Cheia do Rio Madeira prejudica travessia na Balsa

Porto Velho, RO – A cota de 18,44 metros registrada ontem no rio Madeira obrigou à paralisação da balsa e tráfego na BR-319 na altura do bairro da Balsa.

Com isso, pessoas que precisam fazer a travessia estão utilizando a ponte do Madeira, que foi liberada para pedestres. Para chegar na ponte, os interessados podem andar no meio da água por mais de um quilômetro ou então alugar um barco a remo, que custa R$ 5 por pessoa. Outra opção, na manhã de ontem, era pegar uma carona em uma pá carregadeira que fazia serviços na região. Do outro lado do rio, a água já invadiu a pista. Uma empresa de ônibus que faz a linha Porto Velho – Apuí, ontem deixou um veículo no lado de cá do rio para fazer o transporte dos passageiros. Um deles, o comerciante Dionísio Anziliero, que mora há 30 anos em Apuí, relatou que para chegar em Porto Velho, primeiro pegou um barco, depois uma voadeira, para passar o trecho da Transamazônica que está interrompida pela água, e chegar em Humaitá, de onde seguiu de ônibus até Porto Velho.

O bairro da Balsa é um dos mais castigados com as alagações. Ontem, mais 20 famílias foram retiradas do local. As mudanças são feitas de barco, o que complica a atuação dos funcionários da Defesa Civil, assistentes sociais, bombeiros e soldados do Exército encarregados das mudanças das pessoas atingidas pelas alagações.

Impasse na Euclides da Cunha

Ontem pela manhã, a Defesa Civil iniciou a retirada de aproximadamente 15 famílias que vivem em um prédio de apartamentos da rua Euclides da Cunha, no Centro da Capital. Os moradores aguardavam uma decisão do proprietário do imóvel sobre a devolução de uma parte do aluguel do mês. “Se a gente vai ter que sair, ele terá que devolver o dinheiro, porque não temos como pagar outro aluguel”, reclamava uma das moradoras. Para a cabeleireira Delícia Vidal Vieira, a situação estava difícil. A casa em que mora com os filhos, no bairro da Balsa, ficou encoberta pela água, e o salão de beleza em que trabalha, na Euclides da Cunha, também foi atingido pelo rio.

Peixes no asfalto do Bairro Areal

No bairro Areal, grande parte das ruas está alagada, prejudicando o trânsito de veículos. Ontem pela manhã, o acesso ao bairro estava comprometido na altura da rua Prudente de Morais. Na rua Princesa Isabel, na margem do Igarapé Grande, as crianças brincavam com os peixinhos que apareceram no lago formado em cima do asfalto. A água que invade a rua traz outros animais, como cobras sucuri e jacarés. O transbordamento do igarapé atingiu seis casas na rua e outras oito que ficam na margem do igarapé.

O desenhista Raimundo Lopes, que se mudou de Humaitá para Porto Velho em 1947, com quatro anos, primeiro morou no bairro Arigolândia e depois no Areal. Ele lembra da grande cheia do Madeira de 1959, quando a água chegou na avenida Sete de Setembro pela Rogério Weber. “Só que naquela alagação, o pico da cota foi registrado em abril, com o repiquete que ocorreu na Semana Santa”, informa.

A água do Madeira atingiu ontem o muro do 5º BEC na continuidade da estrada de Santo Antônio. Funcionário de um posto de gasolina localizado na esquina, Erivaldo Costa Queiroz, fez uma promoção ontem para vender o resto do estoque de combustível. A ordem era zerar os reservatórios e desativar o posto até que o rio Madeira retorne ao seu leito, para a reativação das bombas do posto.

Foto: D.A

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