Trabalho de alfabetização de alunos estrangeiros na rede municipal é destaque no Jornal O Globo

26-12haitiManaus – O trabalho no campo da diversidade e inclusão realizado pela Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), para a alfabetização de crianças estrangeiras foi destaque na edição deste 25 de dezembro, Dia de Natal, no jornal impresso de circulação nacional, O Globo.

Com o título ‘Reencontro: Vidas refeitas no Brasil’, a matéria conta a história de alunos de nacionalidade haitiana quase cinco anos depois de trazidos a Manaus, após o terremoto que devastou o país onde nasceram, em janeiro de 2010. No link http://goo.gl/NwrnGw , é possível conferir a matéria completa.

No ano letivo de 2014, as escolas da rede municipal de educação receberam mais de 70 haitianos. Segundo a coordenadora de Diversidade da Semed, Lídia Helena Mendes, a secretaria passou a receber as crianças estrangeiras desde o final de 2013.

A reportagem de O Globo acompanhou o trabalho dos professores na Escola Municipal Waldir Garcia, localizada no bairro São Geraldo, zona Centro-Sul, que abriga o maior número deles: 16 haitianos. O mais novo tem quatro anos e o mais velho já está com 13. A matéria destaca que mesmo sem fluência no idioma falado no Brasil, as crianças têm se destacado na escola. Um exemplo são os resultados obtidos por esses alunos na Avaliação de Desempenho do Estudante (ADE), aplicada bimestralmente pela Semed e que serve como instrumento de mensuração do nível de aprendizagem de cada escola.

Segundo a publicação, a maioria dos haitianos refugiados no Brasil, principalmente em Manaus, são homens que deixaram para trás mulheres e filhos e seguiram para o Brasil em busca de trabalho. A garantia do emprego é o primeiro passo para estabilidade na nova vida. Depois disso, os pais começaram a trazer para Manaus esposa e filhos.

Das oito turmas da Escola Municipal Waldir Garcia, duas delas tiveram alunos haitianos em primeiro lugar na ADE da Semed. Rosalina Medeiros, 9 anos, estuda há um ano na escola e foi o destaque da turma em que é a única haitiana.

Quem também chama a atenção na escola, conforme a reportagem, é o aluno Daivid Elisson, 12 anos. Ele fala ao todo quatro idiomas – espanhol, crioulo, francês e, por último, o português – e serve de intérprete entre os novos alunos que chegam vindos do Haiti e até da Venezuela.

Socialização

O trabalho desenvolvido na rede pública de ensino com as crianças chamou a atenção da reportagem de O Globo porque vai além da alfabetização. A escola se preocupa, também, com a socialização dos alunos haitianos com professores e demais estudantes. A gestora da unidade, Lúcia Cristina Santos, contou que as crianças que chegam até a escola apresentam problemas de convívio.

“Muito deles ficaram no Haiti sem o pai e a mãe, apenas sendo cuidado por terceiros. Quando eles chegam a escola eles estão muito agressivos e arredios. Isso caracteriza uma fase de recusa, sem limite, pois sem os pais eles ficaram sem regras. E é nosso papel aqui na escola trabalhar essa questão da disciplina, do convívio com os professores e os colegas e da questão do respeito”, explicou ao jornal.

O trabalho também é realizado com os pais das crianças. Segundo Lúcia, por passarem muito tempo longe dos filhos, uns até quatro anos, eles se culpam e tentam compensar a distância com o mimo.

Joseph Mathias Jean Orinel, com apenas quatro anos, é um dos mais novos na escola. Ele foi deixado pelo pai e pela mãe no Haiti com apenas dois anos. A distância da família, por exemplo, faz com que ele nem lembre o nome da mãe. “No início a gente utiliza a mimica partindo do trabalho de assimilação de objetivos para que eles aprendam palavras do cotidiano como o bebedouro, banheiro, água, e outros, por exemplo. E só depois disso, quando estabelecemos um contato básico, é que damos início a alfabetização pelas vogais, consoantes, sílabas e as palavras para chegar a leitura e a escrita”, relatou a gestora. “Outra coisa é integração com as outras crianças. Essa troca, essa interação tem ajudado muito no processo de aprendizagem e muitos alunos haitianos têm se destacado na escola”, frisou.

Fonte: Semcom

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