Um passeio pela Manaus que ficou no passado

Almir Carlos
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Almir Carlos*

Hoje, bem cedo pela manhã, com os primeiros raios do sol aparecendo e clareando minha cidade brejeira, entrei em devaneio e iniciei um passeio pela Manaus que não existe mais: Sai de casa no Conjunto Kyssia, pela Av. Pedro Teixeira, até alcançar a João Coelho; dobrei à direita e segui em frente. Passei pelo Hospital psiquiátrico Eduardo Ribeiro (Hospício), pela  Usina Londrina, Chapada Clube de Campo, Chácara do Professor Guilherme Nery, pelo rendez vous Shangri-la, onde segundo os mais antigos, aconteceu a famosa porrada entre o Tigre do Amazonas, Salim Dib e o cantor Waldick Soriano.

Olho para o outro lado da artéria e vejo uma jovem abrindo a janela do andar de cima da Verônica, lupanar muito conhecido e frequentado pela elite boêmia dos anos 60… Atravesso a bela e magnífica Ponte Pensador e sigo em frente, admirando as antenas transmissoras da Rádio Difusora do Amazonas e logo adiante, o Campo do Luso. Alcanço a entrada do São Jorge e, mais a frente, o Colégio Preciosíssimo Sangue. Sigo adiante e chego à Bola do Olímpico, com a Estrada de São Raimundo.

Passando pela Boa Sorte, fico vislumbrado com a bela construção do reservatório de águas da Castelhana. Alcanço a entrada da Matinha, bairro dos mais tradicionais de nossa Manaus cabocla. Vou seguindo em frente… Chego `a sede do Clube dos Cinco Aros, dobro à direita e passo pela Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Pela Luiz Antony, chego a Ramos Ferreira e desço para o Plano Inclinado, assando pela Serraria Rodolfo, indo até a Cervejaria Miranda Corrêa.

Trafego pela Alexandre Amorim, passo em frente à residência da Terezinha Morango, nossa eterna Miss Amazonas, olho para a Casa do Padres Redentoristas, para a Igreja de Aparecida e alcanço a Bandeira Branca. Chego à Casa Dias e dobro à direita, retornando à Luiz Antony, ao lado do 27º BC, Campo do General Osório, pelo bairro do Céu até chegar ao Colégio Dom Bosco. Subo a Governador Vitório, à direita, o Hotel Cassina, depois Cabaré Chinelo, em ruínas…ao fundo da Praça, o belo prédio da Prefeitura, à esquerda a Assembleia Legislativa e o imponente e majestoso IAPETEC.

Dobro à direita e desço até alcançar o Tabuleiro da Baiana, em frente a nossa linda Catedral. À direita o Rodway, a Alfândega, a Capitania dos Portos e o deslumbrante Mercado Adolpho Lisboa, o nosso querido Mercadão.

Paro para degustar um delicioso mungunzá. Sentado à mesa, dou rédeas às lembranças e vou “passeando” mentalmente, relembrando aquela cidade pacata e brejeira, aconchegante e bela, situada à margem esquerda do coração do Rio Negro.

Subo a Eduardo Ribeiro até a Lobrás e dobro à direita para a Sete de Setembro. Na Praça da Polícia “vejo” o Bombalá “regendo” a Banda dos Militares, marchando à frente, empunhando sua batuta. Do outro lado, o tradicional Colégio D. Pedro II.

Paro novamente, para uma prosa e um cafezinho no Pina e de lá, vejo o cartaz no Cine Guarani: “Tarzan vai às Índias”. No cine Polytheama, “ Os Brutos também Amam”.

Sento-me num dos bancos da Praça e fico a indagar aos meus botões: Onde está aquela minha Manaus que tinha, dentre outros, os seguintes locais, hoje esquecidos pelo progresso e pela expansão imobiliária: o Canto do Quintela, nas esquinas da Sete de Setembro com Joaquim Nabuco ? a Curva da Morte, na Cachoeirinha? o Buraco do Pinto, na Ramos Ferreira ?; o Campo Grande, na Comendador Clementino ? a Baixa da Égua, no Educandos? O que dizer do Seringal Mirim, no início da Djalma Batista/João Alfredo? Que é do Bariri ? da Vila Mamão na Cachoeirinha? da Boca do Emboca, na entrada de Santa Luzia ? do Pico das águas e da Preguiça, ao lado do Beco do Macedo ?; da Vila Municipal, em Adrianópolis, da Estrada do V8, hoje Efigênio Sales? do Alto de Nazaré, do Ferro de Engomar, no encontro das ruas Joaquim Nabuco e Silva Ramos ? do saudoso Canto do Fuxico, onde, como o próprio nome sugeria, sabia-se em primeira mão, dos mexericos e dos acontecimentos mais importantes da cidade?

Muitos outros locais desapareceram e outros surgiram, mas, nas minhas lembranças estão e ficarão eternamente aqueles da Manaus dos anos 60, fazendo-me recordar e voltar a uma época em que nossa terra apresentava-se como uma cidade brejeira, morena e pacata…conhecida outrora, como cidade-sorriso!

*Almir Carlos é pedagogo,advogado, professor e escreve neste Portal histórias e estórias da Manaus antiga.

 

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