Amazonas Energia explica problemas de queda de energia na Câmara

(Foto: Tiago Corrêa – CMM)

As ligações clandestinas, que segundo a empresa geram hoje um prejuízo de R$ 400 milhões, e os investimentos para melhorar a qualidade da energia fornecida para Manaus, foram assuntos tratados pela concessionária Amazonas Energia na manhã desta quarta-feira (30), na Câmara Municipal de Manaus (CMM), por solicitação do vereador Álvaro Campelo (PP), presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da CMM (Comdec).

Álvaro Campelo disse estar preocupado com as constantes interrupções de energia elétrica, apesar dos investimentos no valor de R$ 2 milhões conforme dados da empresa. “O consumidor não consegue perceber a ordem desses investimentos, especialmente os moradores das zonas Norte e Leste, que mais padecem com a falta e a queda de energia na área”, disse ele, ao afirmar que na zona Norte, já houve casos de que em apenas um dia, a energia foi e voltou 12 vezes. “O que eu questiono é que o consumidor final não consegue perceber esses investimentos. E os problemas não se limitam às zonas Norte e Leste, como é o caso do bairro de São Francisco (zona Centro-Sul), com transformadores que causam constantes quedas de energia.

Segundo o vereador, existem pequenos comerciantes que são extremamente prejudicados pelo vai e vem de energia elétrica, acarretando dados aos eletroeletrônicos de comércios e de residências. Álvaro Campelo argumentou que existem muitas denúncias de que os problemas não são resolvidos devido a grande burocracia existente na empresa para o ressarcimento dos prejuízos aos consumidores.

O sistema frágil, que não resiste às intempéries (ventanias, chuvas, raios) também preocupa o vereador, que fez o questionamento à equipe da empresa, integrada pelo representante institucional do presidente da Eletrobrás, Doly Boucinhas; diretor de operação e geração do interior da Eletrobrás Amazonas Energia, Rady Gomes de Oliveira; dos palestrantes, José Luiz Gonzaga do Nascimento, assistente do diretor de geração e distribuição da Eletrobrás, e Eduardo de Xerez Vieiralves, gerente de Departamento de Operação da Eletrobrás.

Campelo disse estar preocupado também porque Manaus é uma das subsedes da Copa do Mundo de 2014.

Ações

José Luiz Gonzaga do Nascimento apresentou um vídeo institucional da empresa, mostrando ações, investimentos, obras e estruturação para resolver problemas crônicos que se arrastam, especialmente em Manaus, que segundo ele, cresce seis vezes com maior rapidez do que outras cidades. Ele garantiu que a Eletrobrás está fazendo investimentos para, em curto prazo, termos energia com mais qualidade e continuidade.

Com a interligação do Amazonas com o linhão de Tucuruí (PA) e a integração ao Sistema Interligado Nacional da Eletrobrás, com investimentos de R$ 500 milhões em obras e cinco novas substações e nove linhas de transmissão, previsto para o início do segundo semestre do próximo ano, o Estado passará a ter um sistema robusto de energia elétrica, conforme deixou claro José Luiz Gonzaga.

Segundo ele, substações como a de Jorge Teixeira (zona Leste), Mutirão (zona Leste), Cachoeira Grande (zona Oeste) e Compensa (zona Oeste), além da Mauá 3, transformarão e aumentarão o fornecimento de energia elétrica para a população de Manaus. A substação Cachoeira Grande está com obras 100% concluídas, como garantiu.

Furto de Energia

Os representantes da empresa atribuíram aos gatos (furto de energia) e ligações clandestinas a degradação da qualidade do sistema energético, assim como também as intempéries. “Quem faz o gato não faz adequadamente, a tensão de energia cai, o fio aquece e os transformadores não aguentam”, disse ele, ao afirmar que nem está falando do ilícito, que é crime.

Segundo ele, dados de junho indicavam que os gatos aumentaram 61% em Manaus e vão de pessoas com baixo poder aquisitivo a condomínios de luxo e mansões. “Com prejuízos de R$ 400 milhões nenhuma empresa sobrevive”, disse ele.

De acordo com dados da empresa, com as ligações clandestinas a empresa tem uma perda de 30% da energia gerada no Estado. De acordo com Gonzaga, a empresa tem programas por meio do qual procura se aproximar da população mais carente, como é o caso da tarifa social, onde os carentes podem pagar valores mínimos de consumo.

Por meio das ações da empresa, já foram feitas 110.289 inspeções em unidades consumidoras de energia, do qual 8.324 unidades foram regularizadas.

Ao responder os questionamentos do vereador Álvaro Campelo, Eduardo Xerez também falou dos investimentos da empresa em quase 15 mil quilômetros de extensão de média e baixa tensão. Segundo ele, os investimentos vão refletir na melhoria da continuidade e qualidade do serviço.

Eduardo Xerez explicou ainda que além das intempéries (raios e ventanias), existem os problemas colisão de veículos nos postes de energia, roubos de transformadores e cabos, que ocasionam a interrupção de energia para os consertos.

Segundo ele, a estrada da Ponta Negra (Coronel Teixeira) e a Avenida do Turismo, na zona Oeste, são as que mais sofrem os impactos dos acidentes com os postes de energia elétrica.

Quanto à preocupação do problema de falta de energia com vistas à Copa do Mundo, Xerez assegurou que a empresa investe R$ 65 milhões para assegurar energia em três circuitos alternativos e iluminar a arena e toda a área.

Aparelhos danificados

Referindo-se a queima de aparelhos (eletroeletrônicos), o gerente explicou que esses equipamentos estão em constantes stress elétricos de 230 e 127 Wolts. E que também começam a envelhecer, porque a tensão começa a degradar a vida deles. “Muitas vezes somos nós os causadores e a empresa faz o ressarcimento dos que reclamam”, disse ele, ao afirmar que a demora pode ocorrer por causa das normas, estabelecidas pelo órgão regulador, que precisam ser cumpridas.

Vereadores como Mário Frota (PSDB), Roberto Sabino (PROS), Waldemir José (PT), Jairo da Vical (Pros), Júnior Ribeiro (PTN), Rosivaldo Cordovil (PTN), Everaldo Farias (PV), Mitoso (PSD) e Carlos Alberto (PRB).

Os vereadores, além das interrupções de energia, questionaram junto à empresa, a instalação de cabeamento subterrâneo, investimentos para que a população seja melhor atendida e quiseram saber sobre o gás natural, que viria para baratear o custo da energia elétrica.

De acordo com os administradores, a empresa comprou a cota de R$ 5,5 milhões de metros cúbicos de gás natural, dos quais 500 mil foram destinados para as empresas do Distrito Industrial e os R$ 5 milhões destinados para a geração de energia termoelétrica. Segundo José Luiz Gonzaga, os municípios de Anamã, Coari, Codajás e Anori passam a consumir o gás natural a partir do início deste mês.

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