Acampados na Assembleia há 18 dias, produtores começam a impedir sessões

(Reportagem: Sheneville Araújo – Folha BV)

“Cadê a Comissão?” e “CPI das Terras já!” foram as palavras de ordem que ecoaram no plenário da Assembleia Legislativa do Estado de Roraima (ALE-RR), na manhã de ontem, 04, pelos produtores da região do Passarão, zona rural de Boa Vista, retirados de suas terras para que governo instale um projeto de irrigação no local.

Pelo segundo dia consecutivo, eles interromperam a sessão na ALE-RR, com gritos de protesto, e os deputados estaduais foram impedidos de dar continuidade à sessão e votar os projetos em pauta, dentre eles a votação do projeto de lei que concede auxílio alimentação aos policiais civis do Estado.

A ocupação no plenário da Assembleia completa 18 dias hoje. O objetivo dos produtores é pressionar o governo para que uma nova área seja disponibilizada a fim de que eles sejam reassentados e também pressionar os deputados estaduais em busca da oitava assinatura necessária para dar entrada na Mesa Diretora da Casa ao pedido da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Terras, elaborado pelos deputados de oposição para apurar as ações de regularização fundiária de Roraima.

A produtora Lidia Castro é uma das que afirma que não tem a intenção de deixar o prédio da Assembleia enquanto a situação dos produtores rurais, que foram retirados do Passarão, não for resolvida e enquanto a ações de regularização fundiária do Estado não foram esclarecidas.

“Tudo é isso que está acontecendo com a gente é desumanidade. Essas autoridades não se importam com a gente. Estamos aqui há quase 20 dias dormindo de qualquer jeito nessa Assembleia e ninguém faz nada. Ninguém do governo nem aparece para dizer o que vai ser feito da gente. O que queremos é terra para sermos reassentados. O que queremos é trabalhar. Mas, como ainda não chegou o ano eleitoral, ninguém se interessa em resolver esse problema”, reclamou a produtora, que denunciou que os bens da propriedade onde morava foram destruídos por ela não ter tido tempo de retirá-los na época da desocupação da área.

O presidente da Associação dos Produtores e Rizicultores do Passarão, Benildo Gama, disse que a intenção dos agricultores é obter uma solução de como vai ficar a situação deles em relação ao Passarão, pois são mais de 652 pessoas em condição incerta.

“Estamos indignados porque teve produtores do Bonfim que foram retirados das terras onde moravam há anos sem direito a nada. A CPI vem dar transparência e dizer quem são os verdadeiros donos das terras do Estado. Existem relatos de pessoas do Sul do país que são donos de terras, mas nunca vieram aqui”, disse Gama.

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