da maneira que posso. Contado esses dias parada, eu já deixei de atender muitas clientes, contabilizando um prejuízo de mais de R$ 2 mil”, lamenta Doralice.

O mecânico Luís Carlos compartilha dos problemas ocasionados pela enchente. Ele diz que ainda não é possível somar as perdas causadas pela enchente. “Trabalho como mecânico há 35 anos e agora minha oficina está totalmente debaixo d’água, não tenho qualquer estimativa de quanto já perdi. Estou consertando alguns motores no meio da rua, para garantir o pão de cada dia. Minha mulher montou uma lanchonete na beira da rua, estamos sobrevivendo da maneira que dá, a vida segue né?”, desabafa o mecânico.

Feirantes lucram com mudança

Se para uns o momento é de somar prejuízos, para os feirantes do Shopping Popular – que foram transferidos para as praças Jônatas Pedrosa e Marechal Rondon localizadas na Sete de Setembro – os prejuízos causados pela cheia estão sendo sanados com a localização privilegiada das barracas. Segundo Virgínia Lima, com a mudança para a praça Jônatas Pedrosa as vendas cresceram mais de 30%. “Apesar das dificuldades das barracas provisórias, as vendas estão indo bem.

Acho que a localização da praça ajuda muito, a pessoas que estão aqui pelo centro passam, olham e acabam voltando pra comprar”, comemora Virgínia.

Regiane Barbosa conta que chegou a vender em um dia o que vendia em três no Shopping Popular. “Quando tivemos que mudar gastei mais de R$ 500 com madeira pra construir a barraca, achei que não iria recuperar, mas fui surpreendida no dia seguinte”, constata a feirante.

Centro comercial perde clientes

A cheia do rio Madeira está afetando também as vendas na avenida Sete de Setembro, afirma os comerciantes. De acordo com o gerente de um loja de confecção, Jorge Silva, as vendas reduziram muito de janeiro para fevereiro em comparação ao mesmo período do ano passado. “A cidade está balançada com a enchente e com isso a população fica com receio de consumir e até fazer gastos. Acredito que muitos estão economizando para o que ainda pode acontecer pela frente. Ninguém sabe ao certo qual será o tamanho dos danos reais quando as águas baixarem”, explana Silva.

Contratação

Segundo o vice-presidente da Associação Comercial de Rondônia, Vanderlei Garcia, a queda no faturamento do comércio chega a 20% e o setor mais prejudicado é o de vestuário, seguido pela construção civil e alimentício. “Já estávamos projetando uma fomentação no comércio quando fomos pegos de surpresa pela cheia. As vendas caíram muito e consequentemente o número de contratações também. Possivelmente haverá demissões em alguns estabelecimentos. A nossa preocupação é grande, vários problemas estão surgindo e as consequências serão sentidas por toda a população”, avalia Garcia.

O proprietário do posto de gasolina localizado na avenida Rio de Janeiro com Prudente de Morais, Aldemar Vieira, conta que encerrou as atividades do seu estabelecimento no início da semana, em razão da cheia. “Vendi meus últimos litros de gasolina quando a água já estava chegando na bombas. Por alto calculo um prejuízo diário de R$ 17 mil. Para não prejudicar meus funcionários, dei férias coletivas para todos”, diz Vieira.

Repórter: Laila Moraes Foto: Roni carvalho/Diário da Amazônia

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